Novo CEO da Nintendo quer ver mobile como um dos grandes negócios da empresa

Por Felipe Demartini | 03 de Maio de 2018 às 10h31
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O novo presidente executivo da Nintendo, Shuntaro Furukawa, assume apenas em junho, mas parece já ter planos bem claros sobre o que deseja fazer assim que sentar na cadeira que, hoje, é ocupada por Tatsumi Kimishima. Em entrevista à imprensa japonesa, o executivo afirmou que uma de suas prioridades é transformar os games mobile em um dos grandes negócios da Nintendo, levando o segmento, ainda pequeno, a um faturamento de ¥ 100 bilhões, ou cerca de US$ 910 milhões.

Isso, segundo ele, deve ser feito com um único título, mas com força e peso suficiente para mudar completamente o caráter da presença da Nintendo nos dispositivos móveis. A ideia, afinal de contas, é ambiciosa, pois o valor citado por Furukawa representa mais do que o triplo do faturamento atual dos negócios mobile da companhia. De acordo com os números mais recentes, esse setor contribuiu com cerca de US$ 350 milhões no último ano fiscal.

A ideia do novo CEO, porém, é levar o setor, promissor, mas ainda com dificuldades em mostrar seu real poder, a um patamar em que represente mais de 10% dos ganhos totais da companhia e somente a partir dos lucros obtidos a partir dos próprios games. Hoje, esse total é de 4%, mas inclui não apenas os valores obtidos diretamente dos jogos em si, mas também os pagamentos de licenciamentos para que seus principais personagens possam ser transformados em títulos móveis.

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Ao assumir, Furukawa diz que vai começar a procurar por um sucesso estrondoso como foi Pokémon GO, lançado em parceria com a Niantic. Com isso, vem também a ideia de que um game mobile de sucesso precisa ser uma adaptação relevante das mecânicas para o mundo dos celulares, e não apenas uma conversão de mecânicas já vistas nos consoles. E é aqui, para o executivo, que está o maior desafio. Segundo ele, estar em sintonia com novos parceiros de desenvolvimento de títulos é a chave do sucesso, mas, também, seu ponto mais difícil.

Shuntaro Furukawa (esquerda), assume em junho como CEO da Nintendo, substituindo Tatsumi Kimishima (direita)

Outros planos do novo CEO podem vir como uma boa notícia para os brasileiros. Juntamente com o boom do mercado mobile, é claro, o início de suas operações à frente da Nintendo também deve acompanhar não apenas uma manutenção dos números de vendas de jogos e consoles das linhas Switch e 3DS, mas também uma expansão destes totais. O caminho? Os países em que a companhia ainda não possui atuação direcionada.

Furukawa não citou nosso país nominalmente, nem mesmo a América Latina, mas disse que sua ideia é trabalhar também com o Switch e o Nintendo 3DS em países nos quais suas propostas mobile estouraram. Ele citou o Oriente Médio e o sudeste da Ásia como exemplos, expandindo a presença da “Big N” para além de seus territórios mais tradicionais, que são Japão, Europa e Estados Unidos.

Mesmo deixando o cargo em junho, Kimishima deve permanecer como conselheiro de Furukawa, tendo sido escolhido pelo próprio para sucedê-lo. No anúncio da dança das cadeiras, o atual CEO da Nintendo disse que o novo presidente passou os últimos dois anos construindo a fundação para a próxima geração de jogos e ideias da companhia, extraindo o melhor dos times de desenvolvimento e também das equipes de negócios. Para a diretoria, então, é hora de ele assumir o posto central desses trabalhos.

Apesar disso, Furukawa não deve trabalhar sozinho. Ele deve constituir um painel de cinco diretores, incluindo ele mesmo e Kimishima, para deliberação e avaliação de iniciativas de negócios, com a palavra final cabendo ao próprio CEO. É uma dinâmica que já vem sendo adotada pela Nintendo há mais de dez anos e que tem funcionado, apesar de muitos analistas de mercado a apontarem, também, como a responsável pela bem-sucedida, mas nada ousada, dinâmica atual da companhia, o que acaba garantindo bons números de faturamento, mas também a mantém longe da vanguarda do mercado.

Fonte: Nikkei

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