Sonic Forces peca por ser ambicioso demais [Análise]

Por Eduardo Hayashi | 16 de Novembro de 2017 às 10h56
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Em meados de 2015, fomos surpreendidos com a chegada de dois novos games estrelados por Sonic, que posteriormente foram batizados de Sonic Mania, uma verdadeira homenagem nostálgica para os antigos fãs da série do game de plataforma 2D, e Sonic Forces, com uma pegada mais moderna e diversos elementos novos para a série.

Lançado em agosto deste ano, Sonic Mania se provou uma grande surpresa para os fãs da série que estavam fartos de ideias mirabolantes e inovadoras, oferecendo tudo aquilo que os nostálgicos tanto pediram ao longo dos anos: jogabilidade 2D nos moldes clássicos, gráficos em 16 bit e trilha sonora impecável.

Agora, com a chegada de Sonic Forces, um título mais ambicioso e repleto de ideias novas para a série, só nos resta saber se a Sonic Team conseguiu dar conta do recado e cumprir com a difícil missão de apresentar algo tão divertido e relevante que cause o mesmo impacto de Sonic Mania. Confira a nossa análise sobre o game!

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O surgimento de um novo herói

Depois de incontáveis tentativas, Dr. Eggman finalmente consegue pegar Sonic de surpresa e superá-lo em um combate contra vilões conhecidos como Shadow, Metal Sonic, Chaos, Zavok e o misterioso Infinite.

Seis meses após a derrota e o desaparecimento do ouriço azul, o mundo está sob o domínio do Dr. Eggman, mas uma esperança nasce com a chegada de um novo membro no grupo de resistência: você. É exatamente neste momento em que somos convidados a fazer parte do mundo de Sonic Forces com a criação de um personagem, um “Avatar”.

Para adentrar o universo de Sonic, você pode optar por ser um lobo, coelho, gato, cachorro, urso, pássaro ou um ouriço, sendo que cada uma dessas opções oferece habilidades diferentes. Além disso, é possível escolher detalhes como estilo dos olhos, tipos de orelhas, cor dos pelos, entre outras características.

As possibilidades de personalização do “Avatar” não se limitam apena a isso, pois o game oferece uma grande variedade de acessórios, calçados, luvas e roupas, que são desbloqueados ao concluir as fases do game.

Outra novidade é o Wispon, um equipamento exclusivo do “Avatar” que funciona como gancho e que também pode ser energizado com os poderes das Wisps, de Sonic Colors, garantindo uma grande variedade de tipos de movimentos e ataques, além de diferentes formas de explorar cada fase.

Apesar de a inclusão de um herói personalizável ser um tanto quanto questionável, ele acaba oferecendo uma experiência interessante ao longo do game. É possível, por exemplo, conferir diversas cenas em que todas as mudanças visuais são fielmente reproduzidas em sequências de ação e velocidade ou em interações com os personagens marcantes da franquia. Sem entrarmos muito no campo dos indesejados spoilers, vale dizer que o “Avatar” desempenha um papel importante no enredo do game.

Modos de jogo e jogabilidade

De forma semelhante a Sonic Generations, aqui podemos jogar em fases que se alternam entre o Sonic Moderno e o Sonic Clássico. Além disso, também há níveis dedicados somente ao “Avatar” e estágios que podem ser jogados em dupla com o Sonic Moderno.

Em resumo, temos três tipos de jogabilidade: o Sonic Clássico, que traz fases no estilo plataforma 2D que remetem aos games clássicos; o Sonic Moderno e as fases em dupla, que oferecem a jogabilidade dos games 3D em que o seu principal desafio é correr freneticamente para a frente e desviar dos obstáculos; e as fases somente com o “Avatar”, em uma variante do Sonic Moderno, que não oferece o movimento de “Boost” do ouriço, mas traz mecânicas interessantes de exploração por meio dos poderes elementais das Wisps.

A combinação dessas mecânicas proporcionam um ritmo de jogo interessante e variado, mas que é prejudicado, em grande parte, devido a problemas na parte de level design.

Com o Sonic Moderno, não são raros os momentos em que você sente que basta pressionar o botão de “Boost” para resolver tudo correndo e pulando no tempo certo, dando pouca liberdade para que o jogador se sinta realmente no controle da situação. Já com o Sonic Clássico, é fácil para qualquer fã de longa data da série notar que há alterações visíveis na forma como o personagem se comporta ao pular e ao realizar o famoso movimento de “Spin Dash”, dando a impressão de que o ouriço está muito mais pesado do que deveria.

