Desligamento do sinal analógico pode atrasar (de novo) no Brasil

Por Redação | 01.09.2015 às 15:27 - atualizado em 01.09.2015 às 18:25
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Faltam aproximadamente três meses para o governo iniciar o desligamento da TV Analógica no Brasil. Mas pelo andar da carruagem, tudo indica que o chamado "switch off" vai atrasar. Acontece que em Rio Verde (GO), o primeiro município do país a ter o sinal desligado e que está servindo de piloto para as demais cidades brasileiras, nem toda a população tem acesso à televisão digital.

De acordo com uma pesquisa do IBOPE, obtida pelo site Convergência Digital, das quase 55 mil residências de Rio Verde, que atualmente possui 200 mil habitantes, "entre 24% e 53%" tem condições de continuar assistindo TV aberta depois do desligamento, previsto para 29 de novembro. Na prática, isso significa que a taxa de penetração da TV digital é bastante baixa, principalmente se levarmos em consideração que faltam cerca de 90 dias para o desligamento.

Além disso, não podemos ignorar a margem de erro absurda do levantamento. Qualquer erro acima de sete pontos percentuais já descarta a segurança de prosseguir com o fim do sinal analógico no município goiano. Para efeito de comparação, o Tecnoblog faz a estimativa que, na melhor das situações, pelo menos metade dos domicílios teria que comprar TVs novas ou conversores digitais nos próximos três meses. Os aparelhos custam entre R$ 180 e R$ 220 na cidade.

Outra questão é que nem todos os municípios oferecem uma infraestrutura adequada para a implementação do sinal digital, que depende também da contratação de profissionais especializados. No caso de Rio Verde, as retransmissoras de sinal pertencem à prefeitura local, e nem sempre pedir ajuda para as emissoras de TV surte algum efeito, uma vez que essa negociação depende de ajustes jurídicos.

Se em cidades menores como Rio Verde o problema do desligamento aparenta ser mais sério do que se imagina, em grandes metrópoles com milhões de habitantes a situação pode ser mais agravante, mesmo com um número maior de profissionais capacitados para instalação dos equipamentos necessários. Ainda mais pelo fato de que o switch off nesses locais está previsto a partir do ano que vem.

Fato é que o governo muito provavelmente adie mais uma vez o switch off se esses dados do IBOPE forem verdadeiros. Vale lembrar que o sinal analógico só será extinto quando o município em questão tiver no mínimo 93% das casas com acesso à tecnologia. Veja abaixo o cronograma estipulado pelo governo:

  • 29 de novembro de 2015: Piloto - Rio Verde (GO)
  • 03 de abril de 2016: Brasília
  • 15 de maio de 2016: São Paulo
  • 26 de junho de 2016: Belo Horizonte
  • 28 de agosto de 2016: Goiânia
  • 27 de novembro de 2016: Rio de Janeiro
  • 25 de junho de 2017: Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre
  • 30 de julho de 2017: Salvador, Fortaleza e Recife
  • 27 de agosto de 2017: Campinas e Ribeirão Preto
  • 24 de setembro de 2017: Vale do Paraíba e Santos
  • 29 de outubro de 2017: Interior do RJ e Vitória
  • 26 de novembro de 2017: São José do Rio Preto, Bauru e Presidente Prudente
  • 1º de julho de 2018: Manaus, Belém e São Luís
  • 29 de julho de 2018: Natal, João Pessoa, Maceió, Aracaju e Teresina
  • 26 de agosto de 2018: Campo Grande, Cuiabá e Palmas
  • 25 de novembro de 2018: Porto Velho, Macapá, Rio Branco, Boa Vista e demais cidades

Fontes: Convergência Digital