Você (realmente) sabe o que é performance?

Por Colaborador externo | 21.05.2015 às 07:46
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Por Rodrigo Vanzan*

Em tempos de crise e, principalmente de mercados tão competitivos, muito se fala de resultado e performance. Agências de publicidade tradicionais e principalmente digitais de pequeno, médio e grande porte já absorveram o uso frequente destas palavras e as aplicam em todo e qualquer tipo de debate empresarial. Defendem com unhas e dentes, diante de seus clientes e do mercado, a importância de agir e reagir com performance e resultado.

Desta forma, o famoso ROI virou o “REI”. E, como a história conta, o Rei é quem manda e, para ele, o que importa são os fins e não os meios, afinal, o momento que vivemos exige isso, certo? Errado! Em um cenário onde a informação, como matéria-prima, está cada vez mais abundante, o primeiro erro que se comete é confundir performance com resultado.

Na arte, a performance seria atuar com perfeição transmitindo sentimentos e emoções e seus resultados seriam aplausos e bilheterias cheias. Já no esporte, a performance seria a união da execução de movimentos e técnicas perfeitas com a força física e os resultados seriam medalhas e recordes. Desta forma, performance se torna indiscutivelmente a representação dos meios e os resultados seguem como os fins. A melhor representação de performance, no entanto, quando nos referimos a empresas e negócios é a de máquinas e motores, onde a performance representa, através do funcionamento de cada um de seus componentes em conjunto, a capacidade de alcançar o resultado ou objetivo desejado da forma mais eficiente e menos desgastante possível.

Embora existam no mercado publicitário muitos conceitos, teorias e técnicas circulando, a sensação que se tem é a de que as agências e seus clientes estão atribuindo valor às estratégias digitais através da procura por representações mirabolantes para uma questão extremamente básica, como se para alcançar resultados grandiosos ou desafiadores fosse necessário reinventar a roda ou criar soluções super complexas.

Performance é muito mais simples do que isso, é uma prática diária, uma metodologia que prevê a realização minuciosa de atividades estratégicas definidas a partir de informação e gerando muito mais informação. Nesse sentido, as estratégias digitais têm se destacado através dos 3 V’s do Big Data: Volume, Variedade e Velocidade. No entanto, performance não se resume a execução perfeita das atividades - o nome disso é processo. Performance é a forma como se enxerga a atividade, os impactos dela no ambiente no qual ela foi aplicada e principalmente de que forma estes impactos realimentarão a estratégia.

A performance na condução da estratégia exige uma mudança na forma de olhar as ações e precisa estar inserida na filosofia de trabalho, não é uma simples receita a ser executada. É como no futebol: um zagueiro, por melhor que ele seja, jamais irá olhar a bola da mesma forma que um atacante. A visão por trás daquele objeto é completamente distinta. Um zagueiro possui fundamentos bem definidos, cada ação gera uma reação intimamente ligada ao objetivo maior. No mesmo campo, o atacante simplesmente joga, faz a parte dele, não foi ensinado nem programado, ele apenas reage aos estímulos considerando cada jogada como um evento isolado e, a partir do histórico acumulado por ele, tomará sua decisão sobre como agir.

Respeitando as devidas posições, somente o zagueiro pode garantir o empate, mas também somente o atacante pode conquistar a vitória. Isso não quer dizer que uma empresa que não possui a abordagem de performance não possa assumir essa posição. Quer dizer apenas que ela deve deixar de olhar o jogo como zagueiro e passar a olhar como atacante, mudando assim sua postura e posição no campo.

Portanto, performance apesar de sua simplicidade, vai muito além da obtenção de resultados objetivamente. Está profundamente ligada à forma de ver e conduzir os processos e atividades. Sendo assim, performance não torna o resultado menos importante. Ela torna ele mais fácil. Por outro lado, não adianta que as agências carreguem esse conceito apenas como argumento de venda ou mantenham toda metodologia de performance só com ela. É fundamental que essa metodologia seja compreendida e aceita pelos seus clientes de forma profunda para que seja realizada com sucesso.

*Rodrigo Vanzan é CEO da 4Buzz, agência de marketing full digital que combina inteligência, branding e performance