O que mudou no primeiro ano sem distribuição da Nintendo no Brasil?

Por Gustavo Rodrigues | 19 de Janeiro de 2016 às 16h35

Há praticamente um ano, a Nintendo anunciava que não teria mais distribuidora no Brasil, serviço que era prestado pela Gaming do Brasil. Mesmo com um grande número de fãs dos seus jogos, a empresa japonesa não conseguia se manter perante os impostos massivos cobrados pelo país e perdia cada vez mais espaço para as concorrentes Sony e Microsoft.

Para os consumidores dos produtos da empresa, a notícia foi inevitavelmente uma surpresa assustadora. "Fiquei um pouco em choque, até porque eu estava na expectativa de adquirir um Wii U. Obviamente, tive que cancelar este plano porque os preços subiram consideravelmente", comenta a arquiteta Graziella Ritondale.

Apesar disso, alguns gamers nunca viram tanto esforço da Nintendo pelo Brasil e pouco se importaram com o que a ausência da distribuidora significaria. "A meu ver não mudou muito, afinal a empresa não era tão presente por aqui. Logo que comprei meu 3DS eu tive problemas com o console, por isso tive que entrar em contato com o suporte várias vezes através de uma central americana", afirma o professor de inglês Erick Henrique.

Entretanto, a ausência de uma distribuidora da Nintendo no Brasil só tornaria cada vez mais difícil para o consumidor encontrar os lançamentos da empresa nas convencionais lojas dos shoppings e faria com que o aumento do preço nos produtos ficasse ainda mais evidente, principalmente com a alta do dólar.

Hoje, o lojista tornou-se mais dependente de importações inseguras para ter os produtos da Nintendo na prateleira. Isso faz com que os lançamentos sofram um atraso considerável para estarem disponíveis ao consumidor ou até mesmo uma limitação clara no que está a venda. Nenhuma loja vai arriscar trazer jogos que possuem um número menor de vendas quando apostar nas franquias renomadas é mais seguro. Um exemplo claro disso são os bonecos Amiibo. Eles raramente são encontrados, o que torna mais difícil a vida de quem pretende ter todos os colecionáveis, e às vezes os preços são muito maiores do que o esperado.

Amiibos

Duas soluções foram adotadas por parte dos gamers: participar de grupos de vendas e trocas de jogos pelo Facebook ou aderir às mídias digitais. "Eu sempre gostei de ter os jogos em mãos e não comprá-los online, logo tive que buscar outros meios de consegui-los, como os grupos do Facebook, mas já me rendi a algumas compras da Nintendo Store porque não encontrava o produto físico", ressalta Graziella.

Para efetuar a compra de mídias digitais o gamer vai precisar de um cartão internacional, criando assim um outro empecilho para quem deseja adquirir clássicos ou lançamentos da Nintendo. Entretanto, para alguns a adaptação às mídias digitais foi uma ótima saída. "Eu comecei a usar a loja online quando cansei de procurar a versão física deles, o que foi muito bom por causa dos preços semelhantes e não ter mais que me preocupar com o espaço que eles ocupariam em casa", comenta o analista de relacionamentos com cliente Caio Mendes.

Apesar de todas as dificuldades que apareceram ao consumidor brasileiro com a ausência de uma distribuidora no Brasil e a alta do dólar, os nintendistas ainda têm muito carinho pela empresa japonesa. O redator do site e da revista Nintendo Blast Ítalo Chianca teve receio de que isso poderia afastar os fãs da empresa e assim diminuir o interesse pelas publicações, mas o efeito foi o oposto. "Por incrível que pareça, os fãs, mesmo com o distanciamento da empresa, se apegaram ainda mais aos meios que se dedicam a Nintendo. O site tem recebido mais leitores e a revista cresce a cada nova edição."

Para os gamers brasileiros apaixonados por Mario, Zelda, Pokémon e tantos outros títulos de sucesso da empresa, resta torcer para que a situação econômica do país volte a ser convidativa para o retorno da Nintendo em um futuro próximo enquanto se adapta às dificuldades do mercado.

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