Seguindo passos da Marvel, Call of Duty vai ganhar universo cinematográfico

Por Redação | 06 de Abril de 2017 às 15h11
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Com o sucesso da Marvel e seu universo compartilhado nos cinemas, era óbvio que outras empresas iriam se inspirar no modelo e tentar emplacar uma estratégia semelhante. A Warner está montando isso com seus heróis da DC e até os monstros de King Kong e Godzilla já ensaiam algo parecido. E o resultado é tão lucrativo que até estúdios de videogame já estão de olho nesse filão.

É o caso da Activision, que anunciou que vai criar seu próprio universo cinematográfico aos moldes do que a Casa das Ideias vem fazendo. Para isso, a empresa escolheu nada menos do que Call of Duty como a franquia que vai capitanear esse novo projeto. O anúncio foi feito nesta semana e pegou todo mundo de surpresa, principalmente quando a companhia confirmou que um estúdio foi criado especificamente para cuidar desse novo projeto e que já há vários roteiros em discussão para levar essa ideia adiante.

De acordo com Stacey Sher e Nick Van Dyk, os presidentes da nova Activision Blizzard Studios, a estratégia é adotar uma abordagem interconectada e com múltiplas camadas que remetam às várias edições do jogo. Assim, ao invés de simplesmente replicar a história de um game específico, a produtora planeja extrair o que há de melhor em cada um deles para montar o clima que os fãs conhecem em torno de algo completamente novo. E a aposta é tão alta que já há uma equipe de roteiristas pensando em como fazer com que o projeto dure alguns anos.

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Em entrevista ao site The Guardian, Sher explicou que uma das propostas deve seguir uma linha mais próxima do que foi apresentado em Call of Duty: Black Ops, ou seja, mostrando a história por trás da história em termos militares. Em outro filme, a trama deve seguir uma pegada mais semelhante aos jogos da linha Modern Warfare, ou seja, com os olhos do mundo em você. Além disso, ela levanta a possibilidade ainda de termos algo híbrido, ou seja, com operações privadas e públicas atuando simultaneamente.

Van Dyk complementa dizendo que o objetivo é reproduzir aspectos estéticos dos videogames nas telonas. Isso significa trazer a adrenalina e a dinâmica dos jogos, mas nada muito literal para que os filmes tenham liberdade de se desenvolver sozinhos. Por isso, ele acredita que é preciso uma história abrangente e com escala global — e exatamente por isso traça um paralelo com a Marvel. Segundo ele, o objetivo é fazer com que essas histórias individuais se conectem em um universo coeso e consistente, bem ao estilo do que os heróis vêm fazendo.

De fato, a proposta é muito boa. O problema é que ela esbarra em uma pequena questão que a Activision Blizzard Studios parece não ter se atentado: aquilo que Call of Duty faz nos games é exatamente o que o cinema já vem apresentando há décadas. Seja a ideia do esquadrão secreto que faz o serviço sujo ou da guerra centrada em um único indivíduo são temas batidos e que fazem parte da mitologia cinematográfica há pelo menos três décadas. O segredo de CoD foi adaptar essa linguagem para os jogos com a agilidade que os fãs queriam. Fazer o caminho inverso com a mesma eficiência pode não ser um caminho tão fácil.

E, por mais que as ideias apresentadas não sejam ruins, o verdadeiro desafio está em fazer com que esse universo todo não seja apenas genérico — como os próprios games estão se tornando.

Fonte: The Guardian, MCV UK

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