Como o Power Point está matando a educação corporativa

Por Colaborador externo | 07 de Abril de 2016 às 19h00

por Kevin Hanegan*

Algumas pessoas têm me perguntado como eu vim parar no ramo de Educação. Como uma pessoa técnica, eu fui a muitos treinamentos e sempre ficava frustrado com a abordagem desses cursos, com inúmeros slides de Power Point cheios de textos e imagens. Há sempre um script que ensina o “caminho feliz”, mostrando como seguir passos em vez de verdadeiramente internalizar conceitos. Então eu cheguei à conclusão de que deveria haver um jeito melhor de ministrar esses treinamentos.

Depois de estudar diversos conceitos, como a Teoria da Aprendizagem Adulta, a Teoria da Carga Cognitiva e até um pouco de psicologia, eu entendi quais eram os problemas. Nós confiamos demais no Power Point na hora de contar toda a história, em vez de permitir que o professor fale, e mais importante, ajude os estudantes a entender e visualizar a história. Mais ainda – os melhores professores dão um jeito de inserir os alunos dentro da história. Muitas vezes, os instrutores nos mandam apenas “seguir o script”, mas um bom professor consegue ultrapassar essa barreira e faz com que a história ganhe vida. Eles desenvolvem habilidades para deixar o Power Point de lado e conseguem falar com a audiência, não para ela.

O Power Point deve ser usado para complementar o aprendizado com os principais tópicos e itens que são difíceis de serem apresentados de outras formas. Uma boa apresentação é um manual para o professor, que o ajuda a gerenciar a classe e contar a história de forma interativa. O ideal é manter tudo bem estruturado, mas não de modo a transformar o curso apenas em um script a ser seguido.

Abaixo estão minhas seis dicas do que não fazer ao usar o Power Point na educação corporativa:

  1. Não use o Power Point para mostrar imagens de telas de produtos, abra uma demonstração real e ao vivo da solução;
  2. Não use o Power Point simplesmente para montar um script que será lido para os alunos. Fazer isso é como entregar a eles um livro em áudio, mas sem as opções de parar e voltar. Permita que o instrutor conte a história;
  3. Uma apresentação lotada de conteúdo causa não só um problema de design gráfico, mas também leva complexidade demais à essência de contar uma história. Mantenha tudo mais simples e deixe que o instrutor apresente os detalhes;
  4. Não sufoque as interações. Se usar slides, faça com moderação e não leia a apresentação. Faça perguntas e permita que a classe interaja com você e com o software;
  5. Não ensine o “caminho feliz” – seus alunos vão aprender a seguir 57 passos para fazer algo acontecer, mas não estarão preparados para questões que fujam do padrão (e a vida nunca se mantém apenas no “caminho feliz”);
  6. Use uma lousa para destacar conceitos ou diagramas em vez de criar uma animação no Power Point. Se um estudante faz uma pergunta, é mais fácil explicar com um desenho na lousa do que apontar para uma imagem fixa no Power Point.

*Kevin Hanegan é VP de Conhecimento e Aprendizagem da Qlik.

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