Para evitar sobrecarga e horas extras, Nintendo só vai lançar jogos 100% prontos

Por Rafael Rodrigues da Silva | 21 de Junho de 2019 às 17h45
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Nos últimos meses, uma preocupação cada vez mais crescente do mercado de videogames são os chamados “crunches” — as horas extras abusivas feitas por desenvolvedores na fase final dos projetos para que seja possível entregar os jogos na data estipulada pela produtora, e que muitas vezes obriga esses funcionários a trabalharem até 100h por semana nos meses anteriores ao lançamento do jogo.

Os motivos por trás dos tais crunches muitas vezes são inerentes da própria natureza do desenvolvimento de jogos, e são os mesmos motivos que muitas vezes fazem com que o lançamento desses jogos seja adiado: o fato de que geralmente só é possível saber se uma ideia irá funcionar ou não dentro de um jogo quando ele já está praticamente terminado, e quando essa ideia não funciona as equipes são obrigadas a modificá-la em um período de tempo muito curto. Mas, em outros casos, esses crunches são causados pela má gestão do tempo das equipes responsáveis pelos jogos, cujas chefias demoram muito para tomar decisões vitais de qual o caminho deve ser seguido e, quando percebem, faltam poucos meses para o lançamento do jogo e pouca coisa foi realmente desenvolvida.

E, claro, não isso não seria diferente na Nintendo. Em entrevista dada para o site IGN durante a E3, o presidente da Nintendo of America, Doug Bowser, revelou que evitar períodos de crunch é uma parte da própria política da empresa. Bowser afirmou que a principal política da empresa é trazer sorrisos para os rostos de seus clientes, e que essa política se aplica também a seus funcionários.

Assim, a empresa se esforça para que seus trabalhadores mantenham sempre um balanço saudável entre suas vidas pessoais e o tempo dedicado à empresa, e a principal política da Nintendo neste sentido é o de não definir datas fechadas de lançamento de seus jogos. A empresa só lança seus jogos no mercado quando eles realmente estão prontos, e não se preocupa em adiá-los caso seja necessário. Essa flexibilidade permite que os desenvolvedores da empresa continuem trabalhando em um ritmo saudável mesmo que os jogos não estejam exatamente no tão prontos quanto deveriam, e evita que as pessoas se sintam pressionadas a abdicar de suas vidas pessoais para completar os projetos da empresa.

O caso mais recente é o do novo Animal Crossing, que originalmente era esperado para ser lançado na metade deste ano, foi adiado para o começo de 2020. Esse posicionamento também pode ser visto no desenvolvimento de Metroid Prime 4, que no começo deste ano a Nintendo revelou que começaria “do zero” após o jogo não estar do jeito que a empresa esperava depois de dois anos de desenvolvimento. Junto com o anúncio, a empresa também anunciou que a data de lançamento anterior do jogo estava cancelada, que o lançamento seria adiado por tempo indeterminado e que uma nova data seria revelada apenas quando ele estivesse quase pronto. Essa história constrasta demais com a de Anthem, na qual uma reportagem deJason Schreier, da Kotaku, revelou que o jogo foi desenvolvido do zero em apenas 18 meses devido a problemas na gestão, uma vez que ficavam mudando a ideia do jogo o tempo todo, e à recusa da EA de adiar o lançamento do game para além de fevereiro deste ano, pois ela não abriria mão de ter as vendas do jogo para fechar o ano fiscal de 2018.

Fonte: IGN

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