Pesquisa da Capgemini revela que empresas globais têm dificuldade em inovar

Por Redação | 07 de Agosto de 2015 às 11h24

Um relatório elaborado por Brian Soliz, do Grupo Altimeter, e pela Capgemini Consulting, divisão global de estratégia e transformação do Grupo Capgemini, mostra que importantes empresas globais vêm encontrando dificuldades para inovar conforme adotam modelos de pesquisa e desenvolvimento tradicionais que hoje são considerados obsoletos pelo mercado.

De acordo com o estudo "O Jogo da Inovação: Por que e como as empresas estão investindo em centros de inovação", as companhias de grande porte estão mal preparadas para enfrentar o desafio do darwinismo digital e, para resolver a questão, estão procurando cada vez mais criar centros de inovação físicos, como o Vale do Silício, para usufruir do ecossistema de startups, investidores de capital de risco, aceleradores, fabricantes e instituições acadêmicas.

Para o analista do Grupo Altimeter, Brian Solis, a inovação nunca foi um fator tão importante e difícil para as maiores empresas do mundo. "Vivemos em um mundo onde a ruptura é iminente - podendo vir de qualquer lugar - e onde os concorrentes, que já utilizam tecnologias digitais, ameaçam a sustentação de muitos setores já estabelecidos. Sem inovação constante, algumas organizações que já estiveram no topo descobrem que as rotas comprovadas e confiáveis para a inovação viraram becos sem saída. Chegou a hora de inovar ou morrer", comenta.

O líder global de pesquisa da Capgemini Consulting, Jerome Buvat, afirma que muitas organizações lidam com a necessidade de inovar por meio de parcerias ou aquisições de startups da área de tecnologia. "É necessário haver um equilíbrio maior entre o conhecimento externo e o interno. Os centros de inovação parecem ser uma maneira eficaz de cultivar a mentalidade ágil das startups, necessária para permanecer na vanguarda do mercado. No entanto, já ficou claro que criar um centro eficaz exige a superação de vários desafios", diz o empresário.

Foram 200 grandes empresas de todo mundo pesquisadas, de importantes segmentos do mercado como automotivo, serviços financeiros, bens de consumo e varejo e manufatura e telecomunicações. Os principais executivos responsáveis pela supervisão das atividades relacionadas ao assunto também foram entrevistados.

Resultados

O estudo mostrou que apenas 38% das principais empresas criaram centros de inovação em um núcleo tecnológico global e os Estados Unidos e a Europa conquistaram a maior fatia, atraindo 29% de todas as empresas, ficando na frente da Ásia, com 25%.

O Vale do Silício foi considerado o local mais interessante para a instalação de centros de inovação e já conta com a participação de 61% das grandes empresas.

As áreas de pesquisa preferidas são a de mobilidade, com 63%, e Big Data, com 51%. Tecnologias ainda pouco maduras, como impressão 3D, realidade virtual e robótica, são consideradas como de menor prioridade para 5% e 13%, respectivamente, das empresas.

A pesquisa também identificou quatro tipos principais de centros de inovação:

  • Laboratórios internos: realizam todas as atividades relacionadas desde a concepção até a criação de protótipos com ajuda dos recursos internos;
  • Residência universitária: quando as companhias investem na criação de um centro de inovação em um campus de universidade;
  • Âncoras comunitárias: identificam mentores e oferecem oportunidades para as startups trabalharem ativamente junto à empresa para testar os seus produtos;
  • Postos avançados de inovação: compostos por pequenas equipes que trabalham em hubs tecnológicos. No caso de empresas de grande porte, eles possibilitam o envolvimento com a comunidade tecnológica sem precisar de grandes investimentos.

Apesar de todos os investimentos substanciais que as organizações globais vêm recebendo e dos benefícios adquiridos, estabelecer um centro bem-sucedido é um desafio e, de acordo com especialistas, de 80% a 90% desses centros fracassam.

Criando um centro de inovação eficaz

A pesquisa recomenda alguns fatores a serem utilizados na criação de um centro de inovação de sucesso:

  • Definição clara de um objetivo;
  • Criação de um modelo de governança sólido com apoio da liderança;
  • Determinação de um foco que não seja muito futurista e nem ligado às operações atuais do negócio;
  • Envolvimento de unidades de negócios que evitem o isolamento;
  • Criação de uma equipe multifuncional que tenha a capacidade de atuar em ambientes estruturados e não estruturados;
  • Operações feitas com liberdade orçamentária com conhecimento de quando o projeto deve ser abandonado;
  • Trabalho com variados grupos de parceiros escolhidos com critérios sensatos.

A pesquisa é finalizada mostrando alguns cases de sucesso, como o Walmart, que criou o Walmart Labs, e a AT&T com o seu centro batizado de Foundry.

O estudo completo pode ser visualizado aqui.

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