Análise | Horizon Zero Dawn traz mundo fantástico e mal otimizado aos PCs

Análise | Horizon Zero Dawn traz mundo fantástico e mal otimizado aos PCs

Por Felipe Demartini | 16 de Agosto de 2020 às 09h15
Divulgação/Guerrilla Games

A palavra exclusividade é, quase sempre, a fagulha necessária para iniciar uma discussão entre os amantes dos videogames. Foi assim desde os tempos antigos, quando se discutia sobre quem era melhor, Mario ou Sonic, e permanece assim na medida em que a guerra de consoles desperta o pior nos seres humanos usuários de Twitter. É um aspecto comercial, acima de tudo, e também a maneira pela qual as fabricantes conseguem demonstrar o que há de melhor em suas plataformas — ainda que não a única.

Aos desenvolvedores, isso vai além. Produzir um game já é difícil o suficiente, mas quando se tem apenas um pequeno grupo de variantes de hardwares à mão, o processo se torna um pouco menos tortuoso. Multiplique isso para a amplitude do mercado de PCs, a partir de um trabalho feito originalmente para o PlayStation 4, e você começa a entender os problemas que acabaram maculando o celebrado lançamento de Horizon Zero Dawn para os computadores.

O game da Guerrilla Games foi uma grata surpresa quando chegou à plataforma da Sony em 2017. Afinal de contas, era uma nova franquia, que vinha pelas mãos de uma empresa que, até ali, era reconhecida pelos jogos de tiro em primeira pessoa. Ela mudava de ares e de abordagem para entregar o que é, até hoje, um dos jogos mais fortes da biblioteca do PS4, o que, novamente, justifica a felicidade deste relançamento para PC, abrindo as portas para que muito mais gente acompanhe Alloy em sua jornada buscando as próprias origens.

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As dificuldades nessa transposição, porém, chamam a atenção da mesma maneira. O motor gráfico Decima, proprietário da Guerrilla, já demonstrou ser uma ferramenta adaptável e, principalmente, econômica, permitindo que jogos como o próprio Horizon Zero Dawn e, mais recentemente, Death Stranding, aproveitassem ao máximo o potencial do PlayStation 4 em suas mais diversas versões. Nos PCs, esse aspecto promissor se traduzia em palavras de ouro como resolução 4K, suporte a monitores ultrawide e altíssimas taxas de quadros por segundo.

O port de Horizon Zero Dawn para os computadores entrega tudo isso, sim, mas chegar até todo esse potencial pode não ser tarefa das mais agradáveis mesmo que você esteja jogando em uma máquina com configurações equivalentes ou acima das recomendadas. Os problemas aparecem logo no início do título e acompanharão muitos jogadores ao longo de toda a jornada.

Cutscene inicial de Horizon Zero Dawn já mostra o potencial da versão para PCs, mas também os problemas de otimização na nova plataforma (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

A cutscene inicial do título já mostra a que ele veio, exibindo a mistura entre misticismo e tecnologia em um mundo apocalíptico com variedade de biomas, onde as tradições ainda separam a humanidade e os animais foram substituídos por máquinas. Antes desse esplendor, porém, o jogador deve passar por uma etapa de otimização bastante demorada, na qual o título avalia os recursos de sistema disponível e configura o game de forma que ele rode da melhor maneira possível de acordo com as configurações do PC utilizado.

Quase nunca funciona. E após uma longa espera, que em nossos testes variaram de 20 a 30 minutos, somos presenteados com uma cutscene tão bela quanto mal otimizada. Ela não pode ser pausada e, pior ainda, não é possível acessar o menu de opções para mexer nas configurações, o que nos obrigou a assistir o batismo de Alloy em meio a travamentos e severas quedas na taxa de quadros por segundo

Não é a melhor das introduções e, mesmo depois que somos capazes de mexer nas configurações, os problemas continuam. Os usuários que entenderem um pouco do próprio hardware logo entenderão que, para que Horizon Zero Dawn rode bem, precisarão utilizar opções abaixo daquelas que a própria máquina é capaz de entregar, e ainda assim, encontrarão problemas pelo caminho.

Em algumas cutscenes, Horizon Zero Dawn apresentou quedas na taxa de quadros e problemas até travar, nos obrigando a baixar as configurações para o mínimo e, depois, reajustar tudo de novo (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

A segunda parada das falhas aconteceu, justamente, no momento que virou meme. Em nossos testes, não vimos as crianças da tribo em sua versão Nintendo 64, mas observamos as taxas de quadros por segundo caírem até o travamento completo do game, que quando reinicializado, rodava de forma ainda pior e travava novamente, exigindo uma reinicialização da máquina. A solução foi reduzir absolutamente todas as configurações ao mínimo para passar pela cutscene, refazendo tudo depois dela. E assim sucessivamente, já que a falha voltou a acontecer em outros segmentos narrativos, como durante os testes da protagonista e a cena dramática que encerra o primeiro arco do título.

Quando tudo funciona, principalmente durante a jogabilidade, o resultado é de encher os olhos. Horizon Zero Dawn já era muito bonito mesmo na edição básica do PlayStation 4, e com o poder de processamento extra garantido pelos PCs, brilha ainda mais. São melhorias que se percebe tanto nas já citadas resoluções e taxas de quadros por segundo mais altas quanto em detalhes como terrenos ou florestas, que parecem ainda mais fechadas nesta versão, aumentando a sensação de se estar em uma terra selvagem.

Jogabilidade de mundo aberto é a maior demonstração de força da versão PC de Horizon Zero Dawn, com a qualidade maior tornando mais belo um título que já era bem bonito no PS4 (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Jogando em um monitor com suporte a HDR ou em uma tela ultrawide, o resultado é bastante impressionante, principalmente à noite, onde luzes e máquinas à distância são observáveis e o mundo passa uma sensação de vastidão que nos faz pensar que o título, na verdade, foi criado para ser jogado desta maneira. É justamente o que se espera de um port para PCs, ainda que algumas texturas e shaders apareçam abaixo do esperado, mas os visuais impressionantes acabam sendo menos impactantes quando, no momento seguinte, o jogador tem de lidar com novas falhas de otimização ou constantes visitas às configurações visuais.

O relançamento também representa a versão completa de Horizon Zero Dawn, e ainda que o preço tenha subido devido ao mau uso de políticas regionais pelos próprios usuários da Steam, este ainda é o pacote completo. Nos PCs, a compra traz não apenas o jogo base, mas também todos os DLCs lançados e a grande expansão The Frozen Wilds, adicionando horas de conteúdo a um game que, caso funcionasse perfeitamente, já manteria o jogador entretido por dezenas de horas.

Aquela que deveria ser a melhor versão do título ainda não chegou exatamente lá, mas com a promessa da Guerrilla Games de que os problemas visuais e de performance serão corrigidos, é possível que esse patamar seja alcançado em algum dia. A jornada de Alloy não é das mais fáceis, como o game demonstra, e a expectativa é que, diante do feedback negativo, ela possa ser experimentada de forma bela nos PCs, sem que os jogadores tenham que seguir um caminho tortuoso.

Horizon Zero Dawn foi testado em cópia digital gentilmente cedida ao Canaltech pela Guerrilla Games.

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