Prévia | Immortals Fenyx Rising traz humor à rivalidade entre deuses e humanos

Por Felipe Demartini | 22 de Outubro de 2020 às 13h00
Divulgação/Ubisoft
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A clássica jornada do herói ganha, em Immortals Fenyx Rising, aspectos mitológicos, universais e, por que não, humorísticos. Partimos de uma premissa quase comum, na qual a protagonista chega a uma praia após ter sua embarcação atingida por uma tempestade, para um combate que deve definir os rumos das divindades do Olimpo e, com isso, também o destino da própria humanidade. E o mais interessante durante a aventura é que alguns dos maiores interessados no sucesso dessa empreitada não parecem muito dispostos a facilitar a vida.

Após conhecermos o universo e os elementos de exploração, jogabilidade e combate de Immortals Fenyx Rising, esta foi a vez de darmos uma olhada na história. Experimentamos as primeiras quatro horas do jogo completamente dublado em português e o gosto que fica, como na primeira apresentação, é de que temos aqui mais um daqueles jogos de mundo aberto que vai nos prender por horas, a partir de bases muito bem firmadas pela Ubisoft e, claro, por outras empresas que também abordaram de maneira genial esse estilo.

A referência mais próxima continua sendo, como foi desde o início, The Legend of Zelda: Breath of the Wild. A segunda apresentação traz de volta a constatação que tínhamos ao final da primeira: qual o problema de se inspirar ou até mesmo reciclar alguns elementos quando estamos falando de um dos maiores jogos da geração, agora repaginado por mãos diferentes e com uma roupagem diferente enquanto a própria dona do original prepara uma sequência?

Falar de Immortals apenas como um “Breath of the Wild-like”, entretanto, seria deixar de lado suas características mais interessantes, oriundas da ampla experiência da Ubisoft com títulos de mundo aberto. Neste universo, há sempre algo acontecendo e o jogador vai precisar de muito comprometimento para se manter nos trilhos da campanha principal — tanto pela possibilidade de loot perdido quanto pela necessidade de upar a personagem para melhor encarar os desafios que estão pela frente.

Immortals Fenyx Rising tem progressão veloz e que respeita o ritmo do jogador, ainda que leve um tempo para o ambientar no mundo e mostrar todas as possibilidades (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Desde o começo, porém, dá para sentir o ritmo da progressão e o fato de que, ao contrário da maioria dos títulos do gênero, não precisaremos galgar para efetivamente explorar os desafios desse mundo. O “tutorial” de Immortals Fenyx Rising, se é que podemos chamá-lo assim, é comprido e leva algumas missões para entregar as armas, proteções e, principalmente, as asas que o jogador precisa para explorar esse mundo da maneira devida. Depois, o game solta a nossa mão para nos deixar livres, mas mesmo antes disso, é possível andar com as próprias pernas e olhar mais longe, ainda que de maneira limitada.

Alguns elementos negativos surgem a partir dessa abordagem, entretanto. É fácil se ver em uma situação complicada, simplesmente, por ter andado no rumo errado, seja encontrando um inimigo dificílimo, que ainda não temos cacife para enfrentar, ou nos encontrarmos no fundo de uma ravina sem o fôlego necessário (ou os instrumentos exigidos) para sairmos de lá evitando o sofrimento. Nada que o sistema de saves automáticos sucessivos não reverta, mas ainda assim, é sempre esquisito termos que recorrer a ele.

Pior ainda é quando entramos no tártaro, onde estão, de longe, as partes mais interessantes de Immortals Fenyx Rising, mas logo somos avisados de que não é possível completar o desafio ali presente pois não temos as habilidades necessárias. Os puzzles baseados em física nos entregam itens valiosos para evolução da personagem, armas ou equipamentos importantes, mas aparecem atrás de loadings, assim como o aviso. Problema da geração atual, do qual nos livraremos em breve, diriam alguns; ainda assim, uma questão negativa trazida pela abordagem descompromissada do game.

Seja quem quiser

Sistema de customização permite que o jogador crie seu próprio personagem em Immortals Fenyx Rising, que pode ser alterado a qualquer momento da aventura (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Até aqui, estávamos nos referindo à protagonista de Immortals Fenyx Rising no feminino, mas uma das boas novidades trazidas por essa segunda apresentação foi o esquema simples de customização de personagem. É possível trabalhar com opções de cabelo, pintura facial, barba, acessórios, cicatrizes e, claro, gênero, assim como cor de pele ou a mistura de todos esses aspectos. O visual cartunesco não convida à criação fotorrealista de nós mesmos ou de alguma celebridade, mas as opções são amplas e combináveis o suficiente para que cada jogador se afeiçoe à própria criação.

Essa conexão também se acentua a cada linha de diálogo, com a dublagem em português preservando o tom jocoso e quase autodepreciativo que já havíamos visto, de relance, na demo anterior. Quebras de quarta parede aparecem o tempo todo enquanto a história que construímos é contada por Prometeu a Zeus, com direito a piadinhas quase impróprias que mostram que a equipe da Ubisoft de Quebec fez a lição de casa quando o tema é a mitologia grega.

A mortal Fenyx é a esperança de salvação para os deuses e vai contar com a ajuda de alguns deles, disfarçados, durante essa aventura (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

As referências estão em todos os lugares, assim como a menção a outras divindades, heróis e humanos, enquanto Fenyx é o foco central. Ao chegar na terra arrasada por Tifão, em sua jornada de vingança na qual obteve vantagem contra os deuses, ela se vê desafiada ao perceber ser a única humana de pé, enquanto seus companheiros de batalha, muito mais habilidosos, foram transformados em pedra. Diante da perda do irmão, ela segue sozinha, mas acompanhada de nós e de outras figuras peculiares da mitologia, para salvar não apenas a si mesmo e o familiar, mas também todo o Olimpo.

