Análise | No Switch, Resident Evil 5 e 6 são volta à geração passada

Por Felipe Demartini | 11 de Novembro de 2019 às 09h58
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Ficha técnica

Jogar Resident Evil 5 e Resident Evil 6 novamente, tantos anos depois e no Nintendo Switch, é como uma volta ao passado, por mais de um motivo. Com os relançamentos, a Capcom completa um ciclo que já era esperado, da mesma forma que traz de volta a ação da chamada era moderna da franquia, junto com os problemas que pensávamos terem ficado para trás na geração passada de consoles.

É justamente por termos visto tantos relançamentos de Resident Evil no PlayStation 4 e Xbox One que esta dupla de retornos soa inconsistente, assim como todo o ciclo que trouxe de volta alguns dos melhores (ou nem tanto assim) capítulos da marca ao longo dos últimos 15 anos. Nos aparelhos atuais da Sony e da Microsoft, os games atingiram sua melhor forma, mas, no Switch, a produtora mostra que algumas manias antigas, assim como os bons e velhos zumbis, insistem em não morrer.

No aparelho da Nintendo, os games se comportam exatamente como em suas chegadas originais, com a exceção de adições como um controle por movimentos que não funciona muito bem e todo o conteúdo adicional, incluindo um modo extra que, antes destes relançamentos, era exclusivo dos PCs. E é nele, aliás, que vemos exatamente porque, originalmente, apenas os computadores eram capazes de rodá-lo.

Estamos falando da modalidade No Mercy para o ótimo modo Mercenaries de Resident Evil 5. Aproveitando o potencial de desempenho mais alto dos computadores, a Capcom decidiu deixar os limites para lá e encher a tela de inimigos. Se a Kijuju da campanha com hordas gigantescas já era impressionante, espere para ver a contagem de Majinis na tela ultrapassar facilmente a casa da dezena, muitas vezes não sendo nem mesmo possível enxergar o cenário ou os personagens.

Modo Mercenaries No Mercy, de Resident Evil 5, multiplica o número de inimigos na tela e faz o Switch sofrer (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

É aqui, também, que aparece o que é praticamente a única mancha negra de Resident Evil 5 no Nintendo Switch, com o game rodando o extra com cada vez mais dificuldade na medida em que os inimigos vão tomando conta do cenário. Usar granadas para explodir oponentes é sempre uma boa opção, mas também faz com que o título se transforme em uma apresentação de slides durante a detonação.

Felizmente isso só acontece no No Mercy; como Resident Evil 5 já era incrível no PlayStation 3 e Xbox 360, isso permanece sendo verdade no Switch. Na comparação com os relançamentos mais modernos, claro, a versão deixa a desejar, rodando a 720p no modo portátil e abaixo de 1080p quando ligado à doca, bem como jamais chegando aos 60 quadros por segundo. O que vemos aqui é a competência do lançamento original, que espremeu nos consoles da época um cenário vivo, jogos de luz inspirados e a ação frenética acompanhada de uma história dramática.

Há controvérsia entre os fãs da franquia quanto à qualidade do game, é verdade, mas não estamos aqui para resolver tais questões. O que é inegável, mesmo no Switch e nesta versão que muitos chamariam de “capada” por conta do potencial gráfico reduzido, é que o jogo de 2009 ainda permanece muito grande e, acima de tudo, funciona muito bem no Nintendo Switch, representando uma boa adição à biblioteca do console e à coleção de fãs que sempre sonharam em poder levar jogos “de verdade” da franquia por aí. Agora, eles têm a série quase completa para fazer isso.

No Switch, Resident Evil 5 traz os gráficos bonitos e a performance estável da geração passada, sem as melhorias trazidas pelo PS4 e Xbox One em termos de resolução e frame rate (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Algumas marcas de um “rerelançamento” dessa categoria também aparecem aqui. Durante nosso período de testes, na semana de chegada dos games e também na seguinte, foi impossível encontrar partidas online no modo Mercenaries de Resident Evil 5 e também parceiros para o modo cooperativo. Felizmente, tudo pode ser jogado perfeitamente sozinho, mas a baixa população conectada acabou nos obrigando a deixar de lado um dos aspectos que, à época, eram inéditos para a saga.

Em compensação, como uma resposta aos fãs, a Capcom adiciona aqui a opção de controlar a mira por movimentos, um pedido dos fãs que já data de alguns meses, quando Resident Evil 4 chegou ao console. O resultado, porém, não é nada agradável, com uma jogabilidade pesada e nada fluída, mesmo quando mexemos nas preferências de sensibilidade. Boa sorte para dar um tiro na cabeça dos inimigos desta maneira, pois você vai precisar.

Resident Evil 5 é um dos jogos mais bonitos e ambiciosos da série, com todas as suas qualidades, agora, podendo ser carregadas por aí na versão Switch (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Dá para argumentar que tanto Resident Evil 5 quanto RE6 não foram feitos para serem jogados desta maneira, mas a versão Wii do quarto game da série mostrou que, com um pouco de trabalho e adaptação, isso seria perfeitamente possível. Não é o caso aqui, com os comandos por movimento parecendo uma adição feita a toque de caixa e sem que nenhum esforço para dar certo fosse realizado. Prova disso é que a novidade foi descoberta pelos fãs apenas no lançamento, sem que fosse divulgada pela empresa como uma característica inédita da edição Switch.

