Novas gerações passam menos tempo jogando videogames

Por Redação | 19 de Agosto de 2015 às 10h28

Passar horas na frente da TV jogando videogame pode ser a atividade favorita de muita gente, mas não das crianças e adolescentes atuais. Esse é o resultado de uma pesquisa da IEEE, maior organização profissional do mundo dedicada ao avanço da tecnologia para a humanidade. De acordo com o estudo, realizado no Facebook entre os dias 11 de junho e 13 de julho, as gerações mais novas não ficam tanto tempo jogando games.

Mas não se engane, porque jogar menos tempo não significa jogar pouco. Com idades de 18 a 24 anos, os entrevistados revelaram que jogam no máximo cinco a oito horas em uma sessão, enquanto usuários de 25 a 34 anos comentaram que chegam a jogar acima de 15 horas, mais do que o dobro da quantidade de horas de participantes mais jovens. A quantidade média de jogo em uma sessão foi de aproximadamente oito horas.

Um dos comportamentos mais comuns dos gamers é ficar sentado durante horas jogando com ou contra outras pessoas ao redor do mundo. 58% disseram que preferem jogar em modo campanha, em vez de online. Jogar individualmente no modo single player, que mostra uma história contínua em um mundo fictício, foi a primeira escolha para os gamers em relação ao jogo online, no qual o jogador está conectado a outros adversários através da internet. 

"As gerações mais novas de gamers estão gastando menos tempo jogando devido às crescentes considerações sociais", disse Stu Lipoff, associado da IEEE e presidente da Ação Partners IP. "Os avanços na tecnologia, como celulares, tablets, wearables e canais de mídias sociais, como Facebook e Twitter, estão disputando a atenção de jovens adultos e crianças. O crescente interesse no modo de campanha pode ser devido ao que jogadores não precisam de uma interação social online para ter uma experiência de qualidade em videogames", completou.

Uma tendência presente no levantamento mostra que 51% dos entrevistados acreditam que a realidade virtual e a realidade aumentada vão ditar o futuro dos jogos. Em segundo lugar nesse ponto aparecem os títulos open source (21%), que permitem que o usuário personalize o jogo e formatação, seguidos por jogos de segunda tela e óculos inteligentes (18%).

De acordo com Todd Richmond, associado da IEEE e diretor de protótipos avançados do Instituto de Tecnologias Criativas (TIC) da Universidade do Sul da Califórnia, essa estatística parece seguir uma tendência que só vai continuar a crescer. "Os desenvolvedores de videogames já começaram a adotar essas tecnologias imersivas. Não há dúvida de que elas serão a mais importante inovação da próxima geração e também terão impacto em outros aspectos de nossas vidas", disse.

Jogar videogame

O estudo também verificou quais foram os desenvolvimentos considerados mais significativos das oito gerações de videogames. Para 46% dos entrevistados, os cartuchos de ROM foram a tecnologia mais impactante desenvolvida durante a segunda geração de videogames (1977-1983). Na quarta geração (1987-1994), 53% dos participantes acreditam que a tecnologia de maior impacto foram os microprocessadores de 16 bits.

Já durante a sexta geração (1997-2005), 31% afirmam que os avanços na unidade de processamento central e na unidade de processamento gráfico eram a tecnologia mais impactante da época.

Elena Bertozzi, membro da IEEE e professora associada de design e desenvolvimento de games na Universidade de Quinnipiac, acredita que existe uma mudança na forma em que os videogames são percebidos, aumentando sua popularidade e aceitação. "Eles não são mais considerados como algo que desperdiça o tempo de seus usuários. Os avanços ao longo das últimas oito gerações não só melhoraram a experiência do usuário e a qualidade geral de jogar, mas permitiram que a tecnologia seja utilizada em outras aplicações, como no aeroespaço e treinamento militar, ou motivar funcionários no local de trabalho", afirma.

Com isso em mente e olhando para o Brasil, Júlio Damasceno, membro brasileiro da IEEE e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, acredita que a área de jogos casuais está crescendo no país, tanto em jogadores como em desenvolvedores. "Algo que não pode ser deixado de fora é o crescimento do mercado de games casuais, pois a popularização das plataformas móveis e das redes sociais abriu caminho para trazer novos jogadores, muitas vezes com perfis diferentes dos tradicionais de consoles. Uma das coisas mais importantes nos jogos casuais é a capacidade de divertir os jogadores e a diversão proporcionada", conclui.