Investidores querem comitê de risco para lidar com efeitos danosos do Facebook

Por Redação | 10 de Janeiro de 2018 às 11h11
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Um grupo de investidores do Facebook quer mudar a forma como a companhia lida com seus efeitos danosos, que vão desde a manipulação de informação e a divulgação de fake news até o pornô de vingança e o vício em redes sociais. A ideia, liderada pela firma de investimentos Trillium Asset Management, foi submetida à diretoria em outubro do ano passado e deve ser votada ainda no primeiro semestre de 2018.

O objetivo, conforme explicaram fontes ligadas à questão, é que o Facebook crie um comitê de gestão de risco que inclua profissionais de diferentes áreas ligadas a tais efeitos negativos. Isso significa que a empresa passaria a contar com a assessoria de jornalistas, psicólogos, advogados, especialistas em ética e até membros de forças policiais como uma forma de trabalhar alguns de seus principais problemas, obtendo planos de ação mais adequados e aconselhamento.

Além disso, para os acionistas, a própria existência do grupo passaria à mídia e ao público uma mensagem clara de que o Facebook está preocupado com essas questões e que deseja encará-las de frente. Os investidores acreditam que a rede social lida tarde demais, ou não dá uma resposta adequada, com os problemas que aparecem de maneira cada vez mais frequente, já tendo ultrapassado a hora de mudar tudo isso.

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Na proposta apresentada, a Trillium critica as iniciativas tomadas pela rede social, como a contratação de consultores externos e a realização de encontros para discutir melhores práticas. Para a firma de investimentos, a busca por suporte fora dos muros da companhia não é a forma ideal de fazer isso, enquanto a única a ter real eficácia na solução dos problemas seria uma mudança de estrutura e, também, de perspectiva, admitindo seu papel não apenas de influência na sociedade, mas também de agente de mudanças.

O assunto, agora, precisa ser votado em reuniões da diretoria que devem acontecer até junho, entretanto há pouca possibilidade de que a medida entre em vigor. Notoriamente, o Facebook recusa sugestões desse tipo vindas de investidores, mesmo que eles tenham um tamanho considerável, como é o caso da Trillium, que tem, entre seus principais clientes e também em sua própria carteira, mais de US$ 13 milhões em ações da empresa.

Todavia, questões desse tipo precisam passar, impreterivelmente, pelo crivo de Mark Zuckerberg, que costuma ser avesso a esse tipo de atitude. O fundador do Facebook detém 53% das ações da empresa, o que dá a ele controle decisório completo sobre os rumos da companhia.

Mesmo assim, a Trillium estaria preparada para isso. Sabendo que a proposta provavelmente não vai seguir adiante, ela espera angariar de 15% a 20% dos votos disponíveis entre os acionistas, de forma a pressionar a empresa – e também a opinião pública, por meio de cobertura da imprensa – para que o Facebook não possa ignorar a questão e tenha que, no mínimo, se explicar publicamente sobre suas atitudes, o que deve gerar ainda mais pano para manga. Por enquanto, entretanto, a rede social não se pronunciou sobre o assunto.

Fonte: Quartz

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