No restante, temos exatamente o mesmo game, que permanece resistindo ao teste do tempo mesmo 10 anos depois de seu lançamento original. A saga de Chris e Sheva no combate contra armas biológicas no coração da África tem suas raízes literais na origem da franquia e serve para amarrar muitas pontas soltas que existiam desde os primórdios, bem como representa o encontro derradeiro entre Albert Wesker, um dos maiores vilões de Resident Evil, e seu velho parceiro de equipe.

Falhas revividas

Resident Evil 5 mudou as coisas, fechou arcos e encerrou histórias. Três anos depois, no game seguinte, a Capcom também decidiu realizar alterações profundas na franquia, apostando mais do que nunca em uma jogabilidade de ação e no tiroteio intenso, enquanto tentava criar novos enredos para uma nova era de uma de suas marcas mais lucrativas.

Na geração passada, Resident Evil 6 apresentava grandes problemas visuais, que retornam à vida na versão Switch (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Foi em uma época na qual Call of Duty reinava que Resident Evil 6 chegou às lojas. Em 2012, todos queriam ser como a franquia da Activision e, principalmente, vender como ela, o que levou a um dos títulos mais ambiciosos e, também, divisíveis da franquia. O resultado não foi dos melhores, tanto tecnicamente quanto em termos de enredo, com a versão Switch do título também trazendo esse cheirinho todo de um passado não tão brilhante de volta.

Ao se portar exatamente como os lançamentos originais da geração passada de plataformas, Resident Evil 6 no Switch também reapresenta os problemas visuais e de performance dos quais acreditávamos que estávamos livres desde que os jogos chegaram ao PS4 e Xbox One. Algumas adaptações necessárias para o Switch mascaram um pouco essa percepção, mas o desempenho abaixo do aceitável, ainda assim, é perceptível.

Como acontece com RE5, o sexto game da série também roda a 720p em modo portátil e levemente acima disso quando conectado à doca. A performance sempre tenta permanecer nos 30 frames por segundo, mas nem sempre consegue, com seus momentos frenéticos se transformando em apresentações de slide muito rapidamente. O problema que acontecia apenas no modo Mercenaries No Mercy, no interior, aqui será visto o tempo inteiro.

Quedas de frame rate durante os momentos mais agitados aparecem mesmo na resolução mais baixa de Resident Evil 6 no Switch (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

São heranças malditas de um game que não se comportava muito bem já em suas casas originais e que cujos defeitos foram ocultados pelo poder de processamento extra trazido pela atual era de plataformas. Quando isso não está disponível, as feridas voltam a aparecer, mas, felizmente, sem o horrível screen tearing que vimos em 2012, pelo menos.

A dificuldade de encontrar parceiros online também se repete em Resident Evil 6, acabando por macular duas características exclusivas do game. A primeira é o modo em que os jogadores podiam controlar monstros na campanhas dos outros e a segunda é a sinergia entre histórias, com os momentos em que quatro protagonistas estão juntos em ação sempre significando que a ação vai acontecer ao lado de parceiros controlados pela inteligência artificial.

Resident Evil 6 não envelheceu nada bem, mas com este relançamento, a Capcom fecha um ciclo de versões para o Nintendo Switch (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

São quatro campanhas ao todo, que contam histórias paralelas que vão se conectando para montar um todo maior. Uma abordagem grandiosa e digna do que a Capcom queria fazer com este game, que era dar um recomeço para a franquia. As ideias erradas, as tramas importadas de novelas mexicanas ruins e, principalmente, as falhas na jogabilidade, acabaram fazendo com que tudo isso fosse quase em vão. E que bom que foi assim, pois pode ter demorado, mas a saga retornou aos trilhos.

Não podemos, entretanto, tirar pontos das versões deste game para o Switch por causa de tais questões. Entretanto, a performance abaixo do esperado é, sim, um ponto dos mais negativos, que poderiam ser mitigados com um pouco de interesse e otimização por parte da Capcom. Um aspecto que, sabemos, sempre esteve ausente em toda essa onda de relançamentos da empresa para a atual geração.

No Brasil, os dois jogos estão disponíveis apenas digitalmente, enquanto no restante do mundo ambos aparecem como parte do Resident Evil Triple Pack, com Resident Evil 4 em cartucho e códigos digitais de RE5 e RE6. Outra opção esquisita, é verdade, e que precisa ser levada em conta por quem for mais adepto dos jogos físicos.

Esse tipo de escolha esquisita de lançamento, assim como o valor mais alto das novas versões, por conta de serem mais recentes, depõem contra os títulos da mesma forma que a falta de otimização em si. Elas continuam as velhas conhecidas dos fãs e tudo, no final das contas, se resume ao quanto você valoriza a possibilidade de levar Resident Evil 5 e Resident Evil 6 para todo lugar e até que ponto isso vai compensar, na sua experiência, o reencontro com gráficos abaixo do padrão atual e performance que deixa a desejar, principalmente no sexto título.

Resident Evil 5 e Resident Evil 6 foram testados em cópia digital gentilmente cedida ao Canaltech pela Capcom.

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