Injustice 2 agrada todos os tipos de gamers, mesmo com altos e baixos [Análise]

Por Sérgio Oliveira

A NetherRealm Studios vem surpreendendo os fãs de jogos de luta desde que lançou Mortal Kombat vs. DC Universe em 2008. E não estou fazendo uma piada com o jogo, que foi extremamente mal-recebido pelo público e alvo de muita chacota por aí.

A verdade é que o título inaugurou a onda de os jogos de luta terem um roteiro bem feito e um modo história bem construído. De todo o desastre que foi o game, salvaram-se essas duas características, que foram aprimoradas e reaproveitadas de maneira inteligente e satisfatória pela produtora em Mortal Kombat (2011). A fórmula alcançou seu auge em 2013, quando Injustice: Gods Among Us, à época apenas uma aposta de Ed Boon no universo da DC Comics, surpreendeu público e crítica e se tornou referência de um bom jogo de luta.

Pulando para 2017, a desenvolvedora nos apresenta a Injustice 2, que bebe bastante da fonte de seu antecessor e de Mortal Kombat, aprimorando bastante alguns elementos e deslizando em alguns outros. A trama dá sequência aos acontecimentos do primeiro título da série e põe fim à confusão de mundos paralelos que confundiu muita gente há quatro anos. Agora, tudo se concentra na realidade em que o Superman se tornou um tirano e levantou a bandeira do "bandido bom é bandido morto", o que ajuda a gente a entender melhor o que raios realmente está acontecendo.

História com altos e baixos

Diferentemente do que aconteceu no primeiro game, a história de Injustice 2 dá menos rodeios e vai direto ao ponto. O Superman está sem poderes e preso, enquanto o Batman tenta reerguer o mundo e limpar toda a destruição deixada pelo último confronto.

O problema é que enquanto o Homem-Morcego faz isso, uma nova ameaça se aproxima da Terra: Brainiac. Responsável pela destruição de Krypton, o alienígena não só quer fazer o mesmo com o nosso planeta como também "colecionar" o último "exemplar" de kryptoniano que existe por aí. Vendo que é impossível derrotar o inimigo sozinho, Batman reúne seus aliados, forma uma aliança com o Superman e pede ajuda a antigos inimigos para salvar o mundo - algo bem interessante, já que vemos, por exemplo, uma Arlequina lutando ao lado do Morcegão.

É uma fórmula muito parecida com a que vimos no primeiro Injustice e também em Mortal Kombat X, mas que aqui ganha alguns ingredientes extras. Por exemplo: em alguns capítulos o jogador pode escolher com qual super-herói vai enfrentar o inimigo. A adição é extremamente interessante, sobretudo se levarmos em conta que os personagens à disposição têm mecânicas diferentes e podem ser aproveitados de maneiras distintas dependendo do oponente.

Apesar desse poder de escolha dado ao jogador, Injustice 2 peca nas opções oferecidas ao longo da história como um todo. Alguns personagens recebem muito destaque e são controlados em mais de uma oportunidade, enquanto outros são quase figurantes, sendo esquecidos (literalmente) ao longo da história.

Desta vez, o grande vilão da história é Brainiac, que na realidade do jogo foi quem destruiu Krypton. Agora, ele quer fazer o mesmo com a Terra, mas não sem antes adicionar o Superman à sua
Desta vez, o grande vilão da história é Brainiac, que na realidade do jogo foi quem destruiu Krypton. Agora, ele quer fazer o mesmo com a Terra, mas não sem antes adicionar o Superman à sua "coleção"

E já que falamos da história, sua objetividade (destacada anteriormente) é um ponto bastante positivo até percebermos que há alguns furos aqui e acolá. Ela falha principalmente em situar o jogador e explicar, por exemplo, por que pombas o Arqueiro Verde está vivo, forçando muita gente a ter de recorrer aos quadrinhos que se originaram a partir do primeiro jogo para entender tudo. Em outros momentos, tudo se torna simplório demais e basta uma troca de olhares mais tortos para que os personagens caiam na porrada, sem um motivo forte o suficiente para isso. É o tipo de tropeço que pode tornar as coisas um tanto superficiais aqui e acolá e incomodar os mais exigentes.

Se por um lado o roteiro comete lá seus pecados e dificulta mergulharmos de cabeça em Injustice 2, a dublagem faz justamente o contrário. Com as vozes oficiais dos personagens nos desenhos e filmes, o trabalho é impecável e adiciona uma camada extra de emoção, sobretudo pelo retorno de Márcio Seixas como a voz do Batman. Além dele, o time conta com Guilherme Briggs, Priscila Amorim, Marcelo Garcia, Iara Riça, Wendel Bezerra, Márcio Simões e outros, uma prova do investimento e comprometimento da Warner Games Brasil com o público brasileiro.

