4 dicas para montar uma política de home office

Por Colaborador externo | 20.07.2015 às 09:47

Por Eduardo Carvalho*

Não é de hoje que ouvimos falar (e muito) sobre os benefícios do home office. O conceito já existe há algum tempo, mas poucas empresas o colocam em prática. É raro encontrar uma companhia no Brasil que, de fato, levante esta bandeira. Para ter uma ideia, o instituto Top Employers indicou que 15% das brasileiras adotavam alguma prática de home office em 2014. É um índice baixo se comparado com outros países como Reino Unido e Holanda – 65% e 60%, respectivamente. É certo que já tivemos um crescimento expressivo já que, em 2013, apenas 6% das companhias no país seguiam, de alguma forma, este modelo. Mas ainda temos um longo caminho de amadurecimento.

Institucionalizar o home office não é tarefa fácil. Diferentes e diversas questões devem ser levadas em consideração, principalmente porque nem toda organização tem o perfil adequado para este modelo. Companhias de service desk, por exemplo, precisam de profissionais in loco o tempo todo, seja para resolver questões pontuais de suporte como para ter à disposição todos os recursos necessários para realizar um bom atendimento ao usuário final. O primeiro passo é definir qual o estilo da sua empresa.

Se descobrir que sua organização se enquadra nos moldes do home office, não espere para testar esse benefício, os resultados podem aparecer mais rápido do que você imagina. O ganho de qualidade de vida para seus colaboradores é, talvez, o ponto mais evidente, principalmente com relação ao tempo. Nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, as pessoas levam, em média, 43 minutos para chegar até o trabalho. Isso sem contar o tempo da volta. O número, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostra que gastamos 31% a mais do que em outras metrópoles brasileiras. Imagine, agora, como seria dedicar este tempo para umas horas a mais de sono, para resolver pendências particulares ou passar mais tempo com a família? Você não ficaria feliz? Pois bem, seus funcionários também. E, sabemos, pessoas felizes produzem mais.

Mas, nem tudo é tão simples quanto parece, é preciso, antes de mais nada, verificar alguns pontos básicos para começar com este regime de trabalho:

1. Tecnologia adequada – O colaborador deve ter a sua disposição todos os recursos necessários para trabalhar em outro ambiente que não seja o seu escritório. Antes de anunciar a nova medida, verifique com seu time de TI se isto é possível. Todos os seus softwares desempenham na nuvem? Funcionam remotamente? É preciso garantir que o profissional terá todas as ferramentas do dia a dia também em sua casa.

2. Suporte ágil – Esta é uma área fundamental para toda companhia, mas, para aquelas que praticam o home office, ela é ainda mais importante. O profissional deve contar com respaldo direto, rápido e eficiente. Qualquer problema deve ser resolvido facilmente por telefone ou através de outro meio digital (e-mail ou rede privada da empresa, por exemplo). Deve-se ter em mente que, diferente de um escritório, o colaborador não terá acesso presencial ao time de suporte e dependerá somente destes meios. Não ter agilidade para atendê-lo é sinônimo de tempo ocioso.

3. Softwares adequados de segurança – Lembre-se: Seu colaborador não trabalha, na maioria das vezes, sozinho. Em algum momento ele precisará compartilhar algum arquivo ou trocar documentos. Os dados podem ser sigilosos e você não pode correr o risco de expô-los. Se sua empresa não possui altos níveis de segurança, permitir que seu profissional opere de casa pode colocar em risco informações críticas. Então, implante um software de compartilhamento seguro de arquivos para viabilizar a troca de informações.

4. Perfil dos colaboradores – Não são todos os colaboradores que podem fazer home office. Aqui a premissa de “é para um, é para todos” não encaixa. Isso deve ficar muito claro para toda empresa. Então, antes de anunciar o modelo, avalie as funções de todas as áreas e profissionais. Determine quais funções terão este benefício e estruture argumentos (plausíveis) para justificar a não implementação em outros times. Tudo deve ser muito transparente e alinhado aos objetivos de negócios e funções de cada setor.

*Eduardo Carvalho é presidente da Equinix no Brasil.