Conheça 11 dos DLCs mais absurdos dos games

Por Carlos Ferreira | 17 de Março de 2016 às 12h20

No papel, tudo é muito promissor, funcional mesmo. A era da conectividade trouxe para os videogames algo que certamente antes fazia falta: a possibilidade de consertar um título após o seu lançamento. Afinal, até o período da saudosa sexta geração de consoles, caso um jogo saísse com bugs ou incompleto, ele seguiria dessa forma desde a fábrica até lojas de usados. Além do que, aquela aventura incrivelmente interessante poderia ganhar capítulos extras vendidos por preços módicos.

Na realidade, entretanto, o buraco dos DLCs (conteúdos para download) é um tanto mais embaixo. Um formato mercadológico que começou vendendo armaduras para cavalos (The Elder Scrolls IV: Oblivion) e armas multicoloridas (Gears of War 3) de repente resolveu deixar os itens luxuosos e as amenidades para começar a vender separadamente componentes centrais dos jogos – isso quando não deixava para aparar as arestas após o lançamento, colocando nas prateleiras um produto essencialmente incompleto.

DLCs absurdos

Um “mal necessário”

A questão central parece ser bastante simples: para as desenvolvedoras, a qualidade do produto final ainda é apenas um “mal necessário”. Em outras palavras, apenas uma melhoria geral da qualidade dos jogos oferecidos jamais seria suficiente para garantir a continuidade do novo formato. Quer dizer, a que produtora agradaria a ideia de trabalhar mais, após um lançamento a fim de lucrar exatamente os mesmos tostões?

Como resultado, atualmente vende-se desde personagens-chave para uma trama até partes inteiras da própria história. Há até quem cobre em moeda real por aumentos de mana de personagens feitos de pixels – e esse dificilmente seria o “extra” mais insólito comercializado pelo formato atual da indústria. Duvida? Bem, então confira a lista logo abaixo com alguns dos DLCs mais absurdos, inúteis e/ou ultrajantes que têm extorquido jogadores desavisados – muitas vezes mais infames do que a compra e venda de itens para Miis ou de vidas em Sonic (imagem abaixo).

DLCs absurdos

Ao final, tente evitar a seguinte dúvida: há realmente uma expansão da experiência daquele título favorito, ou se tornou tolerável que os jogos atuais sejam cada vez mais construídos em prestações onerosas? Caso a sua opção seja inquestionavelmente a primeira, não vá embora! Nós temos aqui um incrível escudo mágico +15 para lhe vender por alguns poucos reais... Sem dúvida uma pechincha! Mas, por hora, vamos à lista.

1. Proteção mafiosa em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain

Mesmo com o seu criador largando o barco no meio da viagem, não se pode negar que Metal Gear Solid V: The Phantom Pain se tornou um game bastante decente, trazendo diversas ideias originais para a clássica franquia da Konami. Entre elas, certamente se encontram as Forward Operating Bases (FOB) – quartéis generais oceânicos que lhe ajudam a manter o controle do mundo aberto do jogo, conforme adicionam mais recursos, mais soldados para enviar em missões paralelas etc.

Mas há um inconveniente: no modo de jogo online, essas bases distantes correm constantemente o risco de cair nas mãos de algum jogador oportunista. Por alguns trocados, entretanto, a Konami tem a solução: um seguro pago em moeda corrente na forma de DLCs contra bisbilhoteiros.

DLCs absurdos

“Bem, mas basta que eu não me conecte para jogar”, pode pensar o jogador incauto. Ledo engano: conforme quem já jogou pode confirmar, grande parte dos seus recursos mantidos nas FOBs é acessível apenas em ambiente online... Sim, essa é uma forma bem pouco sutil de extorsão.

2. Evolve: “Compre aqui seu monstro por apenas US$ 15!”

Assim como os conteúdos para download, Evolve soou incrivelmente bem em sua fase de projeto. Dos mesmos criadores de Left 4 Dead, o título prometia uma jogatina que, embora fosse apenas multiplayer, trazia consigo uma bela proposta de multiplayer assimétrico: seres humanos contra monstros – todos controlados por jogadores de carne e osso.

A fim de tornar a coisa ainda mais atraente, a Turtle Rock Studios ainda garantiu que todos os mapas adicionais lançados posteriormente seriam distribuídos gratuitamente para todos os jogadores – de forma que a base de usuários não fosse dividida. Entretanto, quando o título foi lançado por US$ 60, não demorou muito para que o caos se instalasse.

