Após 10 meses, Tencent volta a lançar games na China

Por Felipe Demartini | 08 de Fevereiro de 2019 às 10h58

O fim do banimento de novos lançamentos de games na China significou, também, o retorno da Tencent à sua terra natal. Nesta semana, a empresa, uma das maiores do mundo no segmento, teve dois títulos aprovados para lançamento no país, encerrando um hiato de quase um ano que vinha preocupando investidores que, mais do que nunca, queriam nadar de braçada em um dos mercados de jogos mais competitivos e lucrativos do mundo.

Os títulos aprovados são Wood Joints e Folding Fan, games educacionais que falam sobre a cultura e o artesanato da China. É um claro caso em que a empresa está “molhando os pés” para sentir a água antes de partir para games maiores e, potencialmente, mais controversos na visão do governo. É o caso, por exemplo, dos sucessos avassaladores Fortnite e PlayerUnknown’s Battlegrounds, cujos direitos mobile pertencem à Tencent e, apesar de serem distribuídos por ela em outros territórios, ainda não são permitidos no país.

A abertura representa que, além destes, outros títulos primordiais do calendário da Tencent poderão dar as caras no mercado chinês. Um deles é Game of Thrones: Winter is Coming, que deve ser lançado em abril para coincidir com a estreia do último ano do seriado e permitir que os usuários assumam o papel de personagens importantes da saga, expandindo reinos, enfrentando inimigos e revivendo momentos importantes do seriado. A empresa tem os direitos de distribuição global do título, desenvolvido pela Yoozoo, e ele já está em fase de testes com um número restrito de jogadores.

Além da Tencent, a NetEase, outra gigante do setor, também teve seu primeiro título regulamentado na quarta leva de aprovações a ser emitida pelo governo da China. Desde dezembro, quando voltou a trabalhar nesse processo, mais de 350 títulos para celulares, PCs e consoles de mesa tiveram sua chegada liberada no país pelo Comitê de Ética em Jogos Online, órgão criado especificamente para tratar desse assunto.

Foi a criação dele, também, que levou à interrupção nas aprovações, com a China passando quase todo o ano de 2018 trabalhando em métodos, sistemas e, principalmente, termos que podem levar ao lançamento ou à proibição de um game no país. Para o governo, a pausa foi necessária para que o trabalho pudesse ser feito de forma adequada daqui em diante. A expectativa é de um ritmo de 2 mil a 3 mil títulos aprovados anualmente por lá.

Alguns outros cuidados já foram tomados pela Tencent para atender a recomendações oficiais, principalmente no caso de games violentos ou com forte componente competitivo, bem como naqueles que têm a presença de loot boxes. A distribuidora está utilizando um sistema de reconhecimento facial ligado a um banco de dados do próprio governo, como forma de verificar a autenticidade de quem está jogando. Menores de 18 anos, por exemplo, são limitados a duas horas por dia, enquanto aqueles abaixo dos 12 têm direito a apenas uma.

E mesmo com tanta restrição, a China permanece como o maior mercado global de jogos eletrônicos, tendo movimentado US$ 34 bilhões no ano passado. Com o retorno dos lançamentos, a expectativa é que esse total, pelo menos, dobre até o final de 2020, solidificando ainda mais o país nessa posição e, claro, enchendo os olhos de distribuidoras e desenvolvedoras de todo o globo.

Fonte: South China Morning Post, Business Insider

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