Entenda a polêmica e porque a Valve voltou atrás na venda de mods no Steam

Por Redação | 28 de Abril de 2015 às 08h27

Desde que a Valve decidiu monetizar a venda de mods de jogos dentro do Steam, a comunidade inteira se dividiu. De um lado, os criadores de conteúdo comemoraram a possibilidade de receber por suas criações. De outro, a decisão comercial da empresa desagradou os usuários.

A discussão toda começou na última quinta-feira (23), quando a empresa anunciou que implementaria uma forma de monetização na sua plataforma de distribuição de mods dentro do Steam, o Workshop. No primeiro momento, a decisão se aplicaria somente ao jogo The Elder Scrolls V: Skyrim, um dos jogos mais populares e com comunidade mais ativa quando o assunto é mods. Mas logo a ideia desandou.

Após quatro dias de muita polêmica e discussão, na noite desta segunda-feira (27), a Valve decidiu voltar atrás de sua decisão e removeu toda a monetização dos mods que haviam sido precificados. Através de um post no Steam Workshop, a empresa reconheceu que "não tinha entendido exatamente" o que tinha feito e que agora estava claro que a nova forma de divisão de receita não tinha sido bem recebida pela comunidade.

"Nós subestimamos as diferenças entre os nossos modelos de divisão de receita anteriores e a adição de mods pagos para o Skyrim. Nós entendemos bem as comunidades de nossos próprios jogos, mas entrar na estabelecida comunidade de modificação de muitos anos do Skyrim provavelmente não era o lugar certo para começar. Nós erramos o alvo bem longe, mesmo que acreditemos que haja alguma função útil aí", escreveu a empresa no comunicado.

Na mensagem, a empresa afirmou novamente que o plano original era permitir que criadores de conteúdo recebessem alguma receita por seu trabalho, além de criar um ambiente de maior suporte para esses desenvolvedores. A empresa também citou jogos como Dota, Counter-Strike, DayZ e Killing Floor como potenciais adições para a plataforma.

Até o anúncio da retirada da monetização dos mods em Skyrim, a principal questão de divergência é que muita gente não viu sentido em pagar pelo conteúdo modificado de um game. Os mods sempre foram um dos grandes diferenciais dos PCs e, de acordo com quem é contra a política, a medida da Valve tentava simplesmente capitalizar aquilo que as pessoas vêm fazendo há anos e totalmente de graça.

É claro que há toda uma questão legal em torno do assunto. Afinal, essas alterações ainda se baseiam no título original e faz sentido que a desenvolvedora receba algo nesse sentido, assim como a pessoa que criou a nova versão. Desse modo, as porcentagens de venda irem para o autor e para a produtora — a Bethesda, no caso de Skyrim — fazem bastante sentido. Só que o fato da empresa de Gabe Newell também levar uma boa fatia desse valor foi um dos fatores que deu início a toda a revolta.

Além disso, a partir do momento em que a Valve começou a ficar de olho nesse tipo de conteúdo e a transformá-lo em produto para venda, outros problemas começaram a surgir.

Na semana passada, um dos primeiros mods disponibilizados para a venda foi retirado pouco tempo depois sob a alegação de se basear no trabalho de outros programadores. Como muitas dessas modificações são feitas em cima de outras alterações, fica muito complicado organizar a venda e dizer quem criou do zero e quem partiu de um ponto específico deixado por outra pessoa.

Skyrim

Isso era algo que nunca incomodou a comunidade até então, mas que passou a ser um problema a partir do momento em que o Steam transformou a brincadeira de muitos em produto.

A situação começou a ficar ainda mais complicada quando os próprios usuários começaram a cogitar que a nova política iria acabar com a cultura dos mods. Afinal, sendo pago, você não vai experimentar e procurar novas formas de ampliar seu jogo, optando por investir em algo que você sabe que vale a pena. Isso fez com que muitos imaginassem que veremos uma polarização em determinados conteúdos, enquanto outros serão sumariamente ignorados pelas pessoas.

Diante disso, o presidente da Valve, Gabe Newell, foi até o Reddit para comentar um pouco sobre todas as polêmicas e tentar fazer com que as pessoas se acalmassem. No fórum, Newell afirmou que a empresa tiraria o formato do ar se ele fosse realmente prejudicial comunidade de jogadores de PC.

De qualquer forma, essa é uma novela que certamente ainda vai demorar para chegar a uma conclusão. Apesar de ter tirado Skyrim da reta, a mensagem da Valve dá a entender que a monetização de mods não foi uma ideia completamente riscada dos planos da Valve. Por ora, só podemos esperar para ver se a Valve retorna com plataforma com outro catálogo de jogos para vermos se a confusão vai se ampliar — a não ser, é claro, que a empresa consiga convencer seus consumidores de que a novidade era realmente tão benéfica quanto ela prometeu.

Via: Übergizmo, PC World, Steam

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