Gestão de Projetos x Gestão de Pessoas

Por Colaborador externo | 19 de Setembro de 2014 às 10h45

Por Renato Lopes*

Todo Gestor, seja ele de TI ou não, deveria fazer como segunda faculdade o curso de psicologia. Ou pelo menos fazer um ano de terapia antes de assumir essa função. Afinal, para entender o próximo é preciso entender a si mesmo. O resultado disso são ações muito mais estratégicas e com resultados surpreendentes. Explico.

Imagine um Gestor de TI com um projeto em mãos, data limite para entrega e com uma mensagem subliminar enfatizando a importância do cumprimento dessa data e sem a mínima hipótese de adiamento. Projeto em mãos é hora de delegar as tarefas. E é nesse ponto que se pode definir o sucesso ou o fracasso de sua execução.

Passar a tarefa certa para a pessoa certa é mais que um feeling, é um conhecimento amplo da equipe e específico de cada membro dela. O gestor, além das tarefas, deve prestar atenção na ação de cada colaborador no seu dia a dia, desde o modo de dar bom dia, ao comentário do corredor ou do cafezinho. São os pequenos detalhes que fazem com que o Gestor tenha conhecimento de cada um.

Observe que, ao saudar sua equipe, há uma forma peculiar em todos eles: um olho no olho, uma batida de mão, uns tapinhas nas costas… Marque sua equipe por detalhes bons ou ruins: o mais comunicativo, o mais concentrado, o desligado, o hands on, o pesquisador ou qualquer outro detalhe.

Feita essa observação, assimile todas elas e cruze com as tarefas que tem a desenvolver no seu projeto. Você verá que há uma grande probabilidade da tarefa ser bem sucedida e de forma mais prazerosa sendo passada a quem tem melhor habilidade para esta execução. Este cruzamento de informações servirá também para escolher o líder do projeto. Líder, esse, que deve variar a cada projeto (salvo se a equipe não tiver essa opção), pois a rotatividade e o ato de arriscar, de forma calculada, são válidos como experiência de resultados e motivação para a equipe.

Antes de apresentar as tarefas e o líder, fale sobre o projeto de forma macro, o que e a quem vai beneficiar, quais departamentos o projeto apoiará, como é o cenário atual e como ficará. Apresente também a data de entrega desse projeto. Nessa hora, fique atento às reações diversas, tanto físicas quanto comentários. Preste atenção na reação de cada um da equipe. Pode ser que aquele que você escolheu como líder seja o primeiro a franzir a sobrancelha, cruzar os braços ou cochichar algo com o companheiro ao lado. E cabe a você correr o risco de mantê-lo na função ou utilizar uma segunda opção.

Se possível, busque uma pessoa de outro departamento que irá ser beneficiário direto para participar do projeto. O “pensar fora da caixa” muitas vezes auxilia quem está envolvido a “bits e bytes”.

Divididas as tarefas em grupos de ações, defina as datas e peça um status semanal ao líder sobre o andamento das equipes. Em momentos distintos, converse informalmente com os outros participantes para cruzar informações e auxiliar subliminarmente. Acompanhe esporadicamente as reuniões como ouvinte para sentir a participação de todos e como o líder se comporta como mediador nas tarefas e discussões. Repare onde sentam os participantes e perceba que os aliados (ou os que estarão mais entrosados) sentarão lado a lado e geralmente o mediador senta na ponta. A ideia é que sua presença não iniba os participantes e que você possa colher o máximo de informação do projeto, bem como de todos os envolvidos.

Ao falar sobre a apresentação do projeto, informe com antecedência o que deverá ser feito, incluindo como foi o processo e como ficou o produto final. A ideia da apresentação é tomar nota do envolvimento de cada um na execução, bem como o conhecimento do que foi desenvolvido.

Após as apresentações, parabenize a todos e divulgue o resultado final. Não se esqueça de que o reconhecimento faz parte da melhora do ambiente de trabalho e propicia a sensação de dever cumprido!

Enfim, quando o Gestor está apto a fazer determinadas análises sobre o grupo, o resultado de suas escolhas e feedbacks são muito mais enriquecedores e auxiliam na melhoria dos pontos fracos do colaborador. E essa escolha acertada vai ficando mais eficiente e fácil a cada projeto executado.

*Renato Lopes é Gestor da área de TI e acredita que a humanização dessa área é a chave para conquistar equipes de alta performance e auto gerenciáveis. Palestrante e Professor Universitário, Renato busca compartilhar técnicas e soluções para formar times vencedores e entusiastas, buscando a qualidade de vida junto à satisfação do trabalho.

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