Em primeiro lugar porque, embora os mapas fossem mesmo gratuitos, um dos quatro monstros iniciais estava disponível apenas aos jogadores que efetuaram a pré-compra do game – restando aos demais despender US$ 15 adicionais, ou simplesmente ficar de fora de várias partidas. Isso para não mencionar todas as edições especiais com bônus dos mais variados, cujo resultado foi uma confusão tão grande que alguns jogadores chegaram a colocar tudo em uma tabela.

DLCs absurdos

Ao final, caso quisesse mesmo tomar parte indistintamente de toda a pancadaria online, o espoliado jogador deveria gastar mais de duas vezes o valor inicial do jogo. Algo bastante natural, conforme colocou o CEO bastante polido do estúdio à época:

“Os jogadores se recusam a pagar US$ 135 por Evolve porque estão acostumados ao valor relativamente barato de US$ 60 dos jogos atuais. Pessoalmente, eu acredito que US$ 140 são uma barganha por tudo o que vocês têm ali. É preciso lembrar os jogadores de que eles podem jogar com três tipos distintos de monstros sem DLCs. Apenas isso seria vendido por US$ 90 individualmente, mas nós estamos passando por US$ 135”

Não reclame, portanto. Somos todos incrivelmente sortudos – e a Turtle Rock não poderia ser mais pródiga.

3. The Saboteur: “No money, no funny, buddy honey”

The Saboteur conseguiu, de fato, levar alguma leveza ao cenário incrivelmente tenso de uma França ocupada por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a diversão ia além de simplesmente matar nazis com um piloto de corrida irlandês: eventualmente, o herói acaba por se esconder em uma casa burlesca cheia de damas pobremente vestidas.

Entretanto, conforme já dizia a moça que desfilava pelas calçadas de GTA Vice City, “No money, no funny, buddy honey”. Dentro do bordel, todas as mulheres aparecem inicialmente com uma tarja cobrindo os mamilos. Para ver o show completo? Simples: pague US$ 3 à Electronic Arts.

saboteur

Pois é, em um dos DLCs mais bizarros da História, a produtora descobriu como capitalizar a libido dos jogadores. Posteriormente, os servidores do título foram desativados – de forma que quem viu, viu – e quem não viu que fique chupando o dedo com US$ 3 guardados no bolso.

4. Aumento de seios em Dream Club Zero

Descontente com o tamanho da comissão de frente da sua parceira virtual em Cream Club Zero? Sem problemas. Pela bagatela de US$ 6, a desenvolvedora Tamsoft pode aumentar consideravelmente os seios da moça por meio do DLC “Upgrade Bra”.

DLCs absurdos

5. Raios-X em Gal Gun

Ok, justiça seja feita: bizarrices sexuais não são algo propriamente novo entre os títulos japoneses mais picantes. Entretanto, o que dizer quando uma produtora resolve “esfolar” o jogador em US$ 90 por um par de óculos de Raios-X unicamente para que as roupas íntimas das moças se tornem visíveis através das roupas mais comportadas? A cobrança aí deve ser de longe o ponto mais indecente da transação.

DLCs absurdos

6. Mel na chupeta para Mortal Kombat X

Quando o primeiro Mortal Kombat foi lançado, havia apenas uma saída para quem buscava aquela dose extra de humilhação do adversário: buscar os comandos relativamente secretos dos Fatalities entre amigos e revistas especializadas. Mas isso representava apenas metade do desafio, já que ainda seria necessário conseguir executar uma penca de “pra cima”, “pra baixo”, “A”, “B”, “X”, “Y” dentro do tempo limite.

Mas, ei, os menos habilidosos também têm o direito de extrair corações e colunas vertebrais no tradicional festim sanguinolento de fim de luta, certo? Pensando nisso, a Warner Bros. acrescentou em Mortal Kombat X os chamados “Easy Fatalities” – algo, por si só, até defensável.

DLCs absurdos

Mas aí vem o golpe: é preciso pagar para poder executar os movimentos mortais do game de forma facilitada. E aí vem o golpe dentro do golpe: pelo valor pedido de US$ 4,99 você não garante permanentemente a funcionalidade, já que o valor compra apenas um pacote de 30 execuções de Easy Fatalities. Uma dica? A menos que o seu tempo valha muito dinheiro, vá treinar os comandos!

