Agência de notícias chinesa deturpa manifestações pró-democracia no Twitter

Por Nathan Vieira | 19 de Agosto de 2019 às 15h22
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Nos últimos dias, Hong Kong tem sido palco de manifestações que chegaram a reunir mais de 1,7 milhão de adeptos. A principal arma do Partido Comunista da China contra essas manifestações tem sido o Twitter. Acontece que a China Xinhua News, maior agência de notícias da China (e, por sua vez, porta-voz oficial do Partido Comunista da China), está usando a rede social para fazer com que as pessoas vejam as manifestações como um ato de violência. Isso entra em contraste com outros meios de comunicação, que descrevem como um ato pacífico.

A onda de manifestações teve início em março deste ano, sob a premissa de protestar contra uma lei de extradição (processo oficial pelo qual um Estado solicita e obtém de outro a entrega de uma pessoa condenada ou suspeita da prática de uma infração criminal). Atualmente, a lei em questão se encontra suspensa, então as manifestações passaram a abranger outras demandas, como a libertação de manifestantes presos, ou investigação sobre a conduta policial do país.

Os tuítes da China Xinhua News foram descobertos pela conta oficial do Pinboard (um site de bookmarking, ou seja, cuja finalidade é representar e organizar recursos da web), que compartilhou prints das declarações da agência de notícias.

"'A China é nossa casa, nossa pátria', os cidadãos de Hong Kong pedem para parar a violência, acabar com o caos e restaurar a ordem na cidade", escreve a China Xinhua News em um dos tuítes que foram printados. Em resposta, o Pinboard escreve: "Acabei de voltar de uma marcha completamente pacífica, onde possivelmente um milhão de residentes de Hong Kong saíram, sem policiais à vista, para exigir direitos democráticos básicos", e aponta que a Xinhua mentiu ao se referir aos manifestantes como "bandos de bandidos". A conta do Pinboard ainda critica a "cortesia da publicidade no Twitter".

Em outra ocasião, o Pinboard compartilhou um tuíte da Xinhua dizendo o seguinte: "Após dois meses, a violência em Hong Kong teve um forte impacto na ordem social. Todas as esferas da vida em Hong Kong pediram que a violência fosse parada e que a ordem fosse restaurada". Em resposta, Pinboard escreve: "Todo dia eu saio e vejo coisas com meus próprios olhos, e depois vou denunciar no Twitter e vejo tuítes promovidos dizendo o oposto do que vi. O Twitter está recebendo dinheiro e executando esses tuítes promovidos contra as principais manifestações de Hong Kong".

Em junho, o Twitter foi acusado de censurar os críticos do governo chinês depois que inúmeras contas de usuários em língua chinesa foram removidas dias antes do trigésimo aniversário do massacre da Praça Tiananmen. A empresa disse que as contas foram removidas por erro.

Fonte: Tech Crunch

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