A forma como os obstáculos e plataformas são dispostos nas fases ocasiona causa algumas situações irritantes em que simplesmente não é possível prever onde os personagens vão aterrissar ou em inimigos ou perigos que são praticamente impossíveis de serem evitados em uma primeira abordagem. O level design fraco de Sonic Forces também resulta em fases que não são tão satisfatórias de serem exploradas, ainda que boa parte delas possua três ou mais caminhos possíveis com itens escondidos. Devido a esses problemas, o jogador não é estimulado a tentar uma nova fase para percorrer esses caminhos alternativos.

Gráficos e trilha sonora

Se há um aspecto a ser elogiado no game, posso garantir sem dúvida alguma, é a parte gráfica. Sonic Forces apresenta um mundo muito bonito e cenários coloridos de encher os olhos. Este mesmo capricho também se aplica aos personagens, reproduzindo cada um dos heróis com um alto nível de detalhamento.

Dito isso, é uma pena que toda a atenção dedicada a parte visual seja deixada de lado por causa da velocidade exagerada de Sonic e pelos diálogos desnecessários e excessivos durante o gameplay.

A trilha sonora, por sua vez, ainda que um pouco atrás de Sonic Mania em termos de qualidade, consegue convencer com uma mistura de ritmos predominantemente eletrônicos, que casam muito bem com os momentos de tensão e ação do jogo.

Ritmo narrativo acelerado

Sonic Forces chama muita a atenção por contar com uma premissa que amarra quase todos os games anteriores, ou seja, que considera os eventos de Sonic Colors e de Sonic Generations (ambos também desenvolvidos pela Sonic Team). Essa "conversa" entre os títulos também resulta na aparição de coadjuvantes menos conhecidos, como Amy, Rouge, Cubot, Omega, Vector, entre outros.

Tal característica, por mais que não pareça influenciar muito no ritmo de narrativa do game, acaba nos deixando com a sensação de que o universo de Sonic Forces é muito vasto para ser explorado apenas em um único título com duração média de 4 horas, o que culmina em uma série de eventos que deveriam ser dramáticos e impactantes, mas que, no final das contas, não são o suficiente para que você crie uma conexão maior com cada personagem.

A solução encontrada pela Sonic Team para enriquecer um pouco mais o enredo do game foi a de oferecer 4 HQs, em uma espécie de prólogo da história do jogo, bem como um DLC gratuito, com três fases que abordam a conexão entre o vilão Infinite e o anti-herói Shadow em eventos que antecedem a abertura de Sonic Forces. Tais complementos podem ser interessantes para quem gostou do game, porém não resolvem o problema do ritmo narrativo acelerado.

Veredito

Sonic Forces é ambicioso em quase todos os sentidos, apresentando um enredo abrangente e novas mecânicas de jogo. Porém, a sensação ao completar todas as missões do game é que ele tenta ser algo muito maior do que realmente é, perdendo o foco em diversos momentos, seja em aspectos de jogabilidade ou de narrativa.

Ainda que com tantos problemas, o game consegue brilhar durante os combates com chefes e em momentos em que a jogabilidade muda de forma e de dinâmica ao longo dos cenários. O destaque fica por conta da parte gráfica, que retrata as batalhas e cenas de ação intensas com um nível de detalhamento que está à altura de títulos da atual geração de consoles.

Por fim, não podemos deixar de mencionar o sistema de criação de personagens, que apesar de não acrescentar muito em termos de jogabilidade, marca a primeira oportunidade de os fãs criarem suas próprias versões animalescas e peludas do universo de Sonic, tudo isso com um número gigantesco de possibilidades de personalização.

O que dá para concluir de Sonic Forces é que a Sega, mesmo depois do elogiado Sonic Generations e do recente Sonic Mania, ainda não encontrou uma fórmula sólida o suficiente para conduzir os jogos modernos da franquia, se arriscando demais em vez de se concentrar nos elementos que realmente fizeram a franquia ganhar destaque nos anos 1990.

Sonic Forces foi analisado com cópia digital para PlayStation 4 cedida gentilmente ao Canaltech pela Ecogames.

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