FIFA 17 une renovação e tradição para os jogadores: leia nossa análise!

Por Leandro Souza
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OK, então chegou FIFA 17, a parte que faltava para completar a nova temporada futebolística nos videogames - caso você ainda não conferiu, aqui está a análise que fizemos sobre o Pro Evolution Soccer, o melhor PES em muitos anos. Mas como esta é uma análise sobre a nova edição da franquia da EA, vamos nos ater ao assunto principal. O comparativo é coisa para outro texto.

A série FIFA, atual campeã na disputa entre os fãs, prometeu mudanças signifcativas em sua edição 2017 para surpreender os fãs, mas também para atrair uma nova audiência de jogadores. Novos gráficos, modos inéditos e, obviamente, retoques em sua jogabilidade, refinando o que já estava certo em edições anteriores, mas também fazendo ajustes capazes de trazer outros desafios mesmo para os gamers de fé da franquia.

Mas no final das contas, será este o ano que a série da EA conseguirá ser ofuscada pelo brilho reaceso da Konami e sua clássica franquia? Bem, er, talvez...

A mordida do Frostbite

E eis que temos um motor gráfico novo em FIFA: já consagrado nos games da Dice e franquias como Battlefield, o Frostbite chega prometendo gráficos mais realistas e texturas impressionantes nos modelos dos jogadores em campo, assim como o Fox Engine fez quando estreou em PES há dois anos.

A promessa foi cumprida com êxito: as animações de entrada nos jogos, assim como detalhes nos intervalos entre as jogadas mostram um realismo acentuado, com a combinação dos jogadores, a luz nos estádios, até mesmo a movimentação da grama quando rola a "gorduchinha'. O realismo fica ainda mais acentuado fora das quatro linhas: no campeonato inglês foram incluídos modelos de todos os treinadores. Entre uma jogada e outra é possível ver reproduções de José Mourinho (do Manchester United) e Josep Guardiola (do rival Manchester City) dando suas ordens para os jogadores.

Em certos momentos, essa preocupação com os gráficos chega a ser realista demais. Em algumas arenas, durante jogos diurnos em que o campo está parcialmente iluminado pelo sol, as áreas ensolaradas são mais difíceis de ver, tal qual uma transmissão ao vivo na vida real. Até entendo o por quê de algo assim, mas chega a atrapalhar a jogabilidade eventualmente.

Mesmo assim, no geral, o trabalho da EA ao adotar o Frostbite para levar adiante os gráficos de sua franquia de futebol está de parabéns. Pela primeira vez na nova geração parece que FIFA renovou seus gráficos, ao invés de aparentemente subir a resolução do 720p para o 1080p.

A bola pune

Se PES 2017 se preocupou em entregar uma experiência fluida e agradável ao extremo para o jogador, sem deixar de lado a preocupação com realismo de um simulador de futebol, o novo FIFA optou por um caminho bem diferente. Diferente ao ponto de penalizar o jogador iniciante em favor de fazer o seu futebol parecer o mais real possível. O ritmo das partidas está ainda mais cadenciado, com o toque de bola ganhando mais espaço do que nunca. Leva um bom tempo para se acostumar, mas esse desafio desperta um novo interesse.

O foco no toque de bola está maior pois a mecânica de contato nas disputas de bola foi sensivelmente calibrado. Apesar de jogadores velozes como Aubameyang, do Borussia Dortmund, e Bale, do Real Madrid, continuarem uns DIABOS ao correr com a bola, agora os marcadores e jogadores fortes fisicamentes (como Paul Pogba) estão muito mais poderosos para desequilibrar os atacantes em domínio da bola. Ah, e os marcadores da AI estão bem mais inteligentes também, assim como os goleiros.

Além disso, a mecânica de proteger a bola com o corpo está mais fortalecida, o que pode irritar jogadores que odeiam uma catimba dos oponentes. Entretanto, para quem não tem o costume de controlar seu jogador em torno do próprio eixo - o famoso "drible" sem sair do lugar - vai ter que rever seus conceitos em FIFA 17. Jogadores mais experientes de FIFA tambem sentirão diferenças na física da bola, agora com chutes que mergulham abruptamente e enganam o goleiro.

Antes que alguém mencione: as mecânicas de pênalti, faltas e escanteios também mudaram, mas não é nada assim não grave. Apenas uma questão de se adaptar - e sim, os novos modelos estão melhores.

