Uber precisa parar de agir como uma startup, diz executivo

Por Redação | 13 de Julho de 2017 às 12h22
photo_camera YouTube (Tesloop)

A calma parece começar a se instalar na Uber, empresa que se viu envolvida em uma série de escândalos recentes. O silêncio na mídia, que significa que novas questões não são levantadas, entretanto, foi quebrado por Andrew Macdonald, diretor da empresa para a Ásia e América Latina, que disse que todos precisam parar de agir como se o serviço fosse uma startup.

Em entrevista, ele afirmou que a hora de amadurecer já passou, uma vez que nem mesmo o público enxerga uma companhia do tamanho da Uber como uma iniciante. As polêmicas recentes foram, mais do que nunca, uma prova disso e agora é hora de corrigir os erros para seguir em frente, recuperando a confiança que foi perdida e mantendo a atenção daqueles que permanecem acreditando na companhia.

De acordo com Macdonald, investimentos em recursos humanos, processos internos, diversidade e inclusão já estão sendo feitos como parte desse processo de retomada. Além disso, a companhia está trabalhando com a gigantesca escala de seus serviços, ouvindo clientes e motoristas, de forma a construir o que o executivo chamou de “ótimas novidades” para o futuro próximo.

Apesar disso, não é como se o caminho estivesse todo traçado. A renúncia do CEO Travis Kalanick, por exemplo, foi uma surpresa até mesmo para os altos executivos da Uber, com o próprio Macdonald afirmando ter ficado chocado quando acordou e leu, pela imprensa, sobre a saída do presidente.

Para ele, a saída de Kalanick foi um mal necessário para que a empresa mudasse a forma de falar com parceiros, usuários e acionistas. O antigo CEO era reconhecido por seu estilo agressivo, o que muitas vezes levou a escândalos, como a vez em que ele foi flagrado discutindo aos berros com um motorista sobre a divisão dos ganhos entre a empresa e quem dirige para ela.

Outro caso grave em que o antigo CEO teve participação foi o envolvimento no roubo de dados médicos de uma vítima de estupro em um dos veículos da Uber na Índia. Na ocasião, executivos da empresa, incluindo o próprio presidente, acreditavam que tudo era uma farsa dos concorrentes e chegaram a tentar negar o caso antes que o departamento jurídico interviesse.

A atuação na Índia foi citada por Macdonald como o maior exemplo de erros da Uber, mas também de sua forma de consertar as coisas. Investimentos altos em segurança estão sendo feitos no país, com a empresa adicionando um botão de pânico para usuários que, em caso de emergência, compartilham as informações de GPS e dados do motorista com as autoridades.

Ao mesmo tempo, de forma a atender aos anseios de passageiros e contornar o trânsito intenso das cidades indianas, a Uber lançou um serviço que utiliza motos para o transporte de passageiros. A ideia deu certo após uma etapa de testes na Indonésia e foi levada também a outros territórios, como República Dominicana e Vietnã.

Para o executivo, é assim a atuação de qualquer companhia. Entre erros e acertos, os executivos vão encontrando o que funciona e corrigindo aquilo que não está dando certo, mesmo que isso signifique que alguns componentes-chave da equipe tenham de sair. É um processo sempre turbulento, mas necessário.

Macdonald se disse empolgado com as expectativas para o futuro, mas já deixa claro que uma coisa não deve mudar jamais: a Uber continuará sendo uma companhia orientada em fazer “a coisa certa”, agindo com princípios e, principalmente, levando bons serviços a clientes e oportunidades para parceiros.

Fonte: CNN

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