Na era da informação, devo investir em soft ou hard skills?

Por Andrea Tedesco | 13 de Outubro de 2019 às 10h00

Muito se fala em transformação digital e futuro do trabalho, mas o quanto estamos conscientes de que esse futuro está acontecendo hoje? Mesmo as empresas mais tradicionais já perceberam que sem uma mudança de mindset voltado para inovação os negócios não sobreviverão. Elas podem até não saber por onde começar, mas sabem que é necessário e que ela precisa acontecer com urgência. Esses avanços tecnológicos impactam a sociedade mais do que podemos imaginar, principalmente quando olhamos para o mercado de trabalho. As empresas mudam, os empregos também e, mais do nunca, as habilidades buscadas nos profissionais.

Além das capacidades técnicas, sempre muito valorizadas pelo mercado e importantes para desempenhar determinadas funções, as relações humanas têm ganhado cada vez mais força em comparação com outras épocas. Isso mostra que, diante de um cenário em constante transformação em que muitos empregos serão extintos para a criação de outras novas funções, aqueles profissionais com capacidade de se relacionar bem com as pessoas, que se adaptam bem às mudanças, criam soluções e estão dispostos a aprender, certamente terão seu lugar no mercado.

Essa discussão tem gerado dúvidas nos profissionais sobre em quais habilidades investir para prosperar na carreira e aproveitar todas as mudanças que estão acontecendo e que ainda estão por vir. A verdade é que não há uma regra, afinal, o mundo se transforma cada vez mais rápido e isso dificulta bater o martelo sobre quais dessas competências são as mais importantes aos olhos dos empregadores. Mas vale falar sobre a importância de cada uma delas e como é possível se beneficiar.

Os profissionais com hard skills e bem preparados tecnicamente sempre chamaram a atenção do mercado e dos recrutadores. Essas pessoas agregam valor às empresas com todo seu conhecimento nas atividades desempenhadas e sua eterna busca por qualificação. Já aqueles que conseguiram desenvolver suas capacidades comportamentais são bem vistos pela forte habilidade de trabalhar em equipe, bom relacionamento, flexibilidade, equilíbrio emocional, boa gestão do tempo e outras qualidades profissionais impossíveis de medir por meio de currículos e formações. A visão para as soft skills chegou para mudar esse pensamento sistêmico e antigo do mercado de que o que vale é somente o que está no papel. Ponto positivo para aqueles que estão sempre dispostos a aprender, buscar soluções e colocar o cliente no centro da discussão, independentemente de técnica.

Esses dois tipos de habilidades podem e devem ser complementares. Pensando nas necessidades das empresas é importante ter, de um lado o como - que são as ferramentas - e de outro o propósito - que é o por que das coisas serem realizadas, e isso está totalmente associado a comportamentos. De uma maneira geral essas habilidades, técnicas e comportamentais, estão presentes em todo ser humano. A diferença é que em determinados momentos da nossa carreira damos mais ênfase para uma do que para a outra.

Não existe quem seja 50% soft e 50% hard, ou seja, ter as duas características na mesma proporção é praticamente impossível, então é preciso estar sempre de olho no que o mercado está exigindo impulsionado pelas mudanças. Mais importante do que equilibrar as habilidades é saber exatamente o que se está fazendo, porque está fazendo e como poderá ter melhor performance dentro de um mundo acelerado por transformações. Não programamos o equilíbrio entre habilidades, mas sim, a personalização do que é necessidade em cada ser humano.

Independentemente das suas competências, é preciso aceitar a premissa de que o digital veio para ficar. Logo, os profissionais precisam buscar atualização e desenvolvimento na área, pois ter essa mentalidade é fator essencial para se destacar. O grande segredo é manter a mente aberta ao aprendizado, ser proativo, ter autogestão e atitude. Tudo isso colabora para a formação de pessoas que solucionam problemas reais e isso acaba refletindo no mercado e na sociedade como um todo. Não há mais muito espaço para os que esperam por respostas. Hoje, o que as empresas buscam vai além de apenas ser um “bom profissional”, cumprir as tarefas do dia a dia ou exercer a função para qual foi contratado. O mercado quer mentes criativas, olhos atentos a tudo, pessoas com perspectiva e iniciativa. Procure aprimorar suas habilidades técnicas, mas lembre-se da importância das comportamentais, esse é o perfil que o mundo tech quer.

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