Em mais uma polêmica, G2A é acusada de tentar comprar elogios da imprensa

Por Felipe Demartini | 10 de Julho de 2019 às 09h35

O marketplace de jogos digitais G2A voltou a estampar o noticiário de tecnologia após ser acusado de tentar comprar a publicação de matérias favoráveis na imprensa especializada. Pelo menos 10 veículos ou influenciadores teriam recebido, por e-mail, uma proposta de publicação de artigo patrocinado sobre como a venda ilegal de chaves para games de PC seria impossível.

A proposta feita pela companhia foi analisada por sites da imprensa internacional e também denunciada nas redes sociais por alguns dos que a receberam. A ideia da G2A, assinada por um representante chamado Adrian, é que o artigo, citado como “imparcial”, fosse publicado nos sites em questão sem a marcação de se tratar de um conteúdo patrocinado ou afiliado a companhia. Seria parte, segundo ela, de uma campanha para melhorar a imagem da marca e informar o público sobre o funcionamento de seu modelo de negócios.

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Esse tipo de atitude é antiética, para dizer o mínimo, enquanto alguns países da Europa e os Estados Unidos possuem leis que proíbem especificamente a publicação de conteúdo patrocinado sem a indicação de se tratar de publicidade. Ainda assim, a G2A pede que isso seja feito por um valor que não foi especificado e em prol de um artigo próprio que, na visão dela, é uma abordagem “transparente” do problema da revenda de chaves roubadas de jogos para PC.

Não ajudou muito o fato de a proposta ter sido feita apenas uma semana depois de uma polêmica envolvendo, justamente, essa questão, quando Mike Rose, diretor da publicadora No More Robots, afirmou que prefere ver os jogadores pirateando seus jogos do que os adquirindo por meio da G2A. Segundo ele, de qualquer uma das duas maneiras, os desenvolvedores originais não receberão nenhuma parcela do dinheiro investido, então é melhor aqueles que não possuem relação alguma com o trabalho original também não ganhem com isso.

A mensagem foi publicada no Twitter depois que Rose notou a aparição de anúncios de um dos principais títulos de sua publisher, Descenders, aparecendo em uma pesquisa no Google. As propagandas surgiram acima até mesmo de links oficiais e, conforme demonstrou, nem mesmo poderiam ser desligadas. A oferta era de preços mais baixos do que nos marketplaces oficiais, uma das características das ofertas da G2A, citadas como obscuras pela imprensa.

As palavras foram reforçadas por outros desenvolvedores independentes, como a RageSquid, responsável pelo título Action Henk, e Rami Ismail, de Vlambeer. O segundo foi além, afirmando ainda que a venda de chaves roubadas não apenas reduz o faturamento, mas também gera gastos adicionais com serviços de suporte quando chaves são revogadas por plataformas como a Steam ou débitos indevidos são feitos nos cartões de créditos dos usuários.

A resposta oficial

Em resposta oficial dada por meio do Twitter, a G2A taxou a atitude de seu representante como “inaceitável” e disse que ele sofrerá consequências. Foi a própria empresa quem confirmou o envio da proposta a 10 veículos da imprensa especializada, uma atitude que teria sido tomada sem o conhecimento ou autorização da diretoria e que vai contra a política da companhia.

Em entrevista, o diretor de comunicações do marketplace, Maciej Kuc, disse que é prática comum na empresa realizar parcerias de publicação de conteúdo ou oferta de descontos junto a influenciadores, mas que tais iniciativas sempre precisam ser evidenciadas para o público.

Já sobre o embate com desenvolvedores independentes, a G2A se defendeu, afirmando que a revenda de chaves faz parte do negócio de games para PC e negando que seu marketplace seja palco para a comercialização de títulos roubados ou obtidos de forma irregular. De acordo com a companhia, caso ela própria não existisse, outros serviços tomariam seu lugar e esse tipo de dinâmica não deixaria de existir pois “as pessoas têm o direito de revenderem aquilo que possuem”.

Falando sobre as mais recentes polêmicas, Kuc disse ainda que a empresa está disposta a se submeter a uma auditoria de seu catálogo de jogos em busca de irregularidades ou chaves roubadas e que está em contato com grandes empresas de consultoria para fazer isso. Segundo ele, mais informações sobre este trabalho serão reveladas ainda nesta semana.

Fonte: Polygon, GamesIndustry

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