Como o toque feminino pode transformar os resultados de seu negócio

Por Colaborador externo

Por Mônica Herrero*

A igualdade de gêneros é uma das bases para construir uma sociedade mais democrática e igualitária. Embora as estatísticas mostrem que as mulheres têm salários menores que dos homens, várias instituições públicas e privadas estão investindo em um debate mais consistente sobre a importância de garantir os mesmos direitos para eles e para elas. Na última década, algumas pesquisas indicaram que a igualdade de gênero poderia trazer impactos positivos na receita de uma empresa.

Um levantamento realizado pela McKinsey mostra que companhias com pelo menos uma mulher na primeira linha de comando (presidente ou vice-presidente) podem aumentar a margem de lucro em até 47% e gerar 44% a mais de riqueza para o acionista. Um dos principais motivos é o aumento da produtividade, na medida em que você mescla estilos diferentes e ideias complementares, que primam pela diversidade.

Outro estudo desenvolvido pelo instituto americano Peterson Institute, em parceria com a consultoria EY, antiga Ernest Young, sinaliza que a presença de mulheres na liderança de uma corporação pode melhorar o desempenho da empresa. Após pesquisar 21.980 empresas em 91 países, o instituto acredita que instituições com pelo menos 30% dos cargos de liderança ocupados por mulheres podem elevar o lucro em até 15%, quando comparadas com aquelas que não têm a presença feminina em posições-chave.

Todos esses dados reforçam a necessidade de investir em programas de liderança feminina e em comitês de igualdade de gênero, que discutam os desafios no mercado de trabalho para homens e mulheres. Dessa forma, é possível estimular o empoderamento feminino e a participação de mulheres em cargos ocupados majoritariamente por homens, como acontece, por exemplo, no segmento financeiro.

As diferenças entre homens e mulheres também são evidenciadas em várias outras posições profissionais, de acordo com os resultados apresentados pelo estudo “Alfabetismo no Mundo do Trabalho”, com base na metodologia Inaf, divulgado recentemente pelo Instituto Paulo Montenegro e ONG Ação Educativa, com apoio do IBOPE Inteligência. Apesar de apresentar maior grau de escolaridade, as mulheres enfrentam uma série de desigualdades de oportunidades no ambiente de trabalho.

Os dados confirmam a tendência observada nas edições anteriores do Inaf, que indicam um desempenho das mulheres em termos de alfabetismo ligeiramente superior ao dos homens. Com efeito, 30% dos homens brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais enquanto entre as mulheres esta proporção é de 25%. No extremo superior da escala, a situação se inverte: 9% dos homens e 7% das mulheres alcançam o nível Proficiente, que é o mais alto da escala.

É de extrema importância compreender as barreiras que impedem o desenvolvimento profissional de uma mulher, o porquê de atingirem um grau maior de escolaridade, num determinado momento, e depois não chegarem a cargos de liderança. Ou quando alcançam o topo, o salário chega a ser 70% do que recebe um homem.

Só assim poderemos enfrentar com maior transparência e seriedade essa questão, buscando o equilíbrio entre gêneros, que certamente será uma conquista para toda a sociedade. Em um ambiente mais inclusivo, ganham as mulheres, os homens e as empresas, que podem ter margens de lucros maiores ao valorizar a diversidade em todas as suas posições.

*Mônica Herrero é CEO da Stefanini Brasil.

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