Geek City | Helps quer conectar pessoas para acabar com as “farmacinhas”

Por Felipe Demartini | 06 de Setembro de 2019 às 12h13

A receita médica é clara: tomar determinado remédio de 12 em 12 horas ao longo de 15 dias, mas o medicamento só é vendido em caixas de 40 unidades. Todo mundo já passou por isso, armazenando as 10 restantes no fundo do armário, onde permanecem lá até ultrapassarem o prazo de validade, tendo de ser jogadas fora, normalmente, de maneira inadequada e diretamente no lixo comum.

Acabar com as “farmacinhas” e o descarte inadequado de medicamentos é a proposta do Helps, plataforma que estava sendo demonstrada na área de startups do Geek City, evento de cultura pop e tecnologia que aconteceu no último fim de semana em Curitiba (PR). O lançamento do app está marcado para as próximas semanas, mas o sistema já funciona na forma de solução web.

Nele, os usuários podem registrar medicamentos e quantidades no sistema a partir de códigos de barra, bem como um perfil com nome e telefone. A partir dessas informações, além da localização dos usuários, o Helps permite a busca por remédios disponíveis nas proximidades, enquanto os usuários podem compartilhar seus excedentes em grupos privados ou de maneira pública.

“A ideia é conectar as pessoas e ajudar quem precisa, acabando com o desperdício de medicamentos”, explica David Cheriegate Filho, CEO da Helps. Para garantir isso, a equipe da startup trabalhou em uma solução simples, que utiliza o WhatsApp para comunicação direta entre os usuários. O objetivo é trabalhar com uma plataforma popular e comum a eles, com o Helps agindo apenas como uma ponte entre os interessados.

A solução já está em funcionamento, ainda que em estágio Beta, e permite a busca e o registro de remédios. Também é possível criar grupos para compartilhamento privado de medicamentos entre familiares ou colegas de trabalho, por exemplo. “Também pretendemos criar canais específicos baseados em certas doenças ou necessidades especiais, de forma a facilitar o contato entre os usuários”, revela o executivo.

Conscientização e segurança

Interface do Helps permite o registro de medicamentos, o compartilhamento com amigos e a busca por remédios disponíveis nas proximidades (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Produtos de tarja preta ou que não estejam liberados no Brasil, por exemplo, não podem ser registrados no Helps. “Estamos trabalhando em uma iniciativa de receita digital, como as de farmácias online, para que os usuários possam ter acesso a medicamentos controlados apenas com autorização”, explica Cheriegate. Essa, aponta ele, é uma função que faz parte do roadmap da empresa e deve chegar no futuro.

O aplicativo também conta com um sistema de denúncias. Cheriegate compara a utilização do Helps com a de aplicativos de transporte, com a solução servindo apenas para fazer a conexão entre os usuários, sem intermediar as relações entre eles. “Como toda plataforma, sempre existe o risco de mau uso, por isso contamos com os usuários para o registro de problemas para que possamos tomar atitudes”, complementa.

A venda de remédios por consumidores finais, por exemplo, é ilegal no Brasil, e, da mesma forma, a legislação impede a manipulação de medicamentos fora de unidades autorizadas para isso. Em casos desse tipo, os perfis dos infratores serão banidos da plataforma; para isso, o CEO ressalta a importância das denúncias.

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Da mesma forma, o Helps conta com a atenção dos usuários quanto à automedicação, principalmente no caso de alergias ou indisposições. E é aí que entra mais uma etapa do roadmap da startup, que também pretende agir no compartilhamento de informações sobre saúde. “Já temos um blog com informações e parcerias com serviços de informação para promover conteúdos relacionados à interpretação de bula, armazenamento correto de remédios e os perigos do uso não supervisionado”, conta Cheriegate.

“Muita gente pensa que as datas de validade não são reais e que medicamentos não vencem”, continua. Entre as informações a serem publicadas, por exemplo, estão explicações sobre como, após o vencimento, medicamentos passam a perder suas propriedades e deixam de ser plenamente eficazes, além de representarem riscos à saúde.

Para o futuro, a startup pensa que o Helps pode funcionar simplesmente como um sistema de gerenciamento para as farmácias caseiras, mesmo que os usuários não desejem compartilhar os medicamentos. Aqui entram ideias de recursos como notificações sobre a aproximação de datas de vencimento ou a integração com redes de farmácias locais, para exibição de lugares que podem realizar o descarte correto dos remédios.

“Às vezes, as pessoas moram em uma mesma casa e não sabem os remédios que possuem, gerando gastos desnecessários”, complementa Cheriegate, indicando, também, o uso do Helps como um sistema de compartilhamento familiar. Todo mundo sabe que as contas na farmácia podem ser altas e, principalmente para a população mais pobre, o Helps pode acabar sendo uma alternativa interessante para reduzir essas despesas e promover a saúde.

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