Dia do Futebol | 8 coisas que só acontecem no futebol de videogame

Por Rafael Rodrigues da Silva | 18 de Julho de 2019 às 13h16

Enquanto um jogo de futebol pode ser definido por 22 pessoas correndo atrás de uma bola, um jogo de futebol no videogame quase sempre foi o refúgio daqueles que não têm nem o condicionamento físico e nem a habilidade motora para jogar com uma bola de verdade.

Claro, isso tem mudado nos últimos anos, e jogos como FIFA e PES têm se tornado o passatempo oficial de diversos profissionais do esporte, mas mesmo com essa aproximação recente ainda há uma clara divisão entre o futebol real e o virtual, que se mantém como entidades diferentes, com públicos específicos e que muitas vezes não se interlaçam (existem pessoas que gostam apenas de jogos de futebol e não curtem assistir o esporte real, enquanto ainda é grande o número de amantes de futebol que não ligam para videogames).

Por conta dessa virtual separação, o mundo do futebol nos videogames possui suas próprias lendas, histórias e craques. Para comemorar o Dia do Futebol, então, o Canaltech preparou essa lista para lembrar de algumas dessas histórias que são características do futebol nos videogames.

O craque virtual que é mais famoso que sua inspiração real

Enquanto a vida real está cheia de craques de futebol eternizados na história por seus feitos com a bola nos pés, nenhum deles chega perto da lenda que é Allejo nos videogames.

Craque do jogo International Superstar Soccer, Allejo era, como todos os outros do jogo, um jogador inventado pela KONAMI devido ao fato de a empresa não possuir os direitos de imagem sobre nenhum dos atletas de nenhuma das seleções mostradas no jogo.

Atacante brasileiro com a camisa 7, Allejo foi inspirado no craque Bebeto, mas sua lenda nos videogames é muito maior do que a do atacante que fez fama jogando pelo Flamengo, Vasco e Deportivo La Coruña. Com ótimas estatísticas de velocidade, drible, impulsão e chute, Allejo é um dos artilheiros mais mortais da história do videogame, sendo praticamente imbatível tanto com a bola nos pés quanto em jogadas aéreas na grande área.

Não se sabe exatamente computar quantos gols Allejo já marcou em sua carreira, mas estima-se que mais de 7 milhões deles foram feitos com o artilheiro da camisa 7 por jogadores de International Superstar Soccer no mundo todo. A fama do craque entre os gamers é tanta que ele não apenas já foi introduzido pela Konami em alguns de seus jogos mais recentes (como o PES 2016) como jogador lendário ao lado de nomes como Pelé, Maradona e Zico. Ironicamente, Allejo fez parte da lista de jogadores lendários da franquia PES anos antes de sua contraparte real (Bebeto só foi lembrado pelo jogo no PES 2019), o que ilustra bem como Allejo deixou de ser apenas uma “inspiração” e se tornou um craque por si próprio.

Juiz cachorro

Em inglês, um dos xingamentos mais direcionados ao juiz de um jogo de futebol é de que ele é um “filho de uma cadela”, então porque não levar essa frase de maneira literal? Assim como Allejo, o juiz cachorro também é uma criação da franquia International Superstar Soccer, mais especificamente em seu segundo volume, o Deluxe, só que é necessário efetuar uma sequência específica de comandos na tela título para habilitá-lo.

Mas o cheat vale muito a pena: nada mais divertido do que ver um cão da raça pastor alemão correndo de um lado para o outro do campo, assoprando um apito e mostrando cartões para os jogadores. E mesmo se tratando de um cachorro, os jogadores ainda o cercam e reclamam após a marcação de uma falta, o que mostra que esses craques do passado não respeitam nem mesmo alguém que claramente é um bom garoto.

Gol de bicicleta do meio de campo

Esse é um bug presente em praticamente todos os jogos da era de 16 bits que tinham o International Superstar Soccer como base, como o Campeonato Brasileiro 96 ou Ronaldinho Soccer 97.

Esse bug permitia que, ao chegar em um ponto específico do meio de campo (entre a linha lateral e o círculo central) com algum jogador de ataque, era possível ficar de costas para o gol, fazer umas duas embaixadinhas com a bola, jogar ela para o alto e apertar o botão de chute para dar uma bicicleta. Por algum bug do jogo, uma bicicleta desse setor específico do campo saía com muita força e muita precisão, e na grande maioria das vezes essa tentativa resultava em gol.

O gol de bicicleta do meio de campo é aquele tipo de coisa muito específica que só acontece nos videogames, porque ninguém na vida real vai fazer um gol de bicicleta do meio de camp... PERA!

Deixa pra lá…

Roberto Carlos no ataque

Esse é o tipo de invencionismo que, feito pelo Pep Guardiola seria visto como genial, mas feito pelo Carpeggiani a torcida iria chamar de Professor Pardal.

Durante o início dos anos 2000, Roberto Carlos era um dos melhores jogadores da franquia Winning Eleven (o nome da franquia de futebol produzida pela Konami e que, anos mais tarde, acabou se transformando na franquia PES) e possuía os atributos de velocidade e força do chute no máximo, o que o tornava uma arma letal para puxar contra-ataques e bater faltas.

Mas, exatamente por essas características, muitos jogadores não usavam Roberto Carlos na lateral esquerda (sua posição na vida real), mas no comando do ataque. Apesar de ele ser praticamente nulo em jogadas aéreas, o fato de ter a força de chute no máximo fazia com que qualquer chute dele de dentro da área se tornasse praticamente indefensável, e sua alta velocidade também fazia dele uma arma mortífera como o jogador mais adiantado do time e responsável por puxar os contra-ataques.

