TI, um assunto para os CEOs

Por Colaborador externo | 17.03.2016 às 11:00

Por Edenize Maron*

A instabilidade econômica do país neste ano coloca uma pergunta diante dos presidentes de empresas: como, pelo menos, manter a rentabilidade do negócio em 2016 sem sacrificar aspectos essenciais como qualidade, respeito a prazos e a competitividade dos produtos e serviços?

A resposta provavelmente não vem pelo lado do aumento de receita, já que a grande maioria dos mercados se encontra em retração. Então, a solução está na coluna dos custos, desde que não interrompa o processo de inovação e melhoria dos processos para a companhia.

Nesse cenário, a gestão de sistemas digitais é uma importante opção para economizar recursos e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade dos produtos e serviços prestados. A palavra-chave é produtividade, ou seja, fazer mais com menos. Nesse sentido, a área de TI torna-se ainda mais estratégica e demanda um acompanhamento próximo do principal executivo e um apoio forte de sua parte ao CIO (Chief Information Officer).

Institutos de pesquisa têm indicado que o sucesso das organizações depende da adoção de modelos bimodais, aqueles que conciliam sistemas já existentes na companhia com novos aplicativos e modernas soluções. Segundo o Gartner, as oportunidades e ameaças geradas pela economia digital estão forçando as organizações a se concentrarem em uma inovação rápida, flexível e colaborativa. As equipes de TI precisam proporcionar velocidade ao atendimento das demandas dos clientes internos e externos, estendendo esses benefícios às demais áreas da companhia. Enquanto o modelo tradicional pode restringir melhorias e inovações, o modelo digital pode trazer mais agilidade e vantagens competitivas.

De olho nessa questão, um novo segmento de mercado está surgindo, com empresas independentes e especializadas na manutenção de sistemas legados. A lógica é simples e o resultado excepcional. Funciona assim: as companhias adquirem seus sistemas de gestão empresarial (ERP) de fornecedores globais, mas contratam a manutenção mensal desses sistemas com empresas como a Rimini Street. Ao optar por esse caminho, conseguem um atendimento mais qualificado e, o principal, uma redução de custos de cerca de 50% em relação aos valores pagos tradicionalmente.

Os serviços de suporte independentes trazem bons resultados não só do ponto de vista financeiro, mas também tornam mais produtivo o dia-a-dia das áreas de TI e, em consequência, de toda a companhia. Isso porque os fabricantes de software não dão suporte para linhas de código desenvolvidas pelos clientes (terceiros). Hoje, mais de 70% dos problemas críticos das empresas têm origem nos códigos próprios de sistemas criados para atender características específicas dos negócios, incluindo ajustes à legislação brasileira. Na prática, as equipes de TI dedicam mais tempo para resolver ocorrências técnicas do que para o desenvolvimento de novas aplicações.

Com a contratação de empresas especializadas no suporte a sistemas ERP, essas questões podem ser equacionadas, além de ser possível redirecionar o orçamento para investimentos em projetos voltados à inovação. Para adicionar valor, gerar resultados e promover mudanças nos negócios, os CIOs precisam romper paradigmas, como substituir estruturas antigas, que já não atendem às atuais necessidades do mercado, por modelos mais dinâmicos, que apoiem o ecossistema de suas empresas e respondam com assertividade às mudanças exigidas pelos clientes.

Acredito que esse movimento cresça no Brasil nos moldes do que se verifica no exterior. O motivo é simples: cada vez mais as empresas são pressionadas pelos custos e, ao mesmo tempo, precisam destinar recursos para reforçar a presença no universo digital, oferecendo, inclusive, novos aplicativos móveis. Assim, se não apostarem em inovação estarão fadadas ao fracasso. E, diante de orçamentos financeiros mais apertados, a saída será firmarem parcerias com fornecedores de serviços de TI de qualidade e que reduzam despesas.

Esse movimento pode ser comprovado com números: o segmento de TI brasileiro deverá movimentar US$ 96,4 bilhões em 2016. Desse total, os gastos com software totalizarão US$ 4,3 bilhões. Já os serviços de TI vão absorver US$ 19 bilhões. Em 2016, as vendas de licenças manterão o mesmo patamar, enquanto os serviços aumentarão 6,4% em relação a 2015.

A escolha pelos negócios digitais é um caminho sem volta. No final da jornada encontra-se a sobrevivência das empresas. Especialistas indicam que os mundos físico e on-line serão um só e enquanto a receita gerada pelos formatos analógicos vai sumindo ou diminuindo a receita obtida pelo modelo digital caminhará na direção contrária e se expandirá continuamente. Segundo estimativas de consultorias, mais de 125.000 grandes empresas no mundo já adotam iniciativas de negócios digitais. Os principais líderes globais já começaram a se preparar para essa migração, que deverá movimentar US$ 1 trilhão por ano.

Concordo com os analistas do Gartner quando dizem que para se tornarem realmente transformadores, as empresas devem adotar três medidas: estabelecer uma abordagem diferente em relação à tecnologia e ao investimento; buscar novos fornecedores e criar uma área de inovação. Independentemente do que motivar essa decisão, seja visão de negócios, problemas financeiros ou qualquer outro, é fato que as empresas brasileiras passarão por uma grande transformação nos próximos anos. Sem dúvida, os CEOs que administrarem seus orçamentos de maneira mais produtiva e racional serão os mais bem-sucedidos!

*Edenize Maron é Diretora Geral da Rimini Street no Brasil.