A narração sobreposta à ação em si ajuda a passar a sensação de que algo sempre está acontecendo e que todos os atos, mesmo aqueles ligados a missões secundárias ou simples buscas por loot, fazem sentido. Após um determinado ponto da história, Tifão nos desafia para o combate final e, se quiser, você poderá seguir direto até lá, ainda que fazer isso nos níveis mais baixos seja uma tarefa hercúlea — a demonstração a que tivemos acesso, claro, não nos deixava fazer isso, já que a Ubisoft não ia gostar nada de nos ver finalizando o game tanto tempo antes do lançamento (ou não).

Caso deseje seguir os rumos usuais da história, o jogador deverá libertar alguns deuses que estão presos em diferentes formas pelo cenário, cumprindo missões que os levam a entregar seus poderes para Fenyx. Na demonstração, Afrodite aparecia na forma de árvore e explorávamos mitos que vinham desde seu nascimento, rolando uma pérola gigante para o mar, gerando espuma, até busca por maçãs e lágrimas ligadas à deusa.

Os desafios do Tártaro são a parte mais legal de Immortals Fenyx Rising, trazendo puzzles baseados em física que chamam a atenção pela inventividade e variação das mecânicas de jogabilidade (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Realizar missões secundárias ou buscar itens para melhorar as habilidades de Fenyx é essencial, ainda que esse aspecto fique completamente a cargo do jogador. Isso se deve a algumas falhas na jogabilidade, como a necessidade de segurar o direcional para usar poções, o que faz com que o comando se confunda com outros e, muitas vezes, nem seja ativado. Em mais uma das tantas influências de Breath of the Wild, misturar frutas coletadas e as transformar em poções aumenta suas capacidades, mas também é possível usar os ingredientes individualmente — mas isso quase não ajuda, em um tipo de balanceamento que ainda precisa ser aplicado para tornar a experiência ainda mais amigável. E quando se está pendurado ou morrendo, essa não é a melhor das descobertas.

Desafios mil

Durante nossa demonstração, tivemos acesso a apenas um quarto do extenso mapa de Immortals Fenyx Rising, o que já serviu para percebermos que estamos diante de um game que vai ocupar algumas dezenas de horas da sua vida. Isso se deve não à extensão da própria história e da necessidade de preparação para o confronto com Tifão, mas também pelo fato de eventos corriqueiros ou pequenas missões representarem um fator de entretenimento a mais, que os usuários não desejarão perder.

Tifão está sempre desafiando o jogador em Immortals Fenyx Rising, mas cabe a ele evoluir suas habilidades, acumular poderes e escolher a hora de encarar o desafio final (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Um exemplo são os desafios de navegação, que exigem rapidez nos comandos ou precisão em troca de moedas que melhoram as habilidades de Fenyx, ou as melodias encontradas em pequenas harpas que, quando reproduzidas em instrumentos maiores, garantem vantagens. Entre correr em uma arena, tocar música ou enfrentar inimigos para obter acesso a baús de tesouro, devemos reservar um tempo, ainda, para domar cavalos que nos levarão mais rapidamente aos objetivos ou apanhar frutas no pé para a criação de poções.

Tais elementos cotidianos passam longe dos desafios mais legais de Immortals Fenyx Rising. Eles estão no Tártaro, zonas trevosas que podem envolver dinâmicas de combate, puzzles físicos ou tudo isso ao mesmo tempo. Novamente, a melhor forma de os explicar é fazendo referência às dungeons de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, unidas a um sentimento ainda mais místico e mitológico que tornam estas fases, ainda que curtas, os principais momentos da demonstração.

A física também acaba sendo parte integrante de muitos enigmas do mundo terreno, como quando devemos empurras bolas de luz para abrir portas ou encaixar peças de pesos diferentes de forma a liberar passagens. Impressiona, ainda, a ideia de que este é um universo persistente, o que significa que, caso você desista de resolver um puzzle mais longo em um determinado momento, não precisará recomeçar tudo do zero caso retorne a ele mais tarde. Itens largados e demais aspectos retornarão à posição original, mas o que já tiver sido solucionado permanecerá assim.

Mundo aberto de Immortals Fenyx Rising impressionada, com alguma coisa sempre acontecendo, mesmo fora de missões principais ou secundárias. Manter o foco é importante, mas se deixar levar é ainda melhor (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

O mapa amplo, ainda que não acessível diretamente, e sim apenas pelos menus, ajudam na localização dos objetivos, ainda que os indicadores disponíveis na tela de jogo mostrem certa confusão, principalmente, quando estamos acima ou abaixo de nosso destino. A interface um bocado poluída pode ser um problema para alguns jogadores, mas felizmente, os elementos podem ser desligados ou exibidos de maneira mais leve, de forma que não entrem no caminho da beleza dos visuais do jogo.

Há um pouco para todo mundo em Immortals Fenyx Rising, e como já havíamos comentado na prévia anterior, o combate que bebe na fonte da série Souls é um de seus elementos principais, junto com os puzzles e a própria exploração. E foi assim, entre missões importantes, deuses zombeteiros e uma história bem contada que as quatro horas que passamos na companhia da protagonista voaram. E nesse tempo, nem arranhamos a superfície, com o mundo deixando claro que ainda há muito mais para explorar, vencer e, principalmente, descobrir.

Immortals Fenyx Rising tem lançamento marcado para o dia 3 de dezembro de 2020. O game chegará ao PlayStation 4, Xbox One e PC, com versões previstas também para os consoles de nova geração, o PS5 e o Xbox Series X | S.

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