Meredith Whittaker, líder de protestos contra a Google, deixou a empresa

Por Rafael Arbulu | 16 de Julho de 2019 às 12h34
Tolga Akmen/AFP/Getty Images

Mais uma liderança do movimento #GoogleWalkout4Change deixou a empresa: Meredith Whittaker teve a sua saída confirmada por atuais funcionários da Google, que publicaram tuítes em solidariedade a agora ex-funcionária.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, que obteve confirmação da saída de Whittaker por meio de um porta-voz da Google, a empresa está sendo acusada por atuais e ex-empregados de retaliação. Chris Lu, um engenheiro de software na empresa, disse em publicação no Twitter que a antiga colega de trabalho é "uma vítima da retaliação" e que isso "não pode ser um sinal de como as insitituições de inteligência artificial vão reagir a críticas".

As acusações de retaliação não são novidade, mas adicionam peso a uma suposta má prática de gestão de uma das maiores empresas da atualidade. Em abril, Whittaker e Claire Stapleton, que ajudou a idealizar os protestos em novembro de 2018, disseram estar sofrendo ataques internos, acusando gestores da companhia de ignorá-las por completo, realizarem reuniões sem elas e, em alguns casos, mudá-las de departamento. Stapleton deixou a Google em junho deste ano, citando um “ambiente hostil”.

Dentro da Google, Meredith Whittaker atuou na área de pesquisas em inteligência artificial, tendo também cofundado um comitê ético de avaliação de companhias que têm produtos ou pesquisas dentro deste segmento, filiado à Universidade de Nova York. Por e-mail, em abril ela disse a funcionários da empresa que seu gerente direto lhe havia dito para “abandonar seu trabalho sobre ética em inteligência artificial”, além de bloquear uma tentativa dela de transferência. A Google, na ocasião, negou as informações.

No domingo, 14, Whittaker publicou em sua conta no Twitter uma crítica às empresas que faziam falsas ou exageradas afirmações de conquista na indústria da inteligência artificial, pedindo que trabalhadores do setor falassem sobre a realidade do campo:

"As pessoas no campo da IA que sabem sobre as limitações dessa tecnologia, e a fundação trêmula sobre a qual essas grandes afirmações de conquista estão empoleiradas, precisam falar, bem alto. As consequências para esse tipo de marketing mentiroso são mortais (ainda que lucrativas para alguns)”.

Whittaker não comentou publicamente a sua saída da Google.

Fonte: Bloomberg

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.