Gamificação na gestão de TI em sete fases

Por Colaborador externo | 15.10.2015 às 13:45

Por Gustavo Santarém*

Gerenciar equipes e manter as pessoas engajadas nos objetivos e resultados do trabalho são desafios para todas as organizações. E em TI não é diferente. Muitas são as metodologias e processos tradicionais empregados pelo mercado: ITIL, Cobit, Ciclo PDCA, entre outros. Porém, devido à transformação no mundo dos negócios e no cotidiano – motivada pelas tecnologias de terceira plataforma (mídias sociais, mobilidade, cloud computing e big data) – métodos menos ortodoxos podem ser de grande ajuda. A gamificação é uma ótima maneira de tornar pessoas mais engajadas, produtivas e satisfeitas.

O Gartner define a gamificação como o uso das mecânicas e da experiência dos games para engajar e motivar digitalmente pessoas a alcançarem seus objetivos. O conceito é perfeito, ainda mais se tomarmos como base o quanto os jogos influenciam nosso dia a dia. Para se ter uma ideia, o mercado brasileiro de jogos online totalizou US$ 1,5 bilhão, em 2014, segundo a SuperData, empresa que faz análises de mercado de games.

Mas, não basta implantar jogos corporativos ou escolher uma ferramenta de gamificação para sua equipe e esperar pelo aumento de performance nos indicadores. Existem dois fatores primordiais que engajam em games: o poder e o reconhecimento – sendo o poder dividido em dois processos (querer e gostar). Para se sentir poderosa, a pessoa deve ter ambição para atingir determinado objetivo e receber feedback. Além disso, ela precisa gostar de um jogo. Mas, como poder sem reconhecimento não basta, é preciso constante avaliação e nos jogos as avaliações são feitas o tempo todo.

Eis um planejamento em sete fases para sua iniciativa de gamificação:

1ª fase: planejar barras de experiência que registram o progresso individual com uma mensuração de forma evolutiva, classificando de forma crescente em pequenos pedaços. As pessoas precisam tomar posse dos seus resultados.

2ª fase: apresentar múltiplos objetivos de curto e longo prazo. É preciso estabelecer diferentes tarefas de maneira paralela, equilibrada, com algumas mais fáceis e outras mais difíceis de serem cumpridas. Isso ajuda os “jogadores” a atingirem os objetivos.

3ª fase: recompensar o esforço de forma clara. Deve ter crédito ou ser pontuado, ao invés de penalizar pelo que não fez, motivá-la pela atividade realizada.

4ª fase: feedback rápido, frequente e claro. Nos jogos é preciso haver modelos para avaliar as pessoas e dar poder para que ela escolha como e onde quer ser avaliada. Com isso, o processo fica mais dinâmico e menos “doloroso”. As pessoas deixam de ter medo de uma avaliação de performance anual.

5ª fase: elemento da incerteza. O reforço do incerto instiga as pessoas a quererem mais, por isso, há tanta gente jogando na loteria. A partir do incerto a pessoa fica com dúvida: será que vou conseguir atingir aquele objetivo? Ou, será que se eu atingir determinado patamar eu não vou sair daquele lugar, ou posso regredir para um outro nível?

6ª fase: janela de maior atenção. Como há múltiplas tarefas é preciso ter uma atividade core. O jogo tem vários objetivos, mas há um principal, em que tem que ser dada maior ênfase. É preciso criar um método para que se execute essa atividade principal Exemplo: criar pontuação por dimensões e para a tarefa que requer mais ênfase, pode definir uma premiação de maior valor.

7ª fase: social. Por isso os jogos online estão tão em evidência, as pessoas querem mostrar seus “scores” e competir, avaliar-se em relação a outras pessoas e, muitas vezes, ajudar os outros. Esta é dinâmica que faz com que as pessoas se motivem, porque o tempo inteiro estão expostas. Esse é um dos motivos pelos quais o Facebook faz tanto sucesso.

*Gustavo Santarém é gerente de portfólio de TI na Algar Tech.