Cientistas protestam contra fusão dos ministérios

Por Redação | 11.06.2016 às 12:58
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A fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com o Ministério das Comunicações tem gerado grande polêmica entre os especialistas. A mudança, promovida pelo presidente interino Michel Temer, tem sido amplamente criticada pelos pesquisadores brasileiros, que têm se manifestado contra a decisão.

Os protestos, que tiveram início na internet, já tomaram as ruas de diversas cidades brasileiras. A principal queixa é de que as duas áreas estão fadadas ao fracasso, já que agora são menos pessoas trabalhando e com um grande corte orçamentário.

Além disso, os cientistas afirmam que a junção acabará por atrapalhar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Brasil. Para Sergio Rezende, que atuou como ministro do MCTI entre 2005 e 2010, “o governo sinaliza que a ciência não é importante e deve continuar assim”.

Acompanhando a tentativa dos artistas, que se mostraram revoltados com a descontinuação do Ministério da Cultura, milhares de pesquisadores estão buscando unir forças para que Temer reconheça o erro e restabeleça o MCTI. "Nós não somos tão rápidos para mobilizar-nos como artistas, mas temos sido contra a fusão desde o início", diz o físico Ildeu Moreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), em São Paulo, e um dos organizadores da campanha #FicaMCTI.

Apesar de toda a insatisfação, Gilberto Kassab, o ministro do atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, afirma que não há como voltar atrás da decisão: "Acredito que o ministério tornou-se mais forte, com mais peso político dado pela fusão". Um de seus principais argumentos para a defesa da mundaça é que o orçamento deverá ser restabelecido em breve, principalmente por conta da negociação do empréstimo no valor de US$ 1,4 bilhão com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Fonte: Nature