Apple e outras empresas se unem em movimento por igualdade salarial de gêneros

Por Rafael Arbulu | 11 de Abril de 2019 às 14h09

A Apple e outras 12 empresas tornaram-se as signatárias inaugurais do movimento Equal Pay Pledge (algo como “Juramento por Pagamentos Igualitários”, na tradução livre), um movimento organizado por Jennifer Siebel Nielson, esposa do governador da Califórnia. A cineasta já foi objeto das manchetes políticas ao recusar-se ao termo “primeira-dama”, adotando o mais moderno “primeira-parceira”, a fim de ressaltar a modernização de certos rótulos políticos (mais sobre isso ao longo do texto).

A iniciativa conta com a participação não apenas da empresa de Cupertino, mas também com outros grandes nomes, como At&T e Airbnb. De acordo com a primeira-parceira, as empresas concordaram em revisar e atualizar práticas de pagamento e de recrutamento, “a fim de reduzir tendências subconscientes e barreiras estruturais para promover melhores práticas que vão fechar o vão de remuneração e assegurar igualdade fundamental para todos os trabalhadores”.

“[O estado da] Califórnia tem as mais firmes leis de igualdade salarial do país — mas ainda temos muito mais a fazer”, disse a cineasta premiada.

De acordo com Ariela Gross, professora de Direito e História na Universidade do Sul da Califórnia, “qualquer fato que traga à atenção que isso [desigualdade de pagamentos por gênero] ainda existe, especialmente coisas que mostrem um esforço de alto padrão para fazer as empresas exibirem seus compromissos com isso, é encorajador”.

A primeira-parceira do Governo da Califórnia, Jennifer Siebel Newsom, que encabeça iniciativa de igualdade salarial entre homens e mulheres no Estado (Foto: Agência Associated Press)

As mulheres caifornianas correspondem a aproximadamente 41% da força de trabalho do estado. Para cada dólar produzido pelo público masculino, o setor feminino ganha cerca de US$ 0,89, pouco mais do que a média de todo o país, segundo a National Partnership for Women & Families, um grupo de advocacia baseado em Washington, D.C., o que configura em uma diferença de mais de US$ 10,1 mil por ano entre homens e mulheres no estado. “A diferença salarial por todo o país vem sendo muito persistente ao longo dos anos”, diz o grupo.

Segundo a entidade, a Califórnia é um dos estados que mais contribuíram para a redução dessa diferença, mas ainda tem um enorme peso no orçamento das mulheres devido ao caríssimo custo de vida em grandes cidades que o compõem, como Los Angeles. “Estamos falando de um vazio salarial que ainda custa às mulheres milhares de dólares por ano, que poderiam ser gastos com comida, pagamentos de moradia e outras necessidades básicas”.

A Airbnb emitiu comunicado relacionados às sua participação no movimento: “O pagamento igualitário não só sobre o tratamento justo a mulheres ou o tratamento individual de uma empresa às mulheres — é uma questão de pertencimento humano”, disse Beth Axelrod, vice-presidente global de experiência do funcionário na Airbnb. “Para a nossa empresa, cuja missão é o pertencimento, o pagamento igualitário é fundamental quando o assunto é avançar esse pertencimento — e isso significa salários iguais e trabalhos iguais para todos”.

Já a Salesforce, outra signatária, disse: “Quatro anos atrás, a Salesforce se comprometeu a equalizar o pagamento e o trabalho e essa prática tornou-se parte do nosso DNA. Mas isso não é algo do qual queremos ser ‘donos’ por conta própria — a tomada de ação por toda a indústria é crucial”, disse uma porta-voz.

A operadora AT&T disse que “a empresa tem o compromisso com igualdade de remuneração — independente do gênero ou grupo étnico — para pessoas que realizam funções iguais, tragam a mesma experiência profissional e trabalhem na mesma localidade. O pagamento igualitário para funções iguais é parte do nosso forte compromisso com uma força de trabalho inclusive e diversificada, e nós apreciamos a oportunidade de nos juntarmos à primeira-parceira Jennifer Siebel Newsom nessa iniciativa inovadora”.

A Apple, porém, manteve-se fiel à sua política corporativa e evitou tecer comentários públicos, ainda que seja uma das primeiras signatárias do movimento.

Fonte: CNBC

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