Conselho da Uber quer reduzir poder de ex-CEO da empresa

Por Redação | 02 de Outubro de 2017 às 11h33

Travis Kalanick, ex-CEO da Uber, anunciou na noite da última sexta-feira (29) dois novos diretores para o conselho da empresa, surpreendendo executivos da companhia, incluindo o atual CEO da empresa Dara Khosrowshahi. As indicações reavivaram o debate sobre o real papel do executivo na empresa e colocaram em pauta o assunto para a próxima reunião de conselho da Uber.

Nesta terça-feira (03), o conselho planeja realizar uma votação sobre reforços administrativos e financeiros da empresa, que deve incluir também, o aporte de US$ 10 bilhões da SoftBank. Basicamente, o conselho irá discutir sobre a criação de um poder de voto igual para os acionistas, a escalada da empresa rumo ao mercado de ações nos próximos dois anos e a limitação da influência que Kalanick possui dentro da empresa e diante do conselho.

Vale lembrar que Kalanick demitiu-se do cargo de CEO da Uber em junho deste ano depois de muitas críticas e problemas relacionados a assédio e conduta administrativa inapropriada. No entanto, ele ainda detém 3 dos 11 lugares do conselho da empresa. Como as outras duas cadeiras estavam vagas, Kalanick decidiu nomear dois novos conselheiros, sendo eles o ex-CEO da Merrill Lynch, John Thain; e a ex-CEO da Xerox, Ursula Burns.

Khosrowshahi, no entanto, não foi informado sobre a nomeação de Thain e Burns e afirmou, em e-mail a executivos da Uber, que a decisão de Kalanick foi "decepcionante". "Travis nomeou dois novos membros para o Conselho da Uber sem discutir comigo ou com o Conselho de Administração de forma mais ampla. Qualquer um poderia dizer-lhe que isso é muito incomum", escreveu o CEO. Thain e Burns, porém, devem ser bem-recebidos dentro do conselho da empresa e participar ativamente das próximas reuniões.

O conselho estuda diluir o poder de voto de Kalanick, já que a ideia é dar a todos os acionistas o mesmo poder de voto. Isso também influenciaria a Benchmark's, empresa de capital de risco que é acionista majoritária da Uber. Mesmo assim, a empresa é favorável à reforma, mas Kalanick não está de acordo com os novos termos. A mudança permitiria, ainda, que Khosrowshahi ocupasse três assentos no conselho caso ocorra desistência de algum dos membros atuais e que a SoftBank ganhasse um assento, que seria retirado de Kalanick. A nomeação do único assento restante de Kalanick precisaria ser aprovado por Khosrowshahi e, provavelmente, precisará ser preenchido por um membro da C-suite.

Não está claro se os executivos nomeados por Kalanick no final da última semana serão mantidos ou se a reunião desta terça-feira resolverá essa questão. Este é mais um problema entre os vários outros que a Uber vem enfrentando internamente. Um dos principais objetivos da nova gestão de Khosrowshahi é atenuar os problemas internos da empresa que têm atrapalhado seu desenvolvimento e seu crescimento.

Fonte: Bloomberg

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