TI Bimodal, sim! Por favor, deixe os meninos brincarem

Por Colaborador externo | 31 de Agosto de 2015 às 17h38

Por Alex Marin*

Em 2014, o Gartner cunhou um novo termo em tecnologia, a Bimodal IT em inglês, ou em português TI Bimodal. Este novo modelo sugere duas TI’s, sendo a primeira uma TI tradicional dando ênfase em escalabilidade, eficiência, segurança e acurácia, unindo-se a uma segunda, que é mais leve, focada na agilidade e velocidade, além de menos burocrática.

Ouvir do Gartner que temos uma TI tradicional gera ceticismo aos mais desavisados: “Não é da TI que vem tudo que é tecnológico? Tecnologia não é sinônimo de inovação?”. Pois é, sinto lhe dizer, mas o Gartner está certo e ambas as respostas são “não”!

A chamada TI tradicional é aquela que encontramos na maioria das grandes corporações hoje. Tornou-se pragmática, preocupada excessivamente com seus orçamentos e custos, obsessiva em manter o ambiente blindado e operante, segurança, governança e performance, suportando o negócio, que são prioridades indiscutíveis.

Seja por preciosismo ou questões de regulamentação, a TI tornou-se lenta, burocrática e com pouca capacidade de inovar e agir rapidamente. Em contrapartida temos uma mudança radical no mundo dos negócios, alavancada pela imediatista economia digital, na qual o “faça tudo primeiro” – tudo é prioridade e questão de sobrevivência - é a ordem da vez. Pode parecer utópico para uma grande corporação fazer tudo ao mesmo tempo, e talvez seja, mas é totalmente factível para pequenas empresas, as chamadas startups.

Elas estão se antecipando e propondo produtos e serviços inovadores com ciclo de vida agressivamente rápido e isto dita o mercado. E este movimento só é possível porque o modelo de negócio das startups é, muitas vezes, tentar. Termos como errar, mudar, reinventar geram calafrios em companhias de grande porte. Porém, as empresas da economia digital, por sua vez, têm isso em sua essência.

É aí que o Gartner se apoia quando aborda a TI bimodal. Segregar a TI de modo a existir pequenas startup’s dentro das grandes corporações, silos que possuam capacidade de acelerar negócios, produtos ou soluções sem a burocracia da TI tradicional, além de permitir a criação de uma cultura de inovação. Como resultado está a possibilidade de mitigar e estancar eventuais riscos para os negócios.

Caberá aos CIO’s entender este novo modelo e implementá-lo dentro de suas corporações. As impressionantes histórias de empresas inovadoras crescem a cada dia e nos remetem a jovens brincando e produzindo algo realmente incrível, artesanal e inovador em garagens ou laboratórios de universidades. Será que com a TI bimodal as grandes corporações e principalmente seus investidores deixarão os meninos brincarem?

*Alex Marin Silva* é Innovation Manager da Sonda IT, maior integradora latino-americana de Tecnologia da Informação

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