Curtindo a Jornada

Agora sim, a grande novidade de FIFA 17: o modo história. Uma tentativa da EA em conquistar um novo público para uma franquia que já tem uma base fiel, a jornada de Alex Hunter das categorias de base até a glória na Premier League é boa, mas não tanto quanto poderia ser, não indo muito além de outras experiências já feitas, seja por rivais como a 2K (em NBA 2K16) ou até mesmo a EA (em Friday Night Champion, game de boxe para a geração anterior).

O novo modo oferece toques interessantes, como a possibilidade de controlar apenas Hunter ou o time inteiro nas partidas, assim como diversos exercícios de treinamento, o que pode ser bom para jogadores iniciantes. No campo, porém, ela é praticamente como um modo carreira nos anos anteriores - e sim o modo carreira está no jogo do mesmo jeito que o conhecemos. Entretanto, a narrativa que é apresentada no meio desta experiência faz a diferença.

Baseada em um ótimo trabalho de elenco (parabéns para a EA em manter a dublagem em inglês com legendas em português) e uma trilha emocionante de Atticus Ross (de A Rede Social), as cutscenes que contam a história são bem feitas e engajam o jogador, mesmo que a trama tenha diversos clichês e não tenha tanta interatividade como se esperava, com diversos momentos "sobre trilhos". Além disso, em algumas cutscenes de entrevistas, em que é possível escolher as respostas de Hunter, várias situações se repetem, o que pode ser meio chato, e as repercussões destes diálogos interativos a la Mass Effect não criam o impacto esperado na história. Mas ok, vamos dar um desconto de principiante para a EA.

De qualquer forma, a jornada de Hunter de jovem promessa a estrela do campeonato inglês é capaz de deixar até os não-viciados em FIFA interessados em cumprir a campanha de cerca de 12 horas. Sem contar que ela abre um ótimo precedente para a EA, que pode expandir esse universo em próximos títulos, seja com Hunter ou levando o modo para outras ligas - uma história na liga espanhola ou no campeonato italiano seria demais.

Mantendo o reinado

Falem mal dos servidores da EA - hoje em dia já virou piada recorrente - mas FIFA é e provavelmente continuará o campeão para os jogadores de futebol online. Para a sua nova edição, a EA preparou novos recursos para manter o interesse dos jogadores em uma de suas "galinhas dos ovos de ouro", o Ultimate Team. Além do FUT Draft, apresentado no ano passado, agora o modo tem desafios de montagem de elencos para receber prêmios exclusivos. São novas adições que provavelmente renovarão o interesse dos jogadores fiéis depois de algumas decepçoes no FIFA 14.

Outro ponto no qual FIFA ainda não será batido por PES tão cedo: a apresentação das partidas. Desde os menus do jogo, que continuam fluidos e agradáveis, até a narração do jogo, tem uma preocupação clara em se comunicar com os fãs do "jogo bonito". O trabalho de voz de Tiago Leifert e Caio Ribeiro, mesmo que com algumas frases novas, continua a mesma coisa de sempre, caminhando sobre aquela linha fina entre o irritante e o engraçado - tem uma piada com o Caio recitando o "um, dois, feijão com arroz" que eu rachei o bico mesmo.

Chega a ser meio óbvio dizer isso, mas outro destaque da franquia está no licenciamento das principais ligas europeias, assim como outras ao redor do mundo. A América Latina poderia, como sempre, receber um pouco mais de capricho, com jogadores mais parecidos com os reais, e nomes verdadeiros dos jogadores, mas é algo que pode ser resolvido com um patch futuro. Vamos aguardar.

Ainda o campeão?

Sim, ainda não foi esta vez que Pro Evolution Soccer recuperou seu reinado dos jogos de futebol. O título da EA ainda oferece a experiência mais completa para quem quer jogar futebol eletrônico. A jogabilidade ficou ainda mais desafiadora, o que pode ser intimidante para jogadores casuais. Entretanto, modos como o "A Jornada" podem fazer esta ponte. No final das contas, FIFA 17 promove algumas de suas maiores mudanças desde que chegou à nova geração de consoles, de olho em um novo público, mas ainda assim se mantém familiar para os gamers fiéis. Um game bastante renovado, mas com a dose certa de "mais do mesmo" para agradar a torcida.

*FIFA 17 está disponível para PC, PS4, PS3, Xbox One e Xbox 360. A cópia utilizada nesta análise foi a de Xbox One, cedida pela WB Games.