Tecnologia da Microsoft pode avaliar a postura dos participantes de uma reunião

Por Felipe Demartini | 01 de Dezembro de 2020 às 08h58
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A Microsoft parece estar disposta a ir bem além com suas tecnologias de avaliação de desempenho e performance de colaboradores durante o horário de trabalho. Uma nova patente obtida pela companhia detalha um sistema capaz de avaliar a qualidade de uma reunião, atribuindo uma pontuação a partir de diferentes aspectos relacionados a seus participantes e, também, o ambiente e clima da situação.

As métricas seriam obtidas a partir de câmeras e sensores, assim como ferramentas de softwares disponíveis na suíte de aplicativos da Microsoft, o Office. Dos colaboradores, por exemplo, a plataforma avaliaria atributos como a linguagem corporal e as expressões faciais dos conectados, além de elementos como o tempo de fala, o índice de participações e até mesmo a temperatura do local onde ele está. Ao mesmo tempo, a realização de tarefas alheias ao encontro também seria registrada na forma de um coeficiente de participação, que leva em conta os momentos de dispersão para responder um e-mail, olhar o celular ou navegar na internet.

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Além disso, atributos gerais seriam considerados, como a quantidade de participantes de uma reunião e o horário do dia em que ela acontece. No final, o chamado “sistema computacional de insights para reunião entregaria uma nota e, também, desafios enfrentados durante o encontro, que podem ser recebidos por gestores para melhorar a qualidade dos próximos. Além disso, o sistema seria capaz de funcionar de forma preditiva, indicando tais questões durante a marcação e indicando melhores horários, integrantes ou outros elementos que tornariam a conversa mais produtiva.

Figura mostra como sensores e câmeras podem avaliar a qualidade, até mesmo, de uma reunião presencial, enquanto a telemetria de PCs permitiria tais insights também nos encontros remotos (Imagem: Reprodução/GeekWire)

O objetivo do sistema, de acordo com a patente registrada nos Estados Unidos e publicada em 12 de novembro, é adicionar contexto e “informações do mundo real” às plataformas remotas de marcação de reuniões. Segundo a Microsoft, a ideia final é acabar com os encontros “longos, com baixo atendimento e repetitivos”, que não geram resultados de qualidade nem resolvem os problemas que precisam ser abordados por uma organização.

Por mais que seja voltado a reuniões online, a patente também indica sua utilização em encontros presenciais, já que os sensores de ambiente podem ser mais bem instalados em salas tradicionais. Tudo, claro, funcionaria por meio da infraestrutura de nuvem da Microsoft e estaria em desenvolvimento há, pelo menos, dois anos.

É importante levar em conta que o registro de patentes não necessariamente significa a aplicação real de uma tecnologia, já que, muitas vezes, documentos desse tipo podem representar, meramente, a oficialização de uma invenção para fins de salvaguarda ou obtenção de ganhos com royalties de licenciamento. Por outro lado, o documento aparece em um momento de críticas intensas sobre a Microsoft e seu sistema de pontuação de produtividade, implementado em outubro no Office e aparecendo, recentemente, na mira de partidários da privacidade.

Os críticos afirmam que a plataforma serve como um sistema de monitoramento de colaboradores, indicando a gestores quanto tempo eles passaram trabalhando e de que maneira utilizam a suíte de aplicações da empresa. Uma nota de produtividade seria dada às organizações e trabalhadores, assim como indicações aos gestores sobre uma maior otimização do tempo e produtividade durante o trabalho remoto, que se torna uma necessidade cada vez maior na medida em que se torna uma tendência mesmo após a pandemia.

A Microsoft refuta essa ideia, afirmando que o sistema de pontuação de produtividade não dá insights diários para os gestores e leva em conta 28 dias por mês, além de fornecer dados anonimizados de utilização dos softwares de um computador. A ideia, também, é que as ferramentas sejam usadas a nível organizacional, e não de maneira individual, enquanto os resultados são comparados com outras empresas, também, de forma a não carregarem informações sensíveis, pessoais ou confidenciais.

A empresa não se pronunciou especificamente sobre a obtenção da patente relacionada ao sistema de análise de reuniões. Por enquanto, não existem indícios de que a tecnologia será aplicada nos produtos da companhia para o mercado corporativo.

Fonte: GeekWire

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