Diretor de God of War diz que a série está amadurecendo com o mercado

Por Redação | 21 de Junho de 2016 às 12h27

God of War foi um dos anúncios mais esperados e, simultaneamente, também um dos mais surpreendentes da última edição da E3. OK, pouca gente ainda não sabia que haveria um novo jogo da franquia e que a mitologia da vez seria a nórdica — até porque, vá lá, não sobraram muitas divindades no Monte Olimpo. O que estupefez muita gente, entretanto, foi a figura relativamente distinta do eternamente raivoso Kratos.

Após vender mais de 20 milhões de cópias com base em uma vingança desenfreada contra os deuses, o herói apareceu na demonstração levada aos palcos do evento ligeiramente envelhecido, obviamente mais maduro e encarnando a figura de um pai zeloso, conduzindo e protegendo seu rebento.

Uma mudança de tom das mais relevantes, sem dúvida, e também um salto arriscado para uma série parruda e bem estabelecida. “Eu não dormi por vários dias [antes da apresentação], apertando e ajustando tudo”, revelou o diretor do game, Cory Barlog, em entrevista ao site VentureBeat. Na ocasião, ele também explicou a decisão de dar uma nova cara à máquina de matar semidivina da Sony.

god of war

Audiência mais madura

O recolorido Kratos não foi o fruto de uma decisão pouco refletida. Antes, a ideia ocorreu à Sony Santa Monica em resposta ao que foi enxergado como uma alteração na audiência típica de blockbusters particularmente truculentos. Basicamente, além de espalhar sangue e vísceras sobrenaturais, um novo God of War também poderia ser palco para a narração de uma boa história.

“Eu percebi que as pessoas estavam aceitando melhor os jogos grandes em que não é preciso gritar o tempo inteiro — eu vi nisso uma oportunidade para nós”, disse Barlog ao VentureBeat. “É legal assumir o controle e poder contar histórias em uma tonalidade emocional diversa. Nós sempre ficamos no esquema ‘RAAARGH!’.”

Uma nova chance para Kratos

A nova proposta começou a ganhar forma conforme Barlog amadurecia a ideia de dar ao herói uma nova chance para ser um pai, algo que, não obstante, foi recebido com algum ceticismo (justificado) por parte da equipe de Santa Monica. A nova paternidade, de fato, deveria complementar o perfil relativamente egoísta e despropositado de Kratos. Trata-se, portanto, de apresentar algo “além dele” e que “o motive a mudar”.

God of War

“Ele sabe há um bom tempo que precisa mudar”, colocou o diretor. “Mas essa mudança parte de não querer repetir novamente os erros do passado.” De qualquer forma, entre os 12 profissionais diretamente investidos de autoridade para decidir o futuro do espartano, não faltou quem apontasse o óbvio: God of War foi construído com cenas apoteóticas e câmeras cinematográficas. “Nós ficamos nisso inicialmente, considerando que ‘Isso é o que nós fazíamos’.”

Uma lição de Star Wars

Para contrabalançar as coisas em favor de um novo Kratos de emoções menos monolíticas — digamos, algo além de esbravejar ensandecidamente contra qualquer coisa que brotasse do Olimpo —, surgiu o exemplo dos seriados televisivos. “A TV é um grande formato no qual as pessoas podem desenvolver um relacionamento com os personagens durante um longo período de tempo.”

Conforme coloca Barlog, o tempo de envolvimento com um personagem na televisão permite que, eventualmente, um sujeito odiado passe a ser adorado — e vice-versa. Para tanto, ele menciona a live-action abandonada de Star Wars, cujos roteiros acabaram servindo de inspiração para o direcionamento do novo God of War.

God of War

“Eles conseguiram transformar o Imperador em uma figura empática que havia sido enganado por uma desgraçada de uma mulher sem coração”, conta o desenvolvedor. “Ela era essa gangster incondicional que simplesmente o destruiu como indivíduo — eu quase chorei enquanto lia aquilo.”

Reflexo da própria paternidade

Mas a direção narrativa atípica do renascido God of War é tanto um reflexo do público quanto da indústria — ou, particularmente, das pessoas responsáveis por dar vida à série, criatura que sempre trará em si um reflexo do criador. “Muitos de nós, criadores de videogames que começaram por volta da mesma época, estamos atingindo um período em nossas vidas no qual vemos o mundo através de lentes distintas”, contou o diretor.

“Criativamente, nós vemos as coisas de forma diferente, porque todos nós estamos tendo filhos — todos nós estamos experimentando mudanças em nossas vidas.” Para o desenvolvedor, a nova fase da vida levou os criadores a desenvolver uma inclinação mais introspectiva, o que, em certa medida, também garantiu a coloração distinta do novo herói. “A audiência, eu penso, também quer o mesmo, e, para mim, essa é a melhor parte.”

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Do temor à ovação

Seja por conta das novas direções ou a despeito delas, fato é que o novo God of War causou bastante burburinho durante e após a última edição da E3 — embora Barlog admita boa dose de tensão pré-palco. “Eu não estava nervoso por conta de jogar na frente de milhões de pessoas, isso não me incomodava”, contou o diretor ao VentureBeat. “Quero dizer, eu terminaria [a apresentação] e alguém deveria bater palmas, certo?”

Não obstante, o resultado foi uma ovação respeitável. “Eles realmente estavam aplaudindo, e isso foi inesperado e maravilhoso.” Bem, resta agora esperar por mais detalhes sobre as desventuras do novo-velho Kratos e seu herdeiro.

God of War deve marcar a oitava iteração da série premiada da Sony, representando uma sequência direta dos eventos descortinados em God of War III. Espécie de reboot comedido da franquia, o título volta os olhos agora para a mitologia nórdica e também revê boa parte da jogabilidade desenvolvida ao longo dos anos, pendendo mais para um RPG, sobretudo em relação à movimentação da câmera (agora livre sobre os ombros) e o desenvolvimento do personagem ao longo da trama. O game será lançado exclusivamente para o PlayStation 4, embora ainda sem data definida.

Fonte: VentureBeat.

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