Iniciativa #MyNameMyGame combate abuso e opressão às mulheres gamers

Por Redação | 25 de Janeiro de 2018 às 11h38
Divulgação

O mercado de games hoje é enorme: duas vezes maior do que a indústria do cinema. Como se isso não fosse suficiente, a área é bastante equilibrada quando se trata de gênero. Há representantes de ambos os sexos dos dois lados da balança, e 46% do público que joga videogames é composto por mulheres, segundo a pesquisa Game Consumer Insights publicada em 2017.

Todavia, fazer parte de um número majoritário em um meio como o dos games não quer dizer muito — em especial se você for uma mulher. Prova disso são as inúmeras gamers que já sofreram algum tipo de assédio sexual ou bullying em jogos online, sejam estes competitivos ou não. Para evitar este tipo de transtorno, a saída mais comum entre as mulheres é esconder a identidade, geralmente entrando em partidas usando nicknames masculinos ou neutros.

Um outro estudo, este publicado pela Universidade Estadual de Ohio, no EUA, aponta para um número alarmante de casos do tipo. De acordo com a pesquisa, 100% das mulheres que jogam games por pelo menos 22 horas semanais já sofreram algum tipo de assédio.

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Luz no fim do túnel

Para reverter esta problemática situação de desigualdade e conscientizar e combater a opressão e o abuso que as mulheres sofrem na indústria dos games foi que nasceu o movimento #MyNameMyGame. A ação é liderada pela ONG Wonder Women Tech (WWT), que luta pelo empoderamento feminino ao redor do mundo.

No Brasil, a iniciativa formou parcerias inéditas e exclusivas com os maiores youtubers do país, cujos conteúdos são voltados para games. A proposta sugere que os criadores utilizem nicknames femininos enquanto jogam online, para sentir na pele o que as mulheres passam em situações do tipo.

Alguns dos youtubers, a pedido da ONG, utilizaram os nomes de mulheres próximas, como mães, irmãs, namoradas, como se fossem os seus, para assim se passarem por alguém do sexo feminino jogando online. Com a identidade proposital e temporariamente alterada, os gamers então gravaram as partidas para viabilizar o experimento.

“Grandes problemas demandam grandes esforços”

As experiências resultaram em pedidos por um mundo virtual mais respeitoso e igualitário, recados para que seus seguidores respeitem as mulheres, e a criação e difusão da hashtag #MyGameMyName que representa o movimento.

Para Ariane Parra, fundadora da organização Women Up, voltada ao empoderamento feminino nos games e uma das parceiras oficiais do projeto, apesar de hoje ser possível denunciar jogadores que trapaceiam utilizando ferramentas de hack, o mesmo não se aplica a comportamentos tóxicos, ou ainda mensagens impróprias, sejam estas por texto ou áudio. “As jogadoras nunca sabem se o processo realmente funciona e se o denunciado foi punido de alguma forma”, comenta.

Já Lisa Mae Brunson, da Wonder Women Tech, acha injusto que uma menina tenha de esconder sua própria identidade só porque algumas pessoas não sabem como se comportar quando jogam com uma garota ou mulher. “Então, nos perguntamos: por que a indústria possui ferramentas para evitar trapaças e pirataria, mas não toma medidas eficazes sobre assédio sexual e bullying? Grandes problemas demandam grandes esforços. Não é uma tarefa fácil, por isso estamos recrutando os maiores gamers e influenciadores para participar dessa iniciativa e juntos começarmos a mudar o jogo”, afirma.

Fonte: #MyNameMyGame

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