Mais do que gráficos, o remake de Final Fantasy VII precisa mudar seus combates

Por Durval Ramos | 03 de Agosto de 2015 às 16h14

O que muita gente considerava como algo impossível finalmente aconteceu e o tão esperado remake de Final Fantasy VII vai realmente deixar de ser um sonho. No entanto, a que preço?

Desde que a Square Enix revelou o game durante a conferência da Sony na última E3, muito tem se especulado sobre o que vamos encontrar nessa releitura de um dos maiores clássicos dos video games. Ainda que muita gente queira apenas uma renovação visual, já sabemos que muita coisa deve mudar — até já listamos o que gostaríamos de ver nesse sentido — e o próprio estúdio comentou sobre o assunto.

Em entrevista à revista Official PlayStation Magazine, o diretor Tetsuya Nomura afirmou que teremos "mudanças dramáticas" no sistema de combate, mas não especificou o que exatamente está por vir. E isso foi o suficiente para que muitos fãs mais conservadores criticassem a iniciativa, alegando que o modelo se batalha baseado em turnos é algo clássico e deveria ser mantido em respeito à obra original. Mas será mesmo?

Entendendo um remake

Para entender por que essa renovação nos combates de Final Fantasy VII é mais do que necessária, é preciso ter em mente o que é um remake e por que diabos ele existe.

Ainda que muita gente goste de dizer que isso vai "macular suas memórias", o principal objetivo é atualizar a obra original. Seja com jogos, filmes ou séries, um bom remake precisa renovar alguns conceitos para que ele continue sendo interessante às novas gerações. E, no caso de Final Fantasy VII, a jogabilidade é esse ponto fraco que precisa ser revisto.

Quando o game chegou ao PlayStation original, em 1997, os RPGs japoneses estavam em seu auge. E, por mais que a história de Cloud e Sephiroth tenha se tornado um marco por ser um dos primeiros títulos do gênero a adotar um visual 3D, a mecânica ainda seguia a mesma lógica que tínhamos até então no Super Nintendo. O sistema de turnos e encontros aleatórios que tanto cultuamos é, na verdade, a solução encontrada pela indústria para contornar as limitações dos consoles da época, que não conseguiam processar um combate com vários personagens e repleto de movimentos e efeitos visuais.

Contudo, duas décadas depois, a realidade é bem diferente. PlayStation 4 e Xbox One conseguem suportar com tranquilidade um combate ágil e repleto de magias e explosões sem que você tenha de apelar para a imaginação. A demonstração de Final Fantasy XV já deixou isso mais do que claro, assim como a própria série Kingdom Hearts, também do diretor Tetsuya Nomura.

Final Fantasy VII

Não é à toa que os RPGs japoneses perderam tanto espaço nos últimos anos. Os estúdios orientais insistiram por anos em um formato engessado, ignorando as possibilidades que a tecnologia oferecia, e o resultado foi a perda de interesse do público que passou a ficar interessado em jogos que ofereciam mais possibilidades e dinamismo. E é exatamente para corrigir essa falta de ritmo no combate por turnos que o sistema de combate precisa ser refeito em Final Fantasy VII.

Simplesmente não faria sentido insistir em algo datado apenas por fatores nostálgicos. Você consegue imaginar como seria o jogo, com aqueles gráficos vistos na E3, em que é preciso parar a cada meio minuto para enfrentar um inimigo e esperar sua vez de atacar? O Active Time Battle foi uma revolução na época, mas não estamos mais em 1997.

O histórico Final Fantasy

Além disso, a própria Square Enix parece estar atenta a essa necessidade de renovação e há tempos procura formas de atualizar as mecânicas da série sem se desprender totalmente de suas origens. O próprio Final Fantasy XII, de 2006, já tenta fugir desse formato mais engessado ao trazer algo um pouco mais dinâmico e próximo dos RPGs de ação, mas sem deixar de lado o gerenciamento de menus e as várias opções de ataque.

Já em Final Fantasy XIII, isso fica ainda mais claro. O primeiro game da franquia a chegar ao PlayStation 3 e Xbox 360 flertou ainda mais com a ação e, apesar de seus vários problemas, mostrou como o estúdio estava preocupado em reinventar a jogabilidade da série — culminando no já citado Final Fantasy XV.

Além disso, os fãs de Cloud parecem se esquecer de que Final Fantasy VII também deixou de lado o sistema de turnos outras vezes e nem por isso o resultado final foi catastrófico. Em Crisis Core, lançado para PSP em 2007, a jogabilidade clássica foi modernizada e conseguiu unir muito bem conceitos únicos da série com algo mais voltado para a ação — e nossa aposta é que o remake seguirá algo nesse sentido.

Assim, a Square Enix dizer que veremos grandes mudanças não é motivo para desespero. Na verdade, é um bom sinal e mostra que a empresa está realmente levando a sério a ideia de atualizar e reinventar seu maior clássico ao invés de simplesmente vir pelo caminho mais fácil. Para os saudosistas, o game de 1997 continua disponível na PSN e sem nenhuma alteração.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.