Análise: game Hots é bom, mas ainda não é a evolução épica que SCII merece

Por Felipe Santana Felix

A primeira atualização de Starcraft II é o segundo capitulo dos três esperados para o game. Com atualizações de interface, implementação de funcionalidades, novas unidades e um modo campanha dedicado à rainha das lâminas, Heart of the Swarm dá um novo gás ao melhor RTS do mercado e, com isso, muitos jogadores já acomodados vão sentar com seu caderninho e estudar novas táticas de guerra.

Tudo pela experiência

Hearth of the Swarm traz uma nova interface e, principalmente, novos serviços. Agora, logo na tela inicial é possível entrar nos modos mais frequentados do game. Acabou aquela coisa de funil de navegação! O menu de Hots joga na cara as principais opções de jogo e isso facilita muito a navegação direta. A economia de clicks por acesso é quase uma benção.

As demais implementações tomam como base a relação entre jogadores, o famoso social. Com foco em gerar mais coletividade em um jogo individual, a Blizzard implementou sistemas de grupos e clãs, que podem funcionar de forma similar, porém têm objetivos finais bem diferentes. Enquanto um tem foco no aproveitamento dos contatos para ingresso nos cenários mais competitivos, o sistema de grupo objetiva apenas participar de grupos de amigos que podem jogar ou não casualmente. O que difere uma função da outra é, tecnicamente, o interesse dos jogadores.

Outra função muito esperada era o replay de partidas, e a função veio com algumas possibilidades interessantes para todos os tipos de players.

É possível assistir a seus games com outros jogadores e isso é algo muito bom, principalmente para os que estão começando a jogar. A partir do momento que seus amigos podem verificar suas escolhas e linha de evolução, é possível dialogar sobre melhores opções de build e estratégias. Starcraft II é um jogo individual, mas a evolução não é conquistada através da troca de informação coletiva.

O sistema de replay também possibilita interações com jogos para verificar como determinada build poderia influenciar em um momento específico do game. O recurso é interessante, mas talvez seja utilizado apenas por jogadores mais hardcore que, por conhecerem muito do game, têm a capacidade de se auto avaliar muito bem.

Novos recrutas

Com o objetivo de renovar o jogo e dar aos players novas escolhas estratégicas, as três raças receberam unidades que melhoram alguns aspectos já existentes e outras que abrem novas possibilidades.

O que mais chama atenção são as unidades que fortalecem características já marcantes das raças. Nos Zergs, os hóspedes do enxame prometem acentuar a característica de grandes números populacionais da raça, fornecendo opções para defesa, controle de mapa e manutenção da pressão ofensiva. Em contrapartida, a Víbora fornece opções estratégicas para combates de grande escala, devido a suas habilidades de domínio de campo.

Já os Protoss tiveram como principal implementação o Oráculo. A unidade é crucial na estratégia de dano econômico no inicio do jogo. Ela voa e possui alto dano em trabalhadores. Mesmo sendo frágil, ela pode impactar em grandes estragos econômicos ao adversário caso ele esteja despreparado para esse tipo de ataque.

Nos terranos, as unidades novas vieram para implementar o poder de fogo dessa que já era a raça mais equilibrada do game. A mina viúva e o morcego infernal são unidades de combate que podem mostrar seu valor em conjunto com outras já existentes, portanto a utilização destas unidades depende muito do exército adversário.

No geral, as alterações farão muita diferença para estratégias Zerg e Protoss. Jogadores que utilizam estas raças e até mesmo seus adversários deverão observar todas as novas unidades com cuidado e entender a gama de possibilidades que Heart of The Swarm abre.

Com essas implementações, a Blizzard supriu necessidades estratégicas de todas as raças e agora os jogadores poderão ter respostas para todo tipo de build. Claro que em determinados momentos algumas raças continuam sendo mais fortes que outras devido a características gerais, mas em Heart of the Swarm é possível sentir que para toda ação existe uma reação.

No coração do enxame

Uma das coisas mais legais em Starcraft II é o modo campanha. Em Wings of Liberty a história tinha foco em Jim, um revolucionário em busca de justiça e de seu amor platônico Kerrigan. A primeira aventura era focada no exército terrano com algumas missões envolvendo a raça Protoss e grande parte das missões possuíam apenas dinâmicas de RTS. Em Hots o modo campanha tem como foco Kerrigan e coloca a raça Zerg no centro da ação. Muitas das dinâmicas vistas no primeiro modo campanha foram alteradas e adequadas às características da ex-rainha das lâminas que está presente físicamente em quase todas as aventuras, podendo ser utilizada como um Campeão. Com habilidades que podem fazer grande diferença em confrontos, controlar a personagem é como jogar uma mistura de RTS e Moba.

A variedade de missões torna a adequação estratégica uma necessidade obrigatória e isto é uma das coisas mais importantes em um RTS com uma história para contar.

Pena que depois da metade da aventura a coisa comece a descambar para um filme do Zé do Caixão e tudo fica meio estranho, bizarro e aquela sensação de confronto espacial começa a se transformar em uma disputa de seres estranhos, super poderosos e geneticamente estranhos.

Até mesmo o sistema de evolução de unidades chega a passar do nonsense e algumas evoluções são meio estranhas, não fazendo muito sentido se relacionadas à unidade original.

Mesmo tendo um desenrolar esquisito, as campanhas de Hots chegam a ser mais interessantes que as de Wings of Liberty. Aqueles que acompanham a personagem principal não chegam a ter nem um por cento do carisma dos tripulantes da Hyperion, mas são peças cruciais no desenvolvimento e entendimento do que são os Zergs e da existência da rainha das lâminas.

Entrando no ninho

A experiência continua a mesma de Wings of Liberty e por mais que alguns reclamem, este é um gênero difícil de ser alterado. Existem muitas variáveis de balanceamento e implementar inúmeros elementos poderia desequilibrar o balanço entre as três raças. Porém, é certo que esta ainda não é a tão sonhada atualização que os jogadores mais fanáticos esperam, afinal o espaço é muito grande para ter apenas três raças e alguns planetas.

De qualquer forma, as atualizações efetuadas pela Blizzard vão conseguir manter o game em sua posição de liderança no gênero de RTS para computadores. Até mesmo a física de batalha foi melhorada e com isso o game consegue ter um pouco mais de vida gráfica até o próximo lançamento que provavelmente deve ser mais contundente que Heart of the Swarm.

Para os que jogam Wings of Liberty, a compra de Heart of the Swarm é com certeza indispensável para acompanhar a continuação da história galáctica, agora com ares de cinema trash, e continuar jogando o game com todas as atualizações de unidades e funcionalidades realizadas pela Blizzard.

Para os novos jogadores os recursos de replay e dados estatísticos podem ajudar a entender a dinâmica do jogo que a princípio é um dos games mais complexos do mercado. Os recursos de replay e integrações sociais em visualizações de partidas podem auxiliar jogadores mais experientes a orientar os mais novos e facilitar o ingresso de pessoas novas na comunidade.

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