Apesar do novo vilão, o jogador logo perceberá que o Superman continua sendo uma ameaça significativa e pode dificultar os planos de manter a paz no planeta
Apesar do novo vilão, o jogador logo perceberá que o Superman continua sendo uma ameaça significativa e pode dificultar os planos de manter a paz no planeta

Batalhas para todos

O esquema de batalhas de Injustice 2 é bem parecido com o de seu antecessor, apesar de apresentar algumas melhorias e adições que saltam aos olhos. Retornam as mesmas mecânicas de luta, que envolvem a aplicação de combos, golpes especiais e a utilização da barra de Super para ataques mais fortes ou fugas inesperadas. É a manutenção dessas características que faz com que o game ainda seja acessível para jogadores de diferentes níveis, evitando o "estranhamento" também por aqueles que já tiveram contato com o título anterior.

As batalhas mantêm os elementos que deram certo no primeiro Injustice e também trazem adições interessantes, antes vistas apenas em Mortal Kombat X
As batalhas mantêm os elementos que deram certo no primeiro Injustice e também trazem adições interessantes, antes vistas apenas em Mortal Kombat X. O capricho gráfico, interação com os cenários e cenas de transição são outros pontos que merecem destaque

Apesar disso, algumas adições chegaram para encorpar a experiência principalmente daqueles que buscam mais desafios e/ou querem levar a pancadaria mais a sério. É o caso, por exemplo, da nova esquiva ao custa de uma porção da barra de Super. Os tech rolls do Mortal Kombat X foram incorporados, permitindo que o jogador role ao cair no chão ou atrase o momento de se levantar. Outra adição é o tech air, que permite escapar de combos aéreos. São todas adições bastante técnicas e que provavelmente só serão usadas por jogadores mais experientes, influenciando pouco a vida de quem está simplesmente querendo esmagar alguns botões.

Monte o seu personagem, do seu jeito

Quem quer ir mais a fundo e explorar as entranhas de Injustice 2 vai descobrir que a NetherRealm trouxe elementos de RPG para incrementar a jogatina. Principal novidade do jogo, a personalização dos personagens permite evoluir seus lutadores favoritos de acordo com seu desempenho nos combates. E é nas lutas do modo Multiverso que muita gente se entope de dinheiro e partes que, quando equipadas, adicionam pontos extras de força, destreza, energia e resistência aos lutadores.

Nessa nova modalidade, o jogador precisa cumprir missões em diversas Terras paralelas que somem depois de um determinado tempo. Cada uma delas apresenta sequências diferentes e aleatórias de desafios, que vão desde enfrentar uma dezena de oponentes a lutas sem barras de vida, com a gravidade alterada e até de ponta cabeça. Objetivos adicionais também aparecem no meio das batalhas e, quando cumpridos, rendem ainda mais recompensas.

Entre as recompensas estão skins, que permitem modificar a aparência dos personagens com novas roupas, cores, cabelos e tudo o mais
Entre as recompensas estão skins, que permitem modificar a aparência dos personagens com novas roupas, cores, cabelos e tudo o mais

Engana-se, porém, quem pensa que essas recompensas tornam Injustice 2 mais fácil ou algo do tipo. Para falar a verdade, elas vêm na forma de Caixas Maternas, que, quando abertas, fornecem itens aleatórios e que nem sempre pertencem ou podem ser usados pelos seus personagens favoritos. E isso é um problema, já que a gente acaba entulhando um monte de capacetes, braceletes e armaduras de personagens que não temos qualquer vontade de jogar.

E mesmo quando conseguimos montar um Batman ou um Superman dos sonhos, é bom ter cuidado para não se acomodar demais e achar que em todas as partidas eles vão desferir golpes cujo dano tira metade da barra de vida do oponente. Em partidas ranqueadas, por exemplo, essa "tunagem" não é permitida e muita gente pode se dar mal por ter se acostumado a jogar com um personagem ideal. Portanto, fica o aviso e a dica para dominar seu personagem favorito com seus atributos originais.

Vale a pena?

Independentemente de você ser um jogador mais casual ou alguém que procura desafios maiores, Injustice 2 vai recebê-lo bem. Apesar de um tropeço aqui e outro acolá, o modo história agrada bastante principalmente aqueles que estão em busca de curtir algumas horas de jogatina. Nesse caso, a experiência dura de duas a quatro horas e acaba sendo ampliada pelo modo Multiverso, que traz desafios para todos os gostos.

As novas adições às mecânicas do título refinam o sistema de combate e exigem mais técnica e precisão do jogador que quiser se profissionalizar no título, que está tendo campeonatos oficiais organizados pela Warner em todo o mundo. Nesse caso, a curva de aprendizagem é mais acentuada, demandando mais empenho e que o jogador se mantenha, até certo ponto, afastado das customizações dos personagens.

Em ambos os casos, Injustice 2 é um excelente game e definitivamente um dos melhores de luta que já pude jogar. A diversão é garantida, seja sozinho, no multiplayer online ou local -- e agrada a todos os tipos de jogadores.

Injustice 2 está disponível para PlayStation 4 e Xbox One. Esta análise foi feita com uma cópia cedida gentilmente pela Warner Bros. Games

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