Planejamento avançado: a matemática da simplicidade

Por Denis Del Bianco

O maior evento esportivo de 2014 no Brasil se aproxima: a Copa do Mundo. Para facilitar a movimentação dos visitantes pelo país, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) liberou 1.973 voos extras durante o período. As novas rotas vão funcionar de 11 de junho a 14 de julho. Isso significa um acréscimo de 64% no volume de pousos e decolagens só no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. A cidade terá o maior aumento proporcional de movimentação aeroportuária segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), seguida de Fortaleza (60%), Rio de Janeiro (43%) e São Paulo (31,6%).

O aumento expressivo no número de passageiros exige investimento em infraestrutura e intensifica uma preocupação já existente no setor: a capacidade de atendimento aos passageiros. Um modelo matemático robusto pode ser a solução para vencer o gargalo de atendimento das companhias nos aeroportos.

Sistemas de Planejamento Avançado permitem coletar e analisar informações para prever a formação de filas associadas aos destinos e aos horários dos voos. A correlação desse imenso volume de dados com a alocação de voos e funcionários aos balcões de check-in de maneira otimizada, reduz as filas – sem despender mais funcionários e balcões de atendimento das companhias. A otimização do espaço e da mão de obra impacta diretamente na qualidade do atendimento ao cliente. No Brasil, empresas aéreas já lançam mão deste tipo de sistema para otimizar o uso de seus recursos.

O Planejamento Avançado usa dados históricos presentes nos sistemas da companhia para calibrar modelos matemáticos para projetar a demanda considerando, por exemplo, a sazonalidade do negócio. As aplicações possíveis são inúmeras. Redução do estoque, aumento das vendas, maximização do retorno sobre ativos e melhoria do atendimento estão entre os principais benefícios. Modelos de planejamento avançado permitem fazer projeções para curto ou longo prazo. Quanto mais frequente o ciclo de planejamento, maior a precisão das projeções.

O Planejamento Avançado é utilizado há anos no segmento de manufatura onde nasceram plugados aos sistemas de Material Requirement Planning (MRPs), que evoluíram para se tornar o que hoje conhecemos como ERP. Com essa maturidade, hoje, alguns softwares de gestão já dispõem de módulos de Planejamento Avançado, que podem ser utilizados por manufatureiras de diversos portes para otimizar os estoques, a produção e prever a demanda.

No entanto, companhias de outros segmentos, como finanças, varejo, serviços, saúde e educação podem fazer uso do Planejamento Avançado para resolver grandes problemas de otimização do uso de seus recursos. Universidades e escolas, por exemplo, conseguem otimizar sua grade curricular ao alocar, da melhor maneira possível, salas de aula e professores. Hospitais podem programar melhor a escala de trabalho de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem de acordo com a demanda prevista. Empresas de construção civil podem otimizar a disponibilidade e a utilização de equipamentos caros que não devem ficar parados. Varejistas podem otimizar o uso de recursos ao alocar funcionários nos caixas conforme a previsão de demanda, evitando filas, bem como, ociosidade.

Os sistemas de Planejamento Avançado conferem inteligência e precisão à alocação de recursos da empresa, em especial em organizações com realidades operacionais complexas, em que há gargalos e grande variabilidade da demanda.

Ao maximizar o uso de seus recursos, as organizações aumentam produtividade e lucratividade. A experiência das empresas que optaram pelo planejamento avançado surpreende. A redução do custo de algumas operações chega a 35%. Utilizar modelos matemáticos pode soar como algo complexo e a sua implantação deve contar com profunda dedicação, mas para as companhias, o ganho de simplicidade e eficiência na operação se traduz em grande retorno sobre o investimento.