7. A jukebox de Guitar Hero Live

Talvez, assim como boa parte da humanidade, você pense que a época das guitarras plásticas multicoloridas ficou perdida em algum momento próximo de 2010. Entretanto, seja por saudosismo (público) ou por um senso oportunista (Activision), o veterano Guitar Hero ganhou há não muito tempo uma nova edição.

Até aí, nenhum problema, é claro. Ou, pelo menos, nenhum inconveniente... Até o momento em que você resolva tentar alguma coisa fora das 42 faixas inicialmente disponibilizadas pela Activision.

DLCs absurdos

Embora o game dê acesso a faixas extras adquiridas separadamente, gastar dessa forma não tornará as músicas adicionais permanentemente disponíveis. Na verdade, o game funciona por meio de “tokens”, sendo que US$ 2,50 valem 10 deles – enquanto que US$ 6 dão acesso a 24 horas de músicas. Passado o período, você volta às 42 músicas iniciais... Ou compra novos tokens.

8. Mass Effect: os segredos do Universo por 10 pratas

Qualquer jogador de Mass Effect poderia lhe informar de pronto: a raça longamente extinta dos “protheans” é uma das mais misteriosas e emblemáticas da série – com uma história particularmente vital para entender o próprio universo da trilogia. Dessa forma, quando Javik, um prothean, foi anunciado como personagem em Mass Effect 3, é de se imaginar os burburinhos entre a comunidade de fãs. Javik, afinal, é o último remanescente prothean.

DLCs absurdos

Tendo permanecido em estado de vida latente por 50 mil anos, ele agora busca vingança contra os reapers – enquanto oferece preciosos insights sobre o caos instalado na Via Láctea. Entretanto, você apenas fica sabendo disso tudo caso decida despender US$ 10 adicionais no DLC “From Ashes”. Repostas cosmológicas têm seu preço, como se vê.

9. Asura’s Wrath: “Para conhecer o final, insira uma moeda”

Mas se vender personagens centrais para a trama já lhe parece algo questionável, aguente aí, porque a coisa fica ainda mais acachapante. Senão, vale lembrar o que fez a Capcom com o seu Asura’s Wrath.

DLCs absurdos

Inegavelmente, trata-se de um título focado na história – mesmo que esta não vá tão além de uma porção de clichês. Não obstante, após abrir caminho entre monstros e divindades pretensiosas, ainda um último “desafio” é jogado contra o pobre Asura: é preciso pagar pelo DLC que trará consigo o final real do jogo. Do contrário, resta apenas um “cliffhanger” sem resolução clara. Novamente, algo que beira a extorsão.

10. O quebra-cabeça de Deus Ex: Human Revolution

Mas é verdade que nem sempre as desenvolvedoras optam por vender o desfecho da trama separadamente. Às vezes são peças intermediárias aquelas consideradas “opcionais”. Senão, vale conferir a história de Deus Ex: Human Revolution.

deus ex missing link

Há alguns hiatos estranhos ali pelo meio? Pois é. Ocorre que esses trechos apenas podem ser conhecidos por meio da aquisição de um DLC convenientemente batizado de “The Missing Link” (a ligação faltante). E antes que você fique com a dúvida, não, não se trata de um desenvolvimento posterior. A Square Enix realmente vendeu um jogo incompleto a fim de tentar vender depois as peças que faltavam. Muito esperto.

11. Final Fantasy XIII-2 e o preço da “verdade”

A história sempre foi um elemento central da série Final Fantasy. Independente do maniqueísmo clássico da série (com “Bem” e “Mal” bem delineados) atraí-lo ou não, fato é que o desfecho da trama sempre foi grandemente responsável por manter os jogadores firmes por dezenas de horas de jogatina – às vezes repetindo os mesmos movimentos à exaustão.

DLCs absurdos

Pois é, demorou, mas a Square Enix se tocou que poderia capitalizar esse apelo. Em Final Fantasy XIII-2, caso você queira mesmo saber o que ocorre com a Lightning, é preciso adquirir o conteúdo para download identificado como “True Ending” (final verdadeiro). Sem dúvida uma bela homenagem à enorme e fiel base de adoradores da série.

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