CD Projekt Red é processada por acionistas após lançamento de Cyberpunk 2077

Por Felipe Demartini | 29 de Dezembro de 2020 às 10h30
Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech

A desenvolvedora CD Projekt Red recebeu um presente de Natal meio amargo neste ano, com o registro de uma possível ação de classe de um de seus investidores devido ao lançamento conturbado de Cyberpunk 2077. O processo, movimento na última quinta-feira (24) por um dos investidores da companhia, a acusa de ter mentido sobre o estado do desenvolvimento do jogo, principalmente sobre seu funcionamento no PlayStation 4 e Xbox One.

O processo foi aberto por uma firma de advocacia de Nova York, nos Estados Unidos, e aponta irregularidades no registro de documentos da CD Projekt Red entre 16 de janeiro e 17 de dezembro deste ano, que teriam levado os investidores à compra de ações e, agora, a perdas financeiras. A ação cita, por exemplo, que a desenvolvedora afirmou, no começo do ano, que Cyberpunk 2077 já estava jogável, enquanto o lançamento nos aparelhos da antiga geração é citado como bugado e “virtualmente injogável”.

Ao longo de todo o processo, diversas instâncias em que a desenvolvedora teria feita afirmações “falsas ou enganosas” são citadas. É o caso, por exemplo, de uma fala do CEO Adam Kiciński ao anunciar o adiamento do título em setembro e dispensando preocupações quanto à sua performance no PS4 e Xbox One, afirmando que as versões não possuíam problemas, mas precisavam apenas de otimizações. Na ação, o investidor reclamante e seus advogados afirmam que as declarações levaram a uma perda de confiança e a baixas de 25% nas ações apenas nos primeiros três dias, com outros 16% de queda registrados quando a Sony anunciou que interromperia as vendas do título para seus consoles.

O pedido do escritório responsável pelo processo é para que ele seja transformado pelos juízes em uma ação de classe, representando todos os investidores que adquiriram cotas da companhia neste ano, com base nas expectativas depositadas sobre Cyberpunk 2077. Mesmo com todos os problemas e pedidos de reembolso, o relato da CD Projekt Red é de que o game vendeu 13 milhões de unidades, entre pré-vendas e cópias pós-lançamento, apenas em seus 10 primeiros dias nas lojas, com um faturamento estimado de US$ 780 milhões em todo o mundo.

Sem citar tais números, a CD Projekt Red afirmou que vai se “defender vigorosamente” das acusações feitas pelos advogados e refutou a ideia de que esta deveria ser uma ação de classe. Em um breve comunicado, a companhia disse apenas que vai responder nos tribunais, já tendo registrado uma devolutiva relacionada ao caso na última sexta-feira (25). O processo ainda está em análise pelos juízes do estado americano da Califórnia.

A disputa envolve não apenas um provável pedido de indenizações pelas perdas dos acionistas, mas também questões legais relacionadas a documentos oficiais, cuja ausência de informações relevantes ou indicativos diferentes da situação real poderiam constituir crimes federais. A CD Projekt Red afirmou apenas não ter feito nada de errado e aguarda o andamento da situação nos tribunais.

Enquanto isso, o escritório responsável pela ação, a Rosen Law Firm, pede que os acionistas que tenham se sentido lesados entrem em contato para que se unam ao processo. Ainda, analistas jurídicos apontam que os próprios totais de vendas, assim como erros de interpretação e nomenclaturas no processo — como a indicação da linha de consoles da Microsoft como Xbox Series X e Xbox Series S, por exemplo — podem colocar em xeque a validade do pedido. Sobre isso, porém, a firma não se pronunciou e aguarda a movimentação oficial da solicitação nos tribunais.

Fonte: Polygon, Bloomberg  

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