Red Dead Redemption 2 | Rockstar esclarece polêmica de carga extrema de trabalho

Red Dead Redemption 2 | Rockstar esclarece polêmica de carga extrema de trabalho

Por Felipe Demartini | 16 de Outubro de 2018 às 11h13
(Imagem: Rockstar North)

O cofundador da Rockstar, Dan Houser, tentou esclarecer a polêmica relacionada às cargas extremas de trabalho na aproximação do lançamento de Red Dead Redemption 2, game no qual, afirmou, alguns membros da equipe chegaram a enfrentar cargas de trabalho semanais de 100 horas. De acordo com ele, esse tempo se refere apenas a quatro membros da equipe de roteirista e diretores do game, não ao restante do time.

Na conversa com o site Vulture, durante uma visita aos estúdios da companhia em Manhattan, Houser citou que Red Dead Redemption 2 tem mais de 300 mil animações e 500 mil linhas de diálogo, além de milhões de linhas de código, o que levou à carga insana de trabalho para que tudo funcionasse. A declaração, entretanto, acabou levando polêmica e críticas à Rockstar, por refletir, principalmente, um problema constante na indústria de tecnologia, relacionado à insana quantidade de horas extras e ao desrespeito aos limites entre as vidas profissionais e pessoais dos funcionários.

De acordo com Houser, entretanto, as tais 100 horas semanais que citou se referem a ele mesmo, junto com três outros roteiristas sêniores do título (Mike Unsworth, Laslow Jones e Rupert Humphries). Além disso, essa maratona não seria constante, mas necessária em alguns pontos críticos do desenvolvimento do jogo, como antes do lançamento de trailers ou exibições para a imprensa. O período também seria um comum acordo entre o time, que trabalha junto há 12 anos e acredita que isso é necessário para garantir que tudo dê certo.

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Por outro lado, o fundador afirmou que a Rockstar não espera que ninguém mais dê tanto sangue por seus jogos, mas que muitos outros integrantes da equipe de produção fazem isso por paixão aos projetos e títulos em produção. Houser, porém, deixou bem claro que fazer isso ou não é uma escolha, não uma imposição, e que cada funcionário é livre para trabalhar no ritmo e quantidade de horas que julgar adequadas.

A declaração reviveu comentários antigos, que datam de 2010, sobre a toxicidade do ambiente de trabalho na Rockstar e a exigência de horas extras em grande quantidade, com punições para aqueles que não trabalham no mesmo ritmo dos patrões. A cultura era de que bons funcionários trabalhavam mais, enquanto quem cumpria uma jornada padrão era visto com maus olhos.

O chamado “crunch time” é o período antes de eventos importantes para o desenvolvimento de um game, como sua exibição pública ou lançamento. É o momento de revisar o trabalho, aparar arestas e garantir que tudo funcione bem, o que resulta em longas horas de trabalho e pouca folga, sob a pressão de superiores. Na Rockstar, afirmam ex-funcionários, esse peso era uma constante, com muitos negando as afirmações de Houser sobre a “escolha” relacionada às altas cargas.

Roisi Proven, que hoje trabalha na empresa de análise de dados Gower Street, disse ter enfrentado cargas semanais de 80 horas durante seu período na desenvolvedora, sob ameaça de que seria demitida se não fizesse isso. Ela deixou a companhia após ter problemas de saúde. Já o roteirista Aaron Stewart-Ahn disse que cargas insanas são comuns não apenas em games, mas também no mercado de cinema e televisão. Ele afirmou ter feito isso muitas vezes, sempre feliz da vida. Na Rockstar, entretanto, o ambiente pesado fez com que ele pedisse para sair após apenas alguns meses.

Além da declaração posterior de Houser, a Rockstar ou sua empresa-mãe, a Take-Two Interactive, não se pronunciaram sobre o tema. E é bastante possível que o insano “crunch time” de Red Dead Redemption 2 esteja acontecendo exatamente agora, enquanto você lê este texto, uma vez que o jogo tem lançamento marcado para 26 de outubro no PS4 e Xbox One.

Fonte: Kotaku, Eurogamer

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