Serviços de streaming devem ser o próximo grande passo da indústria dos games

Por Carlos Dias Ferreira | 10 de Agosto de 2018 às 21h30

Manter em casa um computador ou console que é também um verdadeiro canhão não é apenas uma questão de ostentação. É também a garantia de que você estará preparado para o que de melhor a indústria de jogos for produzir, pelo menos durante os anos seguintes (ou os próximos meses). Só que esses arsenais domésticos podem estar com os dias contatos.

Embora plataformas de jogo via streaming já estejam nos planos da indústria do entretenimento eletrônico praticamente desde a aurora da internet, é fato que as infraestruturas de hardware e rede atuais são bem mais capazes de fazer a coisa sair do papel. Isso pode fazer com que o próximo embate entre gerações seja travado entre diferentes assinaturas — em modelos mais próximos do Netflix e do Spotify do que de aparelhos dedicados como o Xbox One e o PlayStation 4.

A bem da verdade, isso até já foi colocado em prática — e não, nós não estamos falando do bem intencionado OnLive. Atualmente, é perfeitamente possível lançar mão de um hardware mais ou menos básico para ter acesso a bibliotecas tais como a da PlayStation Now e da Nvidia GeForce Now. E há indícios de que novos apostadores maquinam formas de garantir também uma fatia desse mercado em ascensão; jogadores do peso da Microsoft e de seu misterioso “Xbox Scarlet”.

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Seu provedor que se preocupe com o hardware

É provável que a ideia de plataformas de jogo via streaming seja menos uma questão de inovação do que de conveniência. Afinal, não há nada verdadeiramente disruptivo associado ao formato dos jogos — nada que divida atenções com a realidade virtual, por exemplo. Trata-se apenas de eliminar um “gargalo” ainda onipresente no entretenimento eletrônico.

Ao abrir mão de mídias físicas e hardwares domésticos, ganha-se a vantagem de poder rodar qualquer jogo — de Pac-Man a Far Cry 5 — mantendo apenas um único dispositivo básico de entrada e saída em casa. Isso porque todo o processamento é realizado algures na nuvem, de forma que apenas o resultado da renderização precisa ser “executado” por uma plataforma doméstica. Nada tão diferente de um filme, de fato.

GeForce Now: basta escolher um jogo adquirido via Steam e deixar que os poderosos computadores da Nvidia façam todo o trabalho duro. (Imagem: reprodução/Nvidia)

Dessa forma, não será mais necessário pagar um braço ou uma perna por uma GeForce GTX 1080, ou pelo último processador da Intel com dezenas de núcleos e capacidades de Inteligência Artificial (IA); deixe que o seu provedor de streaming se preocupe com isso e, caso ele não o faça, troque de provedor.

Ganham os jogadores, com acesso a jogos de última geração; ganham desenvolvedoras, que ampliam consideravelmente o público-alvo, ainda que gerando novas discussões previsíveis associadas às formas de capitalização. A sua responsabilidade será apenas a de manter uma conexão com a internet suficientemente parruda para aguentar o tráfego intenso de dados necessário para rodar o último jogo AAA, a fim de garantir um mínimo de lag (atrasos de transmissão).

Nvidia, Sony e Microsoft

Conforme mencionado anteriormente, já é possível botar em teste a comodidade propagandeada pelo streaming de jogos digitais. E há alguns pioneiros dignos de nota disponíveis no momento:

  • Nvidia GeForce Now: embora não seja propriamente uma curadora de jogos — com biblioteca exclusiva —, a GeForce Now oferece os poderosos computadores da Nvidia para o processamento de títulos da biblioteca do Steam — há 300 no momento, mas esse suporte deve seguir aumentando. O serviço se encontra atualmente em fase Beta fechada e é gratuito (pelo menos por enquanto).
  • PlayStation Now: a já tradicional plataforma de streaming de jogos da Sony permite há algum tempo que assinantes encarem títulos de várias gerações do PlayStation com processamento remoto. Embora seja pago, o serviço tem a vantagem de oferecer uma ampla biblioteca exclusiva de títulos para PlayStation 2, PlayStation 3 e PlayStation 4 por uma única taxa mensal (sem valores adicionais cobrados por jogo).
  • XCloud: embora ainda seja mais rumor do que plataforma propriamente dita, a “XCloud” tem ganhado força no vácuo da próxima geração do Xbox, identificado no momento apenas como “Project Scarlet”. Apostadores de plantão acreditam em dois novos consoles para a próxima geração da caixa: um com hardware parrudo, para rodar jogos da forma tradicional, e outro reduzido a estruturas básicas, previsto para ser utilizado em conjunto com um novo streaming da Microsoft. O lançamento está previsto para 2020.
Um dos seus próximos consoles pode se parecer menos com o PlayStation ou com o Xbox e mais com o Netflix.

Entre rumores e realidades comprovadas, é fato que os serviços de game via streaming devem continuar a se expandir durante os próximos anos. Talvez também com um serviço da Nintendo, ancorado na enorme base de títulos proprietários da companhia, remontando à época do NES, do Super NES e do Nintendo 64. Não seria nada mal e, seja como for, parece provável que a decisão do gamer típico de daqui a alguns anos terá menos a ver com hardware do que com uma assinatura mensal.

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