Prévia | The Last of Us Part II traz uma Seattle rica, feroz e vertical

Por Felipe Demartini | 01 de Junho de 2020 às 10h01
Divulgação/Sony
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Ficha técnica

Olhar para o passado da Naughty Dog é, também, ter um vislumbre do que vem por aí no futuro. Da mesma forma que Uncharted 4: A Thief’s End, de 2016, bebeu da fonte do primeiro The Last of Us no que toca a furtividade e o posicionamento estratégico dos personagens para atacar, o mesmo já era de se esperar entre o jogo de Nathan Drake e a nova jornada de Ellie. Afinal, que maneira melhor de levar adiante um título que já era ótimo senão aproveitando o patamar de excelência de outro?

Foi justamente essa abordagem que o Canaltech pôde conferir de perto em um trecho jogável de The Last of Us Part II. A gameplay a que tivemos acesso nos colocam em Seattle, cidade já citada como um dos centros nervosos da história de vingança da protagonista, mas o grande foco foi a jogabilidade. As revelações sobre a história, entretanto, ficaram para o lançamento, que acontece em 19 de junho exclusivamente no PlayStation 4.

Cinco anos depois do primeiro game, The Last of Us Part II traz uma ambientação muito mais decrépita, com habitantes muito violentos (Imagem: Divulgação/Sony)

Sabemos, porém, que a situação não está fácil para ninguém. Ellie parte para o hospital das proximidades em busca de Nora, integrante da milícia Washington Liberation Front (WLF, na sigla), que começou como uma iniciativa para libertar a cidade do jugo militar para, como normalmente acontece, se tornar tão ditatorial quanto os próprios soldados do governo. Os motivos por trás dessa busca e qual a importância dela, porém, ficaram para depois.

O que experimentamos, isso sim de forma bem clara e direta, foram as citadas novidades na jogabilidade. O trecho a que tivemos acesso é parecido com o exibido recentemente no State of Play, mas começa um pouco antes da chegada de Ellie ao hospital. Tempo suficiente para ver as mudanças que a verticalidade trouxe ao game.

Como no primeiro jogo da série, The Last of Us 2 tem boa parte de seu foco na coleta de recursos e gerenciamento de itens para a criação de armas. Velhos conhecidos do passado retornam, como a bomba de fumaça ou os explosivos caseiros, mas vêm acompanhados de novos elementos, como a possibilidade de usar estilhaços em praticamente qualquer arma branca, cuja durabilidade também pode ser recuperada, ou um bem-vindo silenciador para a pistola.

Ellie, claro, ainda tem seu bom e velho arco e flecha, mas o uso da arma com barulho reduzido foi uma ausência sentida no primeiro game, agora resolvida em The Last of Us Part II. Apesar disso, nem tudo são boas notícias, já que o artigo é improvisado e só aguenta três tiros antes de ficar imprestável. Um tiro, uma morte, como diria a sniper, e três soldados da WLF caídos em uma infiltração como a que estamos prestes a fazer é melhor do que um exército perseguindo a protagonista.

Antes de seguirmos para o que interessa, passamos por avenidas que escondem grandes arranha-céus e itens preciosos em seu interior. Mais do que apenas adicionar novas possibilidades de exploração, com a verticalidade, a Naughty Dog quer mudar a forma como os jogadores pensam esse aspecto em The Last of Us 2, adicionando novos pontos de entrada e maneiras de lidar com a cidade.

Em um determinado momento, por exemplo, encontramos uma porta trancada cheia de suprimentos importantes do outro lado. Desta vez, não existe o uso da faquinha para arrombar trancas, mas a resposta está logo ao lado. Uma corda convenientemente amarrada na mobília pode permitir o acesso à área restrita pelo lado de fora do prédio. Para isso, porém, Ellie vai ter que se pendurar.

A verticalidade traz novas possibilidades de exploração, com elementos trazidos a The Last of Us Part II direto de Uncharted 4 (Imagem: Divulgação/Sony)

Quem jogou Uncharted 4 vai entender rapidamente como o sistema funciona. A partir da amarra, é possível lançar a corda por cima de um poste ou barra suspensa, usando o outro lado para se balançar e alcançar a marquise do prédio. Vidro quebrado, munição de escopeta adquirida, cartas tristes de sobreviventes lidas, contando, como sempre, mais sobre a desgraça que se abateu sobre esse mundo.

É hora de seguir em frente, mas não sem antes notar como o mundo evoluiu do primeiro game até The Last of Us Part II. Estamos cinco anos depois do jogo original e a natureza continua fazendo o seu trabalho de retomar o planeta. Há muito mais folhagem, transformando a antiga selva de pedra em uma floresta de verdade, enquanto as estruturas demonstram estarem ainda mais decrépitas com a ação do tempo.

A Naughty Dog também usa esses elementos verdes para direcionar a jogatina. Aqui, dá para perceber outro ensinamento claro da aventura de Nathan Drake, com as grandes áreas abertas e cheias de elementos para explorar, mas que também deixam claro ao jogador o caminho que ele deve seguir. De acordo com a situação de suprimentos, curiosidade e confiança, ele pode seguir direto ao ponto — mas isso seria uma pena, dado o nível de detalhes e cuidado que parece ter sido dedicado a cada cantinho do título.

