Warner pagou PewDiePie e outros youtubers para falarem bem de seus jogos

Por Redação | 12 de Julho de 2016 às 10h32
photo_camera Divulgação

Depois dos escândalos nos e-sports envolvendo youtubers e um esquema de apostas, outro caso envolvendo celebridades da internet vem à tona e complica um dos nomes mais conhecidos da categoria: PewDiePie. Após quase dois anos de investigações, a Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos concluiu que a Warner Bros realmente pagou para que alguns canais no YouTube fizessem críticas positivas do jogo Terra-média: Sombras de Mordor em seus canais.

Entre os envolvidos em receber o dinheiro estava Felix Kjellberg, conhecido na internet como PewDiePie, dono do maior canal do YouTube com mais de 46,2 milhões de assinantes. De acordo com a FTC, youtubers como Kjellberg receberam entre dezenas e centenas de milhares de dólares para promover o game, sem criticá-lo em qualquer aspecto. E o problema não foi na realização desse contrato, mas no fato de que esses vídeos não deixavam claro que se tratava de uma opinião comprada e de um material publieditorial, levando o consumidor ao erro de acreditar que aquela era realmente a opinião do youtuber.

De acordo com a comissão, os contratos feitos pela Warner exigiam a divulgação dos termos, mas de maneira pouco clara. Tanto que, no caso do próprio PieDiePie, a informação de que aquele vídeo tinha sido patrocinado aparecia somente após o botão de “Mostrar Mais” do YouTube. Em outros casos, os youtubers apenas informavam que a Warner havia enviado o jogo. Em ambos os casos, a FTC considerou os “avisos” insuficientes e declarou a empresa como culpada no caso, já que o compartilhamento via Facebook e Twitter nunca exibe esse texto adicional.

Felix Kjellberg (PewDiePie)

PewDiePie foi um dos youtubers que foi pago pela Warner para elogiar o jogo sem revelar isso aos seus seguidores, aponta a FTC

De acordo com a comissão, os consumidores têm o direito de saber se a pessoa que está fazendo a resenha de um conteúdo está dizendo a sua própria opinião ou se ela está atrelada a alguma relação financeira. Como aponta a diretora da Agência de Proteção ao Consumidor da FTC, Jessica Rich, empresas como a Warner precisam ser honestas e diretas com seus consumidores em suas campanhas online. Porém, ela não precisará pagar nenhuma multa ou coisa do tipo. A empresa receberá somente uma advertência por parte do órgão e, caso seja identificada uma nova ocorrência do tipo, irá responder civilmente pelo caso.

Já em relação aos youtubers, ainda que não enfrentem nenhum tipo de sanção por parte da FTC, o dano acaba sendo muito mais de credibilidade do que legal. Ao expor o caso, a comissão de comércio revelou que muitos canais, incluindo alguns realmente gigantescos, estão abertos a produzir conteúdo publieditorial e vendê-lo como se fosse algo autêntico. É a velha questão da opinião comprada que tanta gente gosta de apontar quando não concorda com uma crítica de jogo ou filme. A diferença é que, neste caso, a acusação foi comprovada pelas autoridades.

Via: Eurogamer, MCV UK, Ars Technica

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