Para governo da Bélgica, as loot boxes são ilegais

Por Felipe Demartini | 26 de Abril de 2018 às 12h30

As loot boxes precisam acabar, pelo menos para o governo da Bélgica. Foi essa a posição demonstrada pelo ministro da Justiça do país, Koen Greens, ao declarar o recurso usado em tantos jogos da atualidade como ilegais e ordenar sua retirada imediata de todos os títulos, sob pena de multa e até prisão para os envolvidos.

Nomes como FIFA 18, Overwatch, Counter-Strike: Global Offensive foram citados nominalmente e estão na mira direta do que o governo belga chamou de uma flagrante violação de suas leis relacionadas a jogos de azar. Após meses de análise, a Comissão de Jogos da Bélgica considerou que as caixas-surpresa apresentam elementos semelhantes a máquinas de caça-níqueis e outros jogos do tipo, gerando vício e também perdas financeiras.

Três critérios foram usados para determinar essa similaridade: o fato de existirem elementos de progressão ou mudança envolvidos na obtenção da caixa; a utilização de dinheiro para compra das loot boxes, podendo levar a ganho ou perda financeira; e se o ganho de itens por meio delas acontecia por sorte, não habilidade. Como os games citados se encaixaram nas três categorias, veio a noção de que as leis foram quebradas, seguida pela ordem de retirada imediata dos recursos.

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A investigação foi detonada no final do ano passado após a polêmica envolvendo Star Wars Battlefront 2. Apesar de ter sido o estopim, o título acabou não sendo citado nominalmente no inquérito pois, durante sua execução, as microtransações estavam desabilitadas e sua distribuidora, a Electronic Arts, já havia realizado mudanças no sistema de progressão para reduzir a dependência das loot boxes. Apenas os três games citados foram indicados nominalmente, mas isso não impede que a comissão belga, no futuro, aumente o escopo da análise.

Ao exigir que as loot boxes sejam retiradas dos games, porém, o governo belga não deu um prazo para que as empresas façam isso. Em vez disso, Greens pediu por mais diálogo entre a administração pública e as desenvolvedoras, de forma a encontrar práticas menos predatórias para garantir o ganho financeiro de uma, mas sem prejuízos ao público.

Em comunicado, a Electronc Arts, de FIFA 18, disse não ter sido contatada pelo governo belga sobre o assunto. Além disso, afirmou acreditar que trabalha de maneira ética e correta, assumindo suas responsabilidades e admitindo os erros em prol de uma experiência divertida para os jogadores, sendo assim, parece discordar da decisão. A Blizzard, de Overwatch, e a Valve, de Counter-Strike: Global Offensive, não se pronunciaram sobre o assunto.

Simplesmente retirar os recursos, entretanto, será uma tarefa de diferentes dificuldades. No jogo de futebol, por exemplo, as loot boxes são parte integrante do modo Ultimate Team, no qual FIFA 18 se transforma em uma espécie de jogo de figurinhas, com pacotes aleatórios e ocultos entregando jogadores para composição de um time de estrelas. Já em Counter-Strike e Overwatch, as caixas trazem itens estéticos que modificam a aparência de personagens, armas e outros elementos.

Em todos esses títulos, as caixas de itens aleatórios podem ser obtidas por meio de ações dentro do jogo, como o cumprimento de objetivos ou subida de nível. Entretanto, isso também pode ser acelerado com o uso de dinheiro de verdade, entregando mais itens, de qualidade melhor, de uma só vez. Em nenhum dos casos citados pelo governo da Bélgica, porém, a utilização de loot boxes dá vantagens de jogo ao usuário ou garantem uma progressão mais veloz.

Fonte: Kotaku

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