Um exemplo disso é a sempre impressionante tela de upgrade de armas. Apesar de o funcionamento ser o mesmo do game original, com peças encontradas pelo cenário virando melhorias para os equipamentos, o trabalho visual é de uma excelência absoluta. Dá vontade de ficar mexendo nas pistolas e rifles sem parar só para ficar olhando para os detalhes das mãos de Ellie, ouvindo os cliques de metal e a construção realista dos armamentos em cima da bancada.

Perigo real e imediato

Os cenários com diferentes níveis criam novos desafios para o jogador, mas também mais possibilidades de furtividade em The Last of Us Part II (Imagem: Divulgação/Sony)

Antes de encontrar Nora, Ellie tem outros desafios pela frente, e não estamos falando apenas dos soldados da WLF. Fazendo seu caminho pelas edificações decrépitas e escuras, a protagonista tem um encontro nada agradável com uma das piores categorias de infectados, os Stalkers, versões evoluídas dos monstros comuns que são muito mais sorrateiros e silenciosos.

Apesar de nada estratégicos e de atacarem com o barulho e a ferocidade de sempre, esses monstros sabem se esconder e fugir caso se vejam em uma situação de desvantagem. Apesar de magrelos, a agilidade compensa, e partir para o ataque corpo a corpo não é um bom caminho a não ser que você esteja a fim de desperdiçar energia. Da mesma forma, ficar parado esperando uma chance não é uma boa, enquanto se mover traz desafios a mais pelo fato de as criaturas ficarem na surdina, indetectáveis pelo modo de escuta do jogo.

Este é um dos diversos momentos do game em que você vai ter de gastar os suprimentos e munições tão economizados até aqui. Por mais sorrateiros e ferozes que sejam os Stalkers, eles não resistem a um bom tiro de escopeta, a melhor arma para lidar com essa e qualquer outra ameaça desde o primeiro The Last of Us. Só preste atenção no momento de recarregar para não ser pego desprevenido.

Os humanos continuam sendo uma das forças mais ameaçadoras em The Last of Us Part II, mas não dá para subestimar o poder dos infectados (Imagem: Divulgação/Sony)

Após uma sequência de nado — sim, nestes cinco anos entre os títulos, Ellie frequentou a natação e a água deixou de ser uma ameaça para ela —, finalmente chegamos ao hospital. A protagonista entra sorrateira e já tem um primeiro encontro com uma integrante da WLF, que não prestou atenção no treinamento e deu as costas para sua oponente enquanto curtia uma partida de Hotline Miami no PlayStation Vita. Outro erro foi tentar esfaquear a personagem principal, com a história acabando bem mal para a nossa miliciana gamer.

Na entrada do hospital, mais uma demonstração do que a verticalidade é capaz de fazer pela furtividade em The Last of Us 2. Da mesma forma que Ellie também pode seguir diferentes caminhos em níveis variados, o mesmo também vale para os inimigos, que assumem posições mais altas com rifles enquanto milicianos patrulham o nível do solo acompanhados de seus cães de guarda.

Sim, precisamos falar sobre os cachorros. A Naughty Dog já deixou claro, em entrevistas passadas, que matar os animais não é obrigatório — em muitos encontros, também dá para passar pelos humanos com o mesmo tratamento sendo dedicado aos bichos. Há, entretanto, um elemento mais dolorido na morte dos animais, que choram de dor e tornam uma experiência tensa também desagradável.

Enquanto a jogabilidade foi o centro das atenções na amostra de The Last of Us Part II a que tivemos acesso, os elementos de história ficam para depois e os jogadores vão seguir teorizando por mais algum tempo (Imagem: Divulgação/Sony)

Eles são capazes de sentir o cheiro de Ellie e são adversários formidáveis. Uma forma de despistá-los, além de correr, é matando seus donos, o que faz com que eles fiquem distraídos e até se deitem ao lado dos corpos sem vida, outra imagem que não é nada fácil de se ver. Caso o jogador vacile, entretanto, eles ainda podem atacar mesmo nesse estado, mostrando que não é só Ellie que tem sede de vingança.

Entre novas habilidades e desafios, o que a demonstração a que o Canaltech teve acesso mostra, acima de tudo, é que o mundo piorou nos cinco anos que se passaram — não que existisse alguma esperança de melhora. Da mesma forma que se tornou mais madura e capaz no combate, Ellie também ficou impiedosa e violenta, mantendo o ciclo de derramamento de sangue que começou lá atrás, no dia da infecção, mas cujos responsáveis nem sempre são os infectados.

O encontro com Nora revela uma história pregressa, mas as revelações ficam para depois. Felizmente, não falta muito. The Last of Us Part II chega exclusivamente ao PlayStation 4 em 19 de junho. O Canaltech já está analisando o game e você confere o review completo, mas sem spoilers, no dia 12 de junho. Fique ligado!

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