Por que gamers fazem sucesso no YouTube? A ciência explica

Por Redação | 22 de Março de 2016 às 10h52

Afinal, qual é a “graça” de assistir às sessões de jogatina de outras pessoas? Talvez os já tradicionais canais de gamers no YouTube lhe deixem com a impressão de que se trata apenas de uma nova forma de voyeurismo – possivelmente justificado pelo fato de que algumas pessoas talvez se divirtam mais vendo outro jogador disparar um headshot em Counter-Strike do que apertando o gatilho elas mesmas. Mas pode haver mais aí.

Conforme apontou um artigo publicado no site Talk Amongst Yourselves, embora os youtubers detonadores de games forneçam material praticamente inesgotável para piadas prontas – como a do apresentador Jimmy Kimmel no vídeo abaixo -, é fato que o apelo desses apresentadores é até cientificamente defensável.

Neurônios espelho

Grande parte do apelo dos referidos youtubers é garantido pela ação dos chamados “neurônios espelho”. Largamente responsáveis pelo aprendizado, essas células nos permitem imitar as ações percebidas pelo cérebro – desde colocar uma caneca sobre a mesa até desferir o golpe de misericórdia no chefão final de Dark Souls.

Há basicamente três partes responsáveis por esse jogo de imitações. No momento em que um ato é levado a cabo, há a ativação dos neurônios espelho e também do córtex temporal superior – a porção do cérebro responsável por processar visualmente os movimentos. Ocorre, entretanto, que o mesmo processo é desencadeado também quando nós observamos o mesmo ato executado por outra pessoa.

cérebro humano

Em outras palavras, quando você assiste alguém jogando videogame, o cérebro é levado a crer que é você mesmo o responsável pelo joystick/gamepad/mouse e teclado. O seu cérebro não apenas assiste ao jogo, mas também o joga – sendo que a única diferença é a forma como o córtex motor é estimulado.

Eu, jogador

Mas há ainda outro elemento importante, também grandemente responsável pela habilidade de certos youtubers em arrebanhar dezenas de milhares de espectadores internet afora. Trata-se da empatia – ou, da habilidade de compreender as emoções e os pensamentos de outras pessoas.

Trata-se, na verdade, de mais uma faceta do sistema protagonizado pelos neurônios espelho. Ao projetar a si mesmo sobre o sujeito descolado que encara zumbis ou terroristas em um vídeo do YouTube, você consegue se identificar com a forma particular do jogador.

Também depende da perspectiva

Naturalmente, há aí uma variação sutil que é determinada pela forma com que uma jogatina é gravada. Em sessões focadas no youtuber, a empatia se dá tanto em relação ao título que é jogado quanto em uma identificação relacionada às próprias reações (eventualmente macaquices) do sujeito que apresenta o conteúdo. Por outro lado, as jogatinas com foco no conteúdo formam no cérebro uma impressão um tanto mais semelhante ao próprio ato de encarar o jogo que é exibido na tela.

Além do que, isso possivelmente justifica o fato de que mesmo os gameplays de jogos ruins acabem sendo atraentes. Afinal, quando aquele youtuber famoso encara uma dezena de defeitos risíveis em um título medíocre, o saldo final passado ao seu cérebro é que você mesmo foi o responsável por aquelas descobertas – além do que, vá lá, praguejar contra uma porcaria em grupo pode ser infinitamente mais divertido!

Por fim, é largamente defendido por estudos que a psicopatia se define, entre outros fatores, por certa falta patológica de empatia – de maneira que jogatinas de terceiros, supostamente, seriam particularmente tediosas para um psicopata. A despeito de pressupostos científicos... É uma boa réplica para as tradicionais piadinhas, convenhamos.

Fonte: Talk Amongst Yourselves

Inscreva-se em nosso canal do YouTube!

Análises, dicas, cobertura de eventos e muito mais. Todo dia tem vídeo novo para você.