Prévia | Carrion vai te colocar do outro lado do horror

Por Felipe Demartini | 02 de Setembro de 2019 às 10h33

Jogos em que controlamos vilões ou inimigos existem aos montes e nem de longe são uma inovação no mundo dos games. Ainda assim, esse é um dos principais aspectos citados pela Devolver Digital ao falar de Carrion, título da Phobia Game anunciado com muito sangue e tripas durante a última E3 e que representa um dos pontos de destaque da agenda da distribuidora para o ano que vem.

Longe do jeito humorístico que assumiu durante a feira americana, entretanto, o game traz um tom um bocado mais soturno, ainda que o sangue, as tripas e até mesmo um certo tom jocoso na medida em que estamos desde lado oposto da moeda e vemos o terror no olhar de nossos oponentes. Cientistas e guardas podem até parecer que sabem o que estão fazendo, mas basta que um deles vire pastel para que a coisa mude completamente de figura.

A demo a que tivemos acesso, durante um recente evento da Devolver Digital em São Paulo (SP) exibia a meia hora inicial do título. Recém-saídos de um tubo, não sabíamos exatamente o que fazer, mas os controles facilitavam a vida. Boa parte da jogabilidade se concentra nos dois analógicos do controle, com um controlando o monstro em si, que se agarra nas paredes, enquanto o outro permite a utilização de um tentáculo específico para agarrar oponentes, resolver puzzles ou destruir objetos do cenário.

Quem olhava o jogo de fora, ainda mais em um ambiente de festa, poderia até pensar estar diante de uma proposta meio caótica, mas não é bem esse o caso. Por mais que a criatura se arraste por aí e pareça não ter parte da frente ou traseira, se assemelhando mais a um bolo de carne, as coisas em Carrion seguem um certo sentido, principalmente quando encontramos os primeiros guardas portando armas de fogo.

Carrion começa com a fuga de um monstro em um laboratório, e depois, cabe ao jogador entender como tudo funciona (Imagem: Divulgação/Devolver Digital)

Pelo caminho, pontos de interesse permitem recuperar a energia e melhorar as habilidades, com a criatura ganhando novos poderes ao interagir com cada um deles. Isso também adiciona ares de Metroidvania ao game, já que, a todo momento, vemos caixas, portas e acessos que não podem ser utilizados ainda, mas que trazem toda aquela cara peculiar de "você vai precisar voltar aqui em breve".

O monstro não é invencível, mas claro, é bem mais forte que seus algozes. Isso faz com que, nesse começo, partir para cima com tudo seja sempre uma boa opção, na medida em que aprendemos como tudo funciona, mas nem sempre será assim. E em nossa rota de fuga, até mesmo um ar de furtividade normalmente ausente em títulos com essa pegada pode acabar aparecendo.

Se não fizer barulho, o jogador consegue atacar os oponentes sorrateiramente e, inclusive, gerar o medo em outros que estejam na mesma sala. Cientistas, é claro, sempre vão correr por suas vidas, mas os soldados não apresentarão comportamento semelhante, e na medida em que o usuário vai aprendendo a lidar com as habilidades que vai adquirindo, o caos vai ficando cada vez mais instalado e a carnificina, mais divertida.

Na medida em que o monstro de Carrion evolui, os oponentes também vão ficando mais fortes (Imagem: Divulgação/Devolver Digital)

A morte pode vir de diferentes maneiras, através da parede, com destroços ou uma grande caixa lançada na direção dos inimigos. Da mesma forma, eles também possuem reações diversas, podendo fugir em pânico ou tentarem ser heróis. Durante nossos testes, inclusive, um deles pareceu dar uma de kamikaze para cima do monstro, possivelmente em uma tentativa de proteger os colegas.

Ao longo da demo, vemos vislumbres de que há algo do lado de fora, mas ainda não podemos chegar até lá. O que percebemos, ainda de dentro do laboratório, é que a jogatina rápida e a carnificina animada em uma bela Pixel Art constitui uma proposta que é, sim, diferente, mas também remete, principalmente, a filmes de horror trash, referências sempre boas de se ver por aí e, nesse caso, controlar.

Apesar da cara caótica, Carrion também tem ares de Metroidvania e permite abordagens furtivas ou diferentes da carnificina que indica (Imagem: Divulgação/Devolver Digital)

E enquanto o corpo da criatura é banhado pelos poucos raios de sol que entram por uma abertura, ainda há muito a evoluir e muita gente a morrer até que a gente entenda o que está acontecendo. Afinal de contas, estamos falando de um jogo que não se resume apenas a uma almôndega gigante, mas uma proposta com algo a mais, que fica reservado apenas ao lançamento. Além, é claro, da vontade de ver essa bolha assassina passando por cima de tudo.

Carrion tem lançamento marcado para 2020, ainda sem data específica. O game chegará para PC e consoles, mas a Devolver Digital não especificou exatamente quais plataformas receberão o título.

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