Comissão da Bélgica acredita que loot boxes são equivalentes a jogos de azar

Por Redação | 23 de Novembro de 2017 às 09h51

A polêmica com relação às loot boxes de Star Wars Battlefront II já está batendo nas portas do governo, com a Bélgica anunciando investigações que podem levar ao banimento dessa mecânica não apenas no país, mas em toda a Europa. Pelo menos essa é a visão do diretor de uma comissão do país especializada em tais assuntos, Peter Naessens, que compara o sistema a jogos de azar.

Ele afirma que não existem dúvidas com relação a isso e é categórico: se um game apresenta algum tipo de jogo que envolve a sorte, ele pode ser considerado na categoria e, sendo assim, precisa de autorização da comissão. Isso, também, envolve outros quesitos que empresas como a Electronic Arts, e muito menos a dona da marca, a Disney, gostariam de ver associados a Star Wars, como venda restrita e um aumento na classificação indicativa.

Para Naessens, a maior questão é quanto aos efeitos desse tipo de dinâmica sobre a saúde mental dos jovens. Segundo ele, se existe uma mistura entre o investimento de dinheiro e a possibilidade randômica de obter itens a partir de pacotes desconhecidos, isso constitui um jogo de azar e, sendo assim, pode levar ao vício, principalmente no caso dos mais novos.

Participe do nosso Grupo de Cupons e Descontos no Whatsapp e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Até o ministro da Justiça da Bélgica, Koen Geens, apoiou a questão, afirmando que a ideia é banir esse tipo de sistema não apenas no país, mas em toda a Europa. Por enquanto, entretanto, a Comissão de Jogos da Bélgica ainda investiga não apenas o caso de Star Wars Battlefront II, mas observa também o que é feito em outros títulos como Overwatch e Heroes of the Storm.

Até que exista efetivamente uma proibição, ainda há um bom caminho a percorrer. Outros países também estão trafegando vias semelhantes, como os Estados Unidos, onde o senador Chris Lee, do estado do Havaí, afirmou que Battlefront II nada mais é do que um “cassino temático de Star Wars”.

A polêmica está relacionada aos métodos de liberação de personagens e progressão no título, ambos completamente associados ao uso de créditos. Tais pontos podem ser obtidos jogando o próprio game, em um ritmo lento, ou, em uma possibilidade removida pela distribuidora EA no dia anterior ao lançamento, adquiridos com dinheiro de verdade para um progresso mais rápido e liberação dos heróis desejados.

Com exceção do desbloqueio de personagens como Luke Skywalker, Darth Vader, Chewbacca e outros, todos os aspectos relacionados à evolução dos soldados comuns – que o jogador controlará durante a maior parte do game – estão associados às loot boxes. O jogador até sabe que receberá algumas habilidades na caixa, mas não tem como saber quais são, com elas sendo completamente aleatórias.

A aplicação de mecânicas desse tipo, que também aparece em Need for Speed Payback, outro lançamento recente da Electronic Arts, levou não apenas a problemas com o governo, mas também com o público – levando a baixas vendas de Star Wars Battlefront II – e até mesmo com a própria Disney. De acordo com os rumores, a dona da marca teria ameaçado a EA com a perda da licença devido à demora da companhia em lidar com o problema e a reação extremamente negativa dos fãs.

Desde que desativou as microtransações no game, entretanto, a distribuidora permanece calada. A companhia já disse que o uso de dinheiro de verdade para compra de créditos retornará a Star Wars Battlefront II, mas afirmou que isso acontecerá de forma a não atrapalhar o progresso e garantir equilíbrio com aqueles que não desejam enfiar a mão no bolso.

Fonte: RTBF, GameSpot

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.