Roberto Carlos no ataque era, nos anos 2000, uma apelação maior do que ter um ataque com Messi e Cristiano Ronaldo nos jogos de futebol atuais, e muitos torneios de bairro tinham regras específicas para proibir essa tática porque fazer isso praticamente significava a derrota do outro time.

Quatro Pelés no mesmo time

ifa 2000 foi o primeiro jogo da série a trazer alguns times antigos clássicos, como a Argentina campeã da Copa do Mundo de 1978, o Estrela Vermelha de 1990-91 (campeão da Champions League) e o Santos de 62-63 (o esquadrão campeão do Mundial de Clubes que tinha o fantástico ataque de Pelé, Pepe, Dorval e Coutinho). Esses times não apenas estavam disponíveis para jogar em amistosos, como também era possível utilizar seus jogadores para montar elencos de equipes atuais — algo que permitia criar o elenco mais apelativo da história do futebol.

Se o Pelé é considerado como o melhor jogador da história, por que não fazer um ataque com quatro Pelés? Isso era possível em Fifa 2000, pois você poderia montar seu time utilizando o Pelé da Seleção Brasileira que ganhou a Copa de 1958, o Pelé da Seleção Brasileira que ganhou a Copa de 1970, o Pelé da Santos Campeão Mundial em 62-63 e o Pelé já próximo da aposentadoria do New York Cosmos, onde jogou nos dois últimos anos de sua carreira.

E se você acha que ter quatro Pelés no ataque ainda não era o suficiente para garantir a vitória, era possível ainda montar um meio de campo com dois Maradonas (retirados da Seleção Argentina de 1978 e do Napoli de 86-89) — um sexteto que por si só deve garantir ao menos uns 15 gols por partida.

Futebol sem limites

Um dos principais problemas do futebol para quem é ruim de bola e não sabe dar um chute direito é o fato do campo ter limites, o que numa partida entre pernas de pau significa que os jogadores passarão mais tempo correndo do lado de fora do campo e buscando a bola do que realmente jogando futebol.

A EA tentou corrigir isso em 1996. Muito antes de inventar o Fifa Street, a companhia já havia criado um modo indoor no Fifa 97. Baseado no futebol de salão, os times contavam com cinco jogadores e um goleiro em cada lado, e o jogo seguia todas as regras de uma partida de futebol. Ou, bem, quase todas.

Isso porque nesse modo indoor não existia limites para o campo: por conta das limitações de software da época, não era possível definir as linhas de limites de campo e, alguns metros depois, as paredes que compunham a quadra. Então a solução foi colocar as paredes no lugar das linhas de limitação do campo. Isso acabou criando todo um novo conceito de jogo onde não existem laterais, escanteios nem tiros de meta, porque o único modo da bola “sair” de campo era entrando no gol. Chutes para fora do campo apenas faziam com que a bola batesse na parede e voltasse, criando uma partida extremamente dinâmica e sem muitas paralisações.

O problema é que isso também criava um modo de jogar “para principiantes” que tornava praticamente impossível de ser derrotado: como o botão de chute era o mesmo botão que, na defesa, fazia um desarme “limpo” (ou seja, sem fazer falta), tudo o que o jogador precisava fazer era ficar apertando esse único botão repetidamente. Caso estivesse com a bola, o jogador em campo iria chutar e ocasionalmente fazer o gol e, caso perdesse a bola, iria tentar recuperá-la. Como as paredes evitavam da bola sair, mandar a bola para a lateral ou para escanteio não era um problema, e era fácil até mesmo ganhar de goleada apertando um único botão enquanto de usava a mão livre para comer um lanche.

Goleiros que jogam contra

Ainda que o futebol real esteja cheio de gols contra feitos por goleiros que, ao fazerem a defesa, acabam caindo atrás da linha da bola, os jogos mais recentes da série FIFA levam o gol contra de goleiro para outro patamar.

Um dos bugs mais comuns do jogo é o goleiro, ao pegar a bola, simplesmente começar a correr na direção do próprio gol com a bola na mão, parando apenas quando o juiz confirma o gol contra e o jogo é cortado para a animação de comemoração do time adversário. Apesar das dezenas de patches lançados pela EA, esse bug continua a acontecer e ninguém sabe exatamente quais são os eventos que levam o goleiro a agir dessa forma, sendo um dos bugs mais misteriosos dos últimos tempos.

Novas leis da física

Uma das maiores preocupações dos jogos de futebol mais recentes é conseguir uma maior fidelidade com o mundo real. Assim, são gastos horas em sessões de motion capture para reproduzir com a maior fidelidade possível todos os movimentos do corpo humano quando joga futebol, seja no controle da bola, nas mecânicas de chute ou até mesmo na física de colisão entre corpos de jogadores.

Mas, mesmo com todo esse cuidado, o complexo software de programação desses jogos acaba tendo algumas interpretações interessantes de como funciona o corpo humano, destruindo algumas leis da física no caminho.

O que não falta na internet são vídeos de jogadores correndo com uma das pernas enrolada no pescoço, com os pés virados para trás como se fossem o Curupira e diversos outros feitos impossíveis para a anatomia humana que mostram que a busca pela “fidelidade dos movimentos” acaba criando alguns dos melhores bugs visuais de